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Por que não há mulheres sacerdotes na Igreja Católica?

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Mons. Jacques Perrier - publicado em 16/07/14

Não é uma questão disciplinar ou de direito, mas da própria natureza do sacramento da Ordem: o sacerdote representa Cristo, esposo da Igreja

Esta não se trata de uma questão de disciplina ou de direito. Se fosse, a regra poderia ser revisada.

1) As mulheres desempenharam uma grande função no Novo Testamento e em toda a história da Igreja. No entanto, nenhuma foi ordenada sacerdote.

As mulheres compõem o entorno de Jesus. Marta e Maria são propostas como exemplos: uma é modelo de escuta, a outra de fé na ressurreição. São precisamente as mulheres as primeiras beneficiárias de uma aparição do Ressuscitado. A elas é encarregada a missão: “Ide, dizei aos discípulos e a Pedro…”. Igualmente, entre os colaboradores de Paulo são nomeadas várias mulheres.

Na história da Igreja, certamente as mulheres desempenharam funções importantes de diversos tipos: Santa Blandina e inumeráveis mártires femininas; Santa Genoveva, padroeira de Paris; Santa Joana D’Arc, que libertou a França; Santa Catarina de Sena, que não duvidou em recordar aos pais os seus deveres; Santa Teresa D’Ávila, reformadora do Carmelo; Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões, “a maior santa dos tempos modernos”, segundo Pio X; a beata Teresa de Calcutá, a quem João Paulo II tanto admirava…

Mas elas poderiam ser ordenadas diaconisas? A questão é discutida, mas seria difícil apoiar-se na Escritura e na Tradição da Igreja para introduzir esta novidade; o que é certo é que nunca houve uma sacerdotisa.

2) O ponto crucial da questão não é a distribuição de funções sociais, mas o significado do sacramento da Ordem. O sacerdote não é um animador da comunidade, mas o representante de Cristo, Esposo da Igreja.

Se se tratasse unicamente de funções sociais, a Igreja Católica deveria seguir a evolução da sociedade, especialmente a partir de um século atrás para cá. Não teria deixado de seguir nesta direção, porque na verdade a antecipou, tendo em vista que já faz muito tempo que religiosas dirigem escolas e hospitais, são abadessas ou prioras.

Mas na fé católica, assim como para os ortodoxos, o sacerdote não é definido em primeiro lugar por aquilo que ele faz. Diz-se que ele atua in persona Christi. É Cristo quem atua através dele.

Na ordenação, ele recebe o Espírito de Cristo para representá-lo, de maneira suprema quando celebra a Eucaristia e diz “isto é o meu corpo” ou no sacramento da reconciliação, quando diz “eu te absolvo dos teus pecados”.

Na Bíblia, Jesus se apresenta como Esposo da Igreja. Isso já é uma constante no Antigo Testamento: a aliança entre Deus e seu Povo é uma aliança de amor, uma aliança conjugal, com seus deveres e suas reconciliações. Em Jesus, Deus se fez homem, esta aliança se faz irrevogavelmente.

Não por acaso o primeiro sinal dado por Jesus, no Evangelho de João, situa-se durante uma festa de casamento, em Caná. Várias passagens dos Evangelhos falam de bodas em que Jesus é o Esposo. Ele mesmo se chama assim (Mateus 9, 15).

Falando do casamento cristão, Paulo vê nele uma imagem da relação entre Cristo e a Igreja. Dirigindo-se aos homens, o apóstolo lhes pede: “amai as vossas mulheres como Cristo amou a Igreja”. Depois de recordar a palavra do Gênesis sobre o casal humano, Paulo conclui: “grande mistério é este, digo-o a respeito de Cristo e da Igreja (Efésios 5, 25-32).

Esta revelação é um tema inevitável. O Catecismo da Igreja Católica diz, sobre essa questão, que “a Igreja se reconhece vinculada” (n. 1577). Uma nação pode mudar a sua Constituição. Não acontece o mesmo com a Igreja: sempre se entrará nela pelo Batismo da água e do Espírito: sempre se rezará o Pai Nosso e nenhum papa inventará novos livros inspirados.

3) Outra coisa é a definição de pastor entre os protestantes ou os evangélicos. É normal que, entre eles, a função se abra tanto às mulheres como aos homens.

A Reforma protestante não reconhece a ordenação de bispos, sacerdotes e diáconos como um sacramento. Para eles, só existe o sacerdócio comum a todos os cristãos, com base no seu batismo. Trata-se só, em consequência disso, de uma distribuição de tarefas segundo os talentos de cada um e as necessidades da comunidade.

Entre as funções, a de pastor é importante. Requer uma formação apropriada e está acompanhada por uma bênção. Mas o pastor recebe sua missão do “conselho presbiteral”, quer dizer, dos fiéis.

O pastor não está investido, portanto, do simbolismo conjugal, com o qual o sacerdote representa Cristo Esposo da Igreja. A partir dessa perspectiva, seria absurdo negar às mulheres a possibilidade de ser pastoras. Igualmente absurdo seria, na Igreja Católica, negar que as mulheres sejam catequistas, diretoras de colégio ou professoras de teologia.

Há que entender bem a questão referente à disciplina eclesiástica. É uma questão fundamental sobre os ministérios na Igreja e sobre o que Cristo quis ao instituir os apóstolos e prometer que estaria com eles até o fim do mundo.

4) O tema da ordenação de mulheres é especialmente motivado hoje, diante das tentativas de confundir os sexos em um só gênero.

Nossa época tende a uniformizar as funções sociais, sem distinção de sexo. Esse é o princípio de paridade. Mas algumas correntes da cultura atual vão muito além disso, negando toda especificidade masculina ou feminina, inclusive biológica, fundindo um e outro em um único gênero e instituindo a equivalência entre as uniões homossexuais e as heterossexuais.

A partir dessas perspectivas, negar a ordenação a uma pessoa pertencente ao “gênero” humano será tratado rapidamente como um crime e pode-se esperar que algum dia a Igreja Católica seja levada a algum tribunal por suposta discriminação.

A Igreja Católica crê, ao contrário, que a distinção de masculino e feminino é um tema estrutural, vital, cheio de sentido para toda a humanidade. Por isso, recorda incansavelmente o versículo do Gênesis, que não concerne apenas aos judeus ou aos cristãos, mas a toda humanidade: “Homem e mulher os criou”.

Suprimindo o simbolismo conjugal vinculado ao ministério do sacerdote, a Igreja Católica endossaria uma ideologia ruinosa para a humanidade. Ela não fará isso.

5) A situação das mulheres na Igreja está destinada a evoluir.

É satisfatória a situação atual das mulheres na Igreja Católica? A maioria responderia que não.

Elas exercem responsabilidades reais, nas paróquias, nas dioceses, incluindo funções antes consideradas como masculinas, como as finanças e a gestão. Mas têm a impressão de enfrentar o autoritarismo dos padres.

Há ainda portanto muito caminho a se percorrer para descobrir uma verdadeira complementaridade. João Paulo II escreveu muito sobre esse tema, em particular na encíclica “A dignidade da mulher”. A sociedade civil não é um modelo neste sentido. Há muito tempo, ouve-se dizer que as mulheres fariam as coisas de outro modo. Mas isso ainda não se realizou.

A passagem da carta aos Efésios sobre o matrimônio começa com estas palavras: “Sede submissos uns aos outros”. O próprio Filho de Deus não reivindicou nada (Filipenses 2, 6). Mas a Igreja Católica faria um grande serviço à sociedade se mostrasse como a aceitação das diferenças pede humildade, mas traz alegria.

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