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Algumas verdades bastante inconvenientes sobre o radicalismo libertário

Self-Ownership Kills Babies Steve Rhodes – pt

Steve Rhodes

Jason Jones e John Zmirak - Aleteia Vaticano - publicado em 26/03/14


A autopropriedade, ou teoria da posse de si mesmo, tal como construída por um impiedoso Rothbard, traz outras implicações para os direitos e deveres dos pais, estendendo-se muito além da intimidade do útero. Rothbard prossegue, no mesmo capítulo:

"Aplicada aos pais e
filhos, a nossa teoria significa que os pais não têm o direito de agredir seus filhos, mas também significa que os pais não têm obrigação legal alguma de alimentar, vestir ou educar os filhos, uma vez que tais obrigações seriam ações positivas coercitivas, que privariam os pais dos seus direitos. Os pais não podem matar diretamente nem mutilar o filho, e a lei está certa em proibi-los de fazer isso. Mas os pais devem ter o direito legal de não alimentar a criança, ou seja, de permitir que ela morra sozinha. A lei, portanto, não pode obrigar os pais a alimentar um filho nem a mantê-lo vivo (reiterando: que os pais tenham obrigação moral, e não legal, de manter seu filho vivo é uma questão completamente diferente). Esta regra nos permite responder a perguntas prementes como: podem os pais permitir que um bebê deformado morra (por exemplo, deixando de alimentá-lo)? A resposta é sim, claro que sim, e é uma resposta que se segue, a fortiori, do direito maior de permitir que qualquer bebê, deformado ou não, morra (embora, como veremos a seguir, a existência de um livre mercado de bebês dentro de uma sociedade libertária acabe por reduzir tal ‘negligência’ ao mínimo)".


A autopropriedade, como princípio, impede assim o Estado de intervir quando os pais matam seus filhos de fome. Neste ponto, é tentador simplesmente deixar todo este conceito de lado como absurdo e concluir que qualquer teoria que não defenda a unidade mais básica da sociedade, a família, dificilmente pode ser confiável em questões maiores e mais complicadas. Mas a teoria da autopropriedade ou posse de si mesmo não é totalmente equivocada. Ela é radicalmente incompleta: ela é uma parte importante da verdade, mas, quando arrancada do seu contexto vital, deixa o mesmo rastro de sangue deixado por qualquer órgão vital que é extirpado do corpo.

A propriedade privada e a sua proteção contra confiscos ou controles arbitrários são implicações da dignidade humana, porque a propriedade é, em sua essência, o fruto do nosso trabalho, que deve ser livre. Neste sentido, nós somos donos daquilo que fazemos. Mas formulemos algumas perguntas incisivas sobre o que a propriedade realmente significa, até que ponto ela se estende e de que forma ela é condicionada por aquilo que nós mesmos recebemos.

É claro que nenhum ser humano é realmente "um homem que se fez sozinho". Nascemos de um pai e de uma mãe, sem cujos cuidados teríamos morrido rapidamente. Os seres humanos são dependentes da proteção constante dos pais durante muito mais tempo que qualquer outra criatura. A maioria dos seres humanos não pode sobreviver sozinha nem mesmo após atingir a idade adulta. Somos física e emocionalmente dependentes da cooperação dos outros e da parceria com os outros. A nossa própria consciência é constituída e formada em plenitude pela mediação da linguagem: palavras e estruturas gramaticais que aprendemos dos outros, que herdamos dos mortos. Da mesma forma, somos os beneficiários do trabalho duro dos nossos antepassados, que foram criando uma sociedade ordenada, capaz de proteger os direitos individuais e de criar a infraestrutura necessária para a educação e para a tecnologia. Pense nas imensas vantagens, em termos de expectativa de vida, oportunidades, saúde e riqueza, que um cidadão norte-americano ou europeu contemporâneo tem em comparação com um membro perseguido da tribo nuba ou com um brasileiro que vive em uma favela. Será que algum de nós pode se conceder o mérito dessas conquistas? Não. São presentes que recebemos. Sem eles, não teríamos o conhecimento, as habilidades, a liberdade ou a segurança física que possibilitam os nossos esforços para gerar riqueza. Duas pessoas com talentos semelhantes e com sistemas éticos de trabalho comparáveis ​​colherão frutos muito diferentes se uma delas nasceu em Nova Iorque e a outra numa comunidade aborígene da Austrália. A discrepância entre as oportunidades oferecidas a essas duas pessoas deveria nos mostrar o quanto nós devemos aos outros e quão pouco daquilo que chegamos a ser é mérito de nós próprios.

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Tags:
AbortoFilhosliberdadePolítica
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