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Wojtyla: Um homem são

©gales_lau
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Se há uma herança de João Paulo II para o mundo do século XXI, certamente é sua convicção em salvar o homem da opressão

A saúde mental está em realizar-se como pessoa individualmente, independente da realização alheia? Sanidade é um sinônimo de individualidade? Os jovens ricos que se tornaram celebridades na mídia mundial são uma referência de felicidade para as gerações que partilham esta contemporaneidade histórica? A pequenina cidade de Wadovice, na Polônia, parece ter presenteado o mundo com um jovem robusto e alegre, um desportista que amava a arte e a vida e tinha tudo para ser uma celebridade que acumularia riquezas para si mesmo e que tornou-se o homem que enfrentaria todas as formas de totalitarismo como nenhum outro no século XX e passaria toda sua existência defendendo seus ideias para o bem comum.
 
No início de seu pontificado, Karol Wojtyla já dedicou várias de suas audiências para falar sobre o que ele chamaria de Teologia do Corpo, suas reflexões eram claras na sua busca pela compreensão dos dizeres bíblicos em comunhão com seus conhecimentos da psicologia humana. Reiterou várias vezes que a sociedade deveria falar sobre a sexualidade e o valor da família. Embora muitos poderiam considerá-lo um homem obsessivo, não apresentava uma visão reducionista da vida humana que buscasse colocar peso sobre os ombros dos crentes de seu tempo. Ao contrário, apoiou os movimentos de libertação de muitos países que viviam sob o julgo do comunismo e foi considerado uma das figuras que mais trabalhou para a queda do muro de Berlim.
 
Na América Latina, os defensores da Teologia da Libertação não demonstravam afeto por suas atitudes, contudo, embora fosse um libertador da opressão humana, tinha muita clareza sobre a necessária identidade da Igreja de levar o homem ao contato com Deus, de proporcionar ao homem o ambiente propício para a experiência do transcendente.
 
Em seu funeral, em abril de 2005, havia tantos chefes de Estado reunidos em Roma e tantos líderes de diferentes religiões que, de alguma forma, refletiam o valor de sua existência para toda a humanidade no século que passou.
 
Wojtyla falou sobre sexo e sobre Deus, falou sobre política e diplomacia, anunciou o Evangelho nos meios de comunicação como nenhum havia feito, foi baleado e renunciou a possibilidade de aposentar-se, sofreu o peso do Parkinson, das traições, das críticas severas, das perseguições e do cansaço físico. Nas oportunidades que teve para falar aos líderes mundiais na ONU ou em outros encontros não abriu mão jamais de seus ideais e, ao contrário, exortava como um pai obstinado a defender a vida de seus filhos onde quer que estivessem.
 
Hoje, a Igreja exalta Karol Wojtyla como um Santo, responde ao clamor daquelas centenas de milhares de pessoas que em seu funeral gritavam: “Santo súbito!.
 
Certa vez, durante uma aula de psicodiagnóstico, uma professora doutora em psiquiatria nos fazia refletir sobre a notícia de um homem que havia ateado fogo ao corpo e corria pelas ruas de um país comunista, em um ato desesperado pela liberdade. Enquanto os noticiários o apresentavam como um louco, ela nos dizia que louco era quem morria sem saber para que havia vivido e que, de algum modo, aquele homem sabia porque e para que estava morrendo. Se há uma herança de Wojtyla para o mundo do século XXI, certamente é sua convicção em salvar o homem da opressão física, psíquica e espiritual e, ainda mais, apresentá-lo ao sentido último da vida que não lhe cerceia da possibilidade de acreditar, de ter esperança, de buscar com todas as suas forças construir aquilo que chamava em seus contínuos anúncios de a Civilização do Amor! 
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