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João Paulo II: santo porque vivia de Deus

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Aleteia Brasil - publicado em 22/04/14

Entrevista com o vaticanista Gian Franco Svidercoschi

Gian Franco Svidercoschi é um jornalista, escritor e vaticanista italiano, de origem polaca. Ele foi vice-diretor do Osservatore Romano durante muitos anos e acompanhou o pontificado de João Paulo II. Colaborou com a publicação do livro: “Uma vida com Karol”, onde o secretário particular de beato, o cardeal Stanisław Dziwisz, conta algumas particularidades.

“E aquela frase que João Paulo II repetiu durante todo o seu pontificado – ‘o mundo pode mudar!’ – talvez foi a hereditariedade mais preciosa que poderia deixar aos homens no século XXI” (Gian Franco Svidercoschi em Uma vida com Karol, pag. 214.)

Em entrevista a Aleteia, Gian Franco revelou sua experiência com Wojtyla.

Graças a João Paulo II muitas pessoas se converteram e muitas mudaram de vida e também a Igreja que o senhor observa e explica há muitos anos. Quais são os aspectos da santidade de João Paulo II que ajudaram mais a Igreja a mudar?

Um pouco de tudo. A santidade que hoje vem proclamada de João Paulo II não está só em seu pontificado. Alguns depoimentos para a causa da beatificação dizem que o que o Papa fez, como evidência histórica em si, já bastava. Mas o reconhecimento é de toda uma vida evangélica exemplar. 

Don Stanislao Dziwisz disse que para ele Wojtyla era santo já desde a primeira vez que o encontrou. Ou seja, é o comportamento de um homem, a sua humanidade, um homem que vivia de Cristo, um homem de Deus que vivia de Deus. E a santidade era, segundo ele, como dizia Madre Teresa, “fazer a vontade de Deus” cada dia, e ele era assim.

“Se sereis aquilo que deveis ser, colocareis fogo no mundo”. Assim dizia aos jovens em Tor Vergata em 2000. O que provocou João Paulo II, que está trazendo fruto aos jovens?

Ele acreditava nos jovens, e disse isso desde o primeiro dia. No início de seu pontificado disse a pastoral da juventude “eu acredito nos jovens, vocês são o meu futuro e o da Igreja”. Acreditava nos jovens como uma parte importante da sociedade, e não simplesmente um período para chegar a idade adulta. Eles são, com seus problemas e situações, uma parte da sociedade. Mas sobretudo penso que ele os tenha intrigado de alguma forma. Naquele tempo os jovens eram aqueles que estavam longe da Igreja, eram uma das tantas verdades que foram, em seguida, as despesas do mundo, além da crença de que a Europa não era mais unida, e que a religião estava confiada às consciências. Ele soube aproximar os jovens à Igreja, integrá-los de novo, pelo menos a um discurso espiritual e religioso. Nunca fez discursos bonzinhos, pelo contrário, dizia: “deveis ser santos, deveis ir contra os modos culturais”, e os jovens começaram a segui-lo. Talvez inicialmente porque faziam grupo, mas depois porque ouviam, daquele Papa, palavras que não ouviam mais de ninguém, nem da família, nem na escola e talvez nem mesmo da Igreja. 

O senhor o viu de perto: qual é a imagem, a palavra que se lembra e que descreve mais a santidade de João Paulo II?

A maneira como ele rezava. Conto sempre que quando eu era vice-diretor do Osservatore Romano, uma vez fui junto ao diretor jantar com ele. Naquela noite encontraram o corpo do pobre padre Popieluszko, um capelão de Solidarnosc, que foi assassinado pelo serviço secreto polaco, e seu corpo encontrado três semanas após sua morte. No momento do jantar, apenas ficou sabendo da notícia, João Paulo II disse “vamos à capela”. Fomos e começamos a rezar. Quando abri o olho vi o Papa e como rezava, bastava estar com Deus. Era verdadeiramente fantástico vê-lo rezar. Uma vez estava à mesa, contou o Cardial Ruini, recebeu um telefonema do Bush e disse “desculpe-me, um minuto, vou rezar”. Quando encontrou Gorbaciov, o chefe do império soviético, aquele que foi inimigo, ele o esperou rezando durante a noite toda. É preciso começar pela oração para entender João Paulo II e para entender sua santidade

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