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Papa Francisco, o “político de Deus” no encontro com Barack Obama

Gabriel Bouys/AFP

Jesús Colina - publicado em 28/03/14

O Pontífice fez 4 petições não tão diplomáticas: respeito à vida, à objeção de consciência, aos imigrantes, e solução dos conflitos internacionais

O Papa Francisco demorou mais de um ano para conceder uma audiência ao presidente da superpotência mundial, Barack Obama. Agora entendemos o motivo: o Pontífice queria que fosse um encontro autêntico, queria expor suas preocupações e as dos bispos dos Estados Unidos. E assim foi.


Implicitamente, o encontro serviu para constatar suas capacidades políticas – ou melhor, para entendermos por que, na Argentina, alguns chamavam o então cardeal Bergoglio de “político de Deus”.


Em geral, os comunicados emitidos pelo Vaticano após estes encontros são bastante diplomáticos e genéricos. No entanto, dessa vez, o comunicado foi breve, mas tratou de todas as questões que separam a Igreja Católica da administração Obama. Um comunicado pouco diplomático.

Paz e direito internacional


Em primeiro lugar, ao falar da atualidade internacional, o comunicado expressou o desejo transmitido do Papa a Obama de que, nas regiões de conflito, sejam respeitados o direito humanitário e o direito internacional, e se chegue a uma solução negociada entre as partes interessadas.


O caso mais evidente desta diferença de posições entre o Vaticano e a Casa Branca é o da Síria. O Papa Francisco foi o opositor mais convincente aos planos de intervenção bélica dos Estados Unidos. A silenciosa vigília de oração pela paz na Síria, que o Papa presidiu no Vaticano em 7 de setembro, tornou-se o ato internacional mais decisivo para evitar uma degeneração total desse conflito.


A solução negociada também foi a linha que o Papa promoveu para resolver conflitos como o da Ucrânia, e a que levará a Israel e à Palestina por ocasião da sua viagem à Terra Santa, no próximo mês de maio.

Vida, liberdade religiosa e objeção de consciência


O comunicado aborda os motivos de divergência que a Igreja vive nos Estados Unidos com Barack Obama, em particular, o exercício do direito à liberdade religiosa, à vida e à objeção de consciência.


Numerosas instituições católicas, incluindo universidades, denunciaram diante da Suprema Corte alguns aspectos da lei conhecida como Obamacare, pois ela impõe aos hospitais e planos de saúde a distribuição ou financiamento de anticoncepcionais, esterilizadores e recursos para o aborto.


Esta é uma violação da liberdade religiosa e de consciência sem precedentes na história dos Estados Unidos, que o Papa Francisco quis deixar por escrito, oferecendo, dessa maneira, um apoio valioso aos bispos dos EUA, que haviam solicitado um gesto do Pontífice.

Direitos dos imigrantes


O primeiro papa latino da história também quis falar da reforma em matéria de migração, segundo explicou a Santa Sé.


A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) se tornou uma verdadeira advogada dos direitos dos imigrantes, especialmente dos hispanos, e da reforma migratória à qual ainda se opõem grupos conservadores no senado dos EUA.


Como explica o redator da Aleteia e diretor de “El Observador”, Jaime Septién, “as pesquisas demonstram que a maioria dos americanos concordaria em gerar um caminho rumo à cidadania dos indocumentados. No entanto, a atual administração Obama já deportou cerca de dois milhões de imigrantes e refugiados, criando um problema maiúsculo nas famílias dos imigrantes e em suas comunidades, aumentando a pobreza, a mendicância e o tráfico de pessoas – muitas delas crianças abandonas por pais detidos em centros de deportação ou já deportados aos seus países de origem”.

Político de Deus


Finalmente, ao receber Obama, o Papa quis tratar o tema da erradicação do tráfico de pessoas no mundo, assunto pelo qual sente grande preocupação e no qual encontrou o apoio do presidente.


Antes de despedir-se, o Bispo de Roma entregou a Obama uma cópia da exortação apostólica “Evangelii gaudium”, o documento que expõe o programa do seu pontificado. O presidente disse que leria suas páginas em momentos de dificuldade e pediu ao Papa que rezasse por ele e sua família.


Quando se despediram, com um sorriso sóbrio, ficou bem claro por que o Papa Francisco pode passar à história como “o político de Deus”.

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