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Manifestação pró-palestinos acompanhada por forte esquema de segurança em Paris

<p>Manifestantes participam de ato pró-Palestina em Paris, em 23 de julho de 2014</p>

Agências de Notícias - publicado em 24/07/14

Somente a França proibiu manifestações de apoio aos palestinos em Gaza, em uma medida sem precedentes no continente

Mais de 14.000 manifestantes pró-Palestina participaram nesta quarta-feira de uma passeata em Paris, realizada sob rigorosa vigilância policial, dias depois de distúrbios e atos antissemitas registrados em outros protestos.

Além de Paris, também foram realizadas manifestações em Lyon (leste), Toulouse (sul) e Lille (norte), convocadas por partidos de esquerda, associações de defesa dos direitos humanos e organizações pró-palestinas. O objetivo foi pedir o fim imediato dos bombardeios em Gaza e sanções contra Israel por desrespeito ao direito internacional.

Na capital francesa, os organizadores estimaram em 25.000 o número de participantes na passeata, enquanto a polícia indicou 14.500 presentes.

Alguns manifestantes levavam a bandeira palestina, outros usavam o tradicional keffieh – vestimenta associada ao movimento palestino – e alguns exibiam cartazes indicando "Boicotem Israel!".

Samira Cheblal, funcionária do área de saúde, declarou que estava participando para dizer "basta à matança de crianças e civis".

Várias personalidades políticas também participaram da marcha, entre elas a ex-ministra do Meio Ambiente Dominique Voynet, o líder do Partido de Esquerda e ex-candidato a presidente Jean-Luc Mélenchon e deputados socialistas.

– Protestos violentos –

No início da noite, no bairro de Marais, 16 pessoas foram detidas por proferir insultos antissemitas na entrada de um restaurante da Rue del Rosiers, coração do bairro judeu, indicou uma fonte policial.

Os detidos gritavam "Morte aos judeus" e "Israel assassino" e jovens judeus evitaram que um restaurante fosse invadido antes da chegada da polícia, contou à AFP uma testemunha que não quis ser identificada.

Ao contrário de outros países da Europa, nos quais as manifestações em prol dos palestinos reúnem milhares de pessoas sem provocar polêmicas, na França a oposição à ofensiva israelense deu lugar a um controverso aumento do antissemitismo.

Somente a França proibiu manifestações de apoio aos palestinos em Gaza, em uma medida sem precedentes no continente. O presidente François Hollande, criticado pela esquerda por sua política considerada muito pró-Israel, justificou a proibição pelo temor de "perturbação da ordem pública" e para impedir atos antissemitas na ruas de Paris.

No domingo, milhares de manifestantes atenderam à convocação de um partido de esquerda e de grupos pró-palestinos. Mas as provocações de alguns manifestantes contra a polícia foram suficientes para causar confrontos. No total, dezessete integrantes das forças anti-distúrbios ficaram feridos e 44 pessoas foram detidas.

Quatro jovens foram condenados na terça-feira a penas de três a seis meses de prisão por terem participado de uma manifestação violenta no domingo, na cidade de Sarcelles. O tribunal de Paris colocou em liberdade condicional oito participantes do protesto de sábado na capital.

A autorização da marcha desta quarta foi classificada de "justa vitória da democracia e da liberdade de expressão" por um de seus organizadores, Taufiq Tahani, da Associação de Solidariedade França e Palestina (AFPS). A organização faz parte de um coletivo nacional que pede paz justa e duradoura entre israelenses e palestinos.

O primeiro-ministro, Manuel Valls, justificou a autorização explicando que o percurso da passeata "foi discutido e os organizadores deram garantias de segurança".

Já o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, afirmou que qualquer pessoa que gritar "morte ao judeus" – frase punida penalmente no país – será detida e processada.

Desde o começo da revolta generalizada dos palestinos contra Israel – a Segunda Intifada -, em 2000, o conflito entre palestinos e israelenses passou a ter fortes repercussões na França, país que tem as maiores comunidades judaica (500.000 pessoas) e muçulmana (entre 3,5 e 5 milhões) da Europa.

(AFP)

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