Aleteia

“Planeta dos Macacos – O Confronto”: quando a inteligência precisa encarar o livre arbítrio

Chernin Entertainment
Compartilhar

O que aconteceria se, de repente, os macacos se vissem dotados da mesma autoconsciência dos seres humanos?

Talvez você já tenha ouvido falar de Koko. Ela é uma adorável gorila de 43 anos de idade. Seus treinadores garantem que ela aprendeu a entender e a se comunicar com os humanos mediante a linguagem americana de sinais. É claro que, na comunidade científica, existem céticos que questionam o quanto Koko realmente entende os gestos que faz, já que as suas ações poderiam ser resultado apenas de condicionamento, não de verdadeira compreensão.
 
Independentemente de qual lado esteja certo, o fato é que, quando Koko quer um pouco de atenção, ela faz gestos em vez de arremessar o seu cocô. Este, sem dúvida, é um passo à frente na comunicação entre espécies.
 
Uma das conversas mais interessantes mantidas entre seres humanos e Koko foi documentada no livro “Inside the Animal Mind: A Groundbreaking Exploration of Animal Intelligence”, de George Page [Por dentro da mente animal: uma inovadora investigação da inteligência animal]. Quando perguntada por que os gorilas morrem, Koko gesticulou: "Problemas. Velhos". E quando perguntada para onde os gorilas vão quando morrem, ela respondeu: "Buraco confortável. Tchau". Faça com esta resposta o que você bem entender.
 
Algo importante a notar é que a pergunta foi feita para a gorila, não pela gorila. Jamais houve caso documentado algum, que eu saiba, de qualquer animal que tenha perguntado a um ser humano "Por que estou aqui, o que acontece depois que eu morro, o que significa tudo isso?". Estas são questões que simplesmente não ocupam a mente de um animal. Não me interprete mal: não estou menosprezando a capacidade da Koko de pedir uma banana quando ela quer, mas é bom mantermos as coisas dentro da sua real perspectiva.
 
O que aconteceria se os macacos pudessem ter esse tipo de introspecção? Se, de repente, eles se vissem dotados da mesma inteligência e autoconsciência dos seres humanos? Que tipo de criaturas eles se tornariam?
 
Pois bem, estas são algumas das perguntas propostas pelos realizadores de “Dawn of the Planet of the Apes” [Planeta dos Macacos – O Confronto], a continuação do filme surpreendentemente bom “Rise of the Planet of the Apes” [Planeta dos Macacos – A Origem], que retomou, em 2011, a série quase cinquentenária. E eles não apenas fazem as perguntas, como tentam respondê-las de forma inteligente e séria.
 
O novo filme começa cerca de dez anos depois dos eventos retratados em “Planeta dos Macacos – A Origem”. A praga incurável agora chamada de "febre símia" devastou o mundo, reduzindo os remanescentes da população humana a um bando assustado que rouba para sobreviver, em cidades arruinadas e impotentes. Já os macacos geneticamente alterados estão prosperando. Eles estabeleceram uma cidade própria nas florestas dos arredores de San Francisco, chegaram a milhares de indivíduos e vivem uma existência relativamente pacífica, sob o governo do sábio e compassivo chimpanzé César.
 
Mas nem tudo é felicidade. Não demora muito para percebermos que, além da inteligência semelhante à humana, os macacos também têm agora problemas semelhantes aos nossos. Junto com as dificuldades de estabelecer uma nova lei símia (começando, é claro, por "macaco não mata macaco"), César tem que lidar com um filho adolescente rebelde e ressentido. Olhos Azuis, ao que parece, prefere a perspectiva bestial de Koba, que odeia os humanos, à visão mais ponderada e reservada do seu pai.
 
Essas tensões tribais vêm à tona quando um pequeno bando de humanos, liderado pelo pacífico Malcolm, invade o território dos macacos na esperança de reparar uma usina hidrelétrica das proximidades e restaurar a energia em partes de San Francisco. Infelizmente, depois que um dos humanos entra em pânico e atira num jovem chimpanzé, César ordena que os homens retornem à sua cidade e nunca mais voltem. Temendo que o desespero dos humanos acabe por fazê-los tentar uma nova incursão, e incentivado por Koba a realizar uma demonstração de força, César marcha com o seu exército rumo a San Francisco para mostrar aos humanos o que eles terão de enfrentar se desobedecerem às suas diretrizes.
Boletim
Receba Aleteia todo dia