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James Foley, executado pelo jihadistas do Estado Islâmico: "um homem para os outros"

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John Burger - publicado em 24/08/14

Professor do jornalista afirma que ele era movido pelo desejo de denunciar e corrigir as injustiças no mundo

Os sequestradores do grupo extremista Estado Islâmico (EI), responsáveis pela hedionda decapitação do jornalista norte-americano James Foley, o viam como um peão político em seu insano tabuleiro de xadrez.

Mas Bill Thorn o via como um "homem para os outros".

Bill Thorn é professor de Jornalismo na Universidade jesuíta de Marquette, nos Estados Unidos, onde Foley tinha estudado.

James Foley trabalhou no Iraque e no Afeganistão como freelancer para grandes empresas de mídia como a Agence France-Press e a GlobalPost. Ele já tinha sido capturado uma vez, na Líbia, em 2011. De acordo com o jornal USA Today, Foley tinha ficado detido durante 44 dias por um grupo leal ao ditador Muamar Kadafi. Milagrosamente, acabou sendo liberado com vida.

Desta vez, porém, feito refém na Síria, Foley não pôde mais voltar para casa.

O Estado Islâmico não apenas assassinou o jornalista em algum lugar remoto do país assolado por uma guerra devastadora: os assassinos ainda filmaram a execução e tentaram transformá-la num vídeo viral na internet.

"Depois que foi solto da prisão na Líbia, ele veio até a universidade para conversar com os alunos", contou Thorn em entrevista por telefone. "Falou da importância do jornalismo e de encarar os tipos de pobreza e de tragédias que os seres humanos estavam sofrendo na Líbia, porque ele documentou tudo aquilo. E provavelmente foi por isso que ele foi preso".

A missão de James Foley como repórter nasceu na Universidade de Marquette, onde ele tinha se formado em História e em Espanhol, mas também fez um curso de Jornalismo.

"Ele começou a se envolver nas atividades de justiça social que os alunos promovem aqui e que nós incentivamos", lembrou o professor. "Ele disse que não sabia o quanto a vida dele era privilegiada até começar a trabalhar com os pobres, a ponto de sentir que nunca tinha percebido toda uma parte do mundo. Ele achava necessário corrigir aquilo. Era isso o que o motivava".

Thorn explicou que a Universidade de Marquette mantém diversos programas em que os alunos podem pôr a caridade cristã em prática, tais como ensinar os filhos de imigrantes a ler ou servir refeições a pessoas carentes. "Isso faz parte do impulso jesuíta de ser ‘um homem para os outros’".

O professor lembrou também que Foley tinha trabalhado como voluntário na reserva indígena norte-americana de Rosebud, onde os jesuítas têm grande presença. Foley "queria chegar até as pessoas que sofrem e contar a história delas, na esperança de mudar as coisas".

Quando voltou ao campus em 2011, depois do cativeiro líbio, o jovem relatou que tinha descoberto na prisão o valor da oração do rosário. "Ele encontrou grande consolação no terço", relata Thorn, "e dizia o seguinte: ‘Eu me tornei um homem de oração quando estive preso’".

Na esteira do abominável assassinato perpetrado e divulgado nesta semana, um sacerdote católico de Rochester, no Estado de New Hampshire, visitou a família Foley. O pe. Paul Gousse, da igreja de Nossa Senhora do Santo Rosário, não quis falar com os repórteres depois de visitar os pais de James, que são paroquianos ativos. A mãe do jornalista, Diane Foley, postou uma mensagem no Facebook pedindo que os sequestradores islâmicos poupem a vida de outro refém. E acrescentou: "Agradecemos a Jim [James] por toda a alegria que ele nos deu".

Diane contou ainda que está orando pelos outros reféns do grupo terrorista sunita e descreveu o assassinato do filho como "mal puro", conforme noticiado pela Associated Press.

James Foley, de 40 anos, foi capturado por forças do Estado Islâmico na Síria em novembro passado. O professor Bill Thorn define a execução do jornalista como "uma extorsão internacional": os assassinos sabiam que matar um jornalista é uma forma infalível de atrair muita atenção da mídia mundial.

"O campus está de luto", conta. Uma cerimônia religiosa em memória de James Foley está marcada para esta próxima terça-feira. 

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