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“Persecuted”: novo filme sobre a perseguição contra os cristãos é detonado pela crítica

Persecuted Image Courtesy of One Media LLC – pt

Image Courtesy of One Media LLC

David Ives - publicado em 25/07/14

A temática é muito relevante, mas a produção, infelizmente, é mesmo de segunda categoria

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Um filme tem que ser muito “especial” para conseguir 0% de resenhas positivas no site Rotten Tomatoes. Trata-se de um site que reúne avaliações críticas e que pode ser bem ácido com o cinema. Só nas últimas semanas, grandes lançamentos foram bombardeados. “Tammy” só conseguiu 23% de aprovação. “Sex Tape”, com Cameron Diaz, 20%. O monstruosamente bem-sucedido “Transformers: A Era da Extinção” obteve o raquítico índice de 17% de críticas favoráveis.

Mas uma classificação de 0%?!

“Persecuted” [“Perseguidos”] é um novo filme baseado em temáticas da fé. Ele apresenta um cenário de ameaça à liberdade religiosa nos EUA. O longa-metragem chegou aos cinemas na semana passada e já se juntou à turma dos filmes considerados horríveis o suficiente para conquistarem 0% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Mas o que lhe valeu tão desonrosa distinção?

Sejamos honestos: a qualidade do filme em si é realmente baixa. A história é escrita e dirigida por David Lusko, cujo único longa-metragem de ficção até agora era o desastroso “500 MPH Storm”, lançado diretamente para vídeo e produzido pela The Asylum. Se você não sabe o que é The Asylum, trata-se das mesmas pessoas que nos presentearam filmes como “Sharknado” e “Mega Python versus Gatoroid”, o que deve dar uma ideia do nível artístico de “Persecuted”. Em suma, trata-se, de cabo a rabo, de um filme B de baixo orçamento.
Mesmo assim, não é suficiente para justificar aquele 0%.

Talvez seja culpa da própria história. O enredo é simples: em algum momento do futuro próximo, o governo dos Estados Unidos quer aprovar uma lei que restringe a liberdade de expressão religiosa. A proposta é veementemente contestada por um pregador evangélico da TV, chamado John Luther. Temendo que o projeto de lei não vá para frente sem o apoio de Luther, o senador Donald Harrison dá um jeito de conseguir a prisão do pregador por estupro e assassinato de uma jovem prostituta. No resto do filme, Luther foge das autoridades e tenta provar a sua inocência, ajudado pelo pai, que é um padre católico que não sabia que tinha tido o filho, fruto de um relacionamento anterior à sua ordenação sacerdotal. Basicamente, é “O Fugitivo” com umas pitadas novas de política e cristianismo.

A honestidade nos exige reconhecer os problemas óbvios do roteiro e do texto. Para começar, o próprio nome de John Luther. É como fazer um filme sobre um presidente fictício e batizá-lo de Abraham Washington. É bobo. Depois, há o fato de que Luther está sendo caçado por todo o país, mas ele entra e sai de inúmeros lugares bastante à vontade. E o que dizer dessa história de que um único pastor protestante tem tanta influência a ponto de que a promulgação de uma lei federal dependa dele? Por fim, por que cargas d’água Luther e uns poucos padres católicos seriam as únicas pessoas do país a se incomodarem com uma lei que limita a liberdade religiosa? Cadê todos os outros cristãos, judeus, muçulmanos e fiéis de quaisquer outras religiões?

O mais ridículo de tudo, no entanto, talvez seja a própria proposta de lei que impulsiona a história. Chamada de "Lei da Fé", a proposta exige que todas as instituições religiosas do país se abstenham de criticar as outras religiões. Também exige que cada religião ceda o próprio púlpito para que representantes de outras religiões se manifestem, de modo que os fiéis ouçam todos os lados de qualquer determinado assunto. Essa nova lei de pluralismo religioso obrigatório teria a finalidade de acabar magicamente com o terrorismo em todo o planeta. Por mais que os líderes políticos que elegemos sejam capazes de grandes idiotices, é muito difícil imaginar que um projeto desse tipo possa mesmo ver a luz do dia.

Mas nem mesmo esse texto questionável e esse cenário implausível parecem suficientes para justificar os 0% do Rotten Tomatoes.

Tem que haver algo mais que tenha selado o triste destino de “Persecuted” aos olhos dos críticos norte-americanos. Como é que eu sei disso?

Bem, vamos comparar “Persecuted” com outro glorificado filme B lançado no último fim de semana, “The Purge: Anarchy”.

Situado no também distópico futuro próximo de 2023, “The Purge: Anarchy” especula o que aconteceria se o governo legalizasse todos os crimes de qualquer natureza durante uma única noite por ano, com base na suposição de que isto reduziria a atividade criminosa nos restantes 364 dias e meio.

É uma ideia interessante. O problema é que, assim que você começa a pensar mais a sério nesta premissa, você percebe o quanto ela é simplesmente ridícula. Como poderia ser remotamente possível que, em menos de uma década, o país inteiro se submetesse voluntariamente a uma lei desse naipe? Por que essa noite de criminalidade liberada diminuiria os crimes nos outros dias? Será que todo mundo ficaria pacientemente esperando pela noite do crime livre para poder estuprar, roubar, dirigir embriagado e sonegar impostos? Nada disso faz o menor sentido.

Mas “The Purge: Anarchy” obteve um índice de aprovação de 54% no Rotten Tomatoes.

Parte da razão, sem dúvida, é que os filmes da série “The Purge” contêm um belo quinhão de carnificina sangrenta, e uma igualmente bela percentagem de espectadores vai responder a esse tipo de coisa sem importar o quanto o resto do filme é ruim. Mas a principal diferença entre os dois filmes está na filosofia por trás das premissas centrais.

Histórias distópicas como “The Purge” e “Persecuted” não pretendem prever com precisão o futuro, mas examinar os medos e preocupações sobre tendências que os autores acreditam que estão acontecendo no presente. No caso de “The Purge”, os cineastas dificilmente acreditariam que uma lei dessas pudesse mesmo ser promulgada. O que a história pretende, mais provavelmente, é manifestar a percepção dos realizadores de que os ricos e poderosos de hoje fazem o que bem entendem com os pobres e o governo os ajuda a agir assim. Se o público é capaz de pescar esta mensagem política, isto basta para que os cineastas não fiquem muito preocupados com a lógica da distopia apresentada.

O mesmo vale para a distopia de “Persecuted”. É altamente improvável que os criadores do filme acreditem na possibilidade de promulgação da tal "Lei da Fé". Mas eles enxergam correntes perturbadoras na atual arena política da vida real. Em entrevista concedida ao Hollywood Reporter, o ex-senador norte-americano Fred Thompson, que interpreta o sacerdote mais velho do filme, afirma: "Isto não é um documentário, mas nos lembra que temos que ficar de olho, porque um governo forte e centralizado pode representar o maior dos desafios para os direitos constitucionais das pessoas". A preocupação central, em suma, é a crença dos realizadores de que os cristãos nos Estados Unidos estão tendo os seus direitos constitucionais pouco a pouco surrupiados pelo próprio governo.

E essa ideia parece não comover uma boa parte dos críticos de cinema. “Ridículo”, sentencia Justin Chang, da Variety. “‘Persecuted’ desperdiça o talento do elenco com uma premissa bizarra”, dispara Frank Scheck, do Hollywood Reporter. “O filme não adoça os aspectos mais odiosos da cosmovisão cristã fundamentalista”, opina Tomas Hachard, do Slant. “Essa tentativa terrível de fazer um thriller político sobre os direitos religiosos não se destina aos cristãos em geral, mas a uma determinada porção deles que acha que o resto do mundo está envolvido numa conspiração gigantesca contra a sua interpretação do bem e da verdade”, troveja Neil Genzlinger, do New York Times. E assim por diante.




Aparentemente, pode-se produzir um filme distópico de baixa qualidade com uma premissa ridícula como “The Purge: Anarchy” e, mesmo assim, a metade dos críticos do país vai dar a ele um voto de confiança; afinal, a sua filosofia do tipo “Ocupy Wall Street” está em consonância com as inclinações políticas deles próprios.

Já “Persecuted” comete o singular erro de abordar a preocupação dos cristãos com a liberdade de expressão, o que é um pecado imperdoável aos olhos de uma mídia que tantas vezes rotula qualquer expressão de crença ortodoxa como extremismo religioso.

O ruim é que “Persecuted” é realmente um fracasso artístico. Isso dá munição aos preconceitos dos seus críticos. É uma pena, porque, enquanto isso, o presidente Obama decidiu proibir contratos federais com qualquer grupo que não queira contratar funcionários abertamente gays; o Supremo Tribunal do Estado de Louisiana deve tentar, em breve, pressionar um padre católico a quebrar o sigilo da confissão; esses fatos não escancaram o mesmo nível de perseguição religiosa que está sendo cometida contra os cristãos de Mossul, no Iraque, mas já servem para mostrar que as preocupações com a erosão da liberdade religiosa nos Estados Unidos, manifestadas em “Persecuted”, são bem reais.

Ah, se conseguíssemos fazer um filme que transmitisse esta mensagem e também tivesse qualidade artística…

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