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Entendendo a atual crise da família

Emiliano

Cimitero monumentale, Pisa, Italy.

Enrique Chuvieco - publicado em 05/09/14


Já como verdade humana, está cheia da transcendência de Deus, que une profundamente as pessoas em laços de amor. Dessa maneira, o matrimônio é exemplo e fundamento das relações humanas, como recorda o Papa Francisco na Lumen Fidei, de tal maneira que é reconhecido como um bem comum da sociedade de máxima relevância.

Dentro da Igreja, alguns prelados e religiosos se manifestaram favoráveis a dar a comunhão aos divorciados novamente casados? Sua posição pode variar, neste sentido?

Em grande medida, estas opiniões procedem de lugares onde se estava vivendo uma práxis neste sentido, contra as indicações explícitas da Santa Sé. Na perspectiva do sínodo, alguns quiseram apresentar esta prática como uma questão meramente pastoral de tolerância diante de uma situação irreversível. Por isso mesmo, na maneira de expor esta proposta, vemos graves carências no que diz respeito à parte doutrinal, que fica comprometida nesta forma de proceder.

Certamente, é falso pensar que se pode dar qualquer tipo de mudança em questões que afetam a doutrina cristã e se está criando, por parte da mídia e de algumas pessoas com interesses particulares, uma expectativa nesta direção, mas precisa ser contestada. Já João Paulo II declarou que era doutrina irreformável a impossibilidade de dissolver um matrimônio consumado.

O próximo sínodo da família vai discutir este tema?

Segundo aparece nos Lineamenta, este é um dos temas de discussão do sínodo. Mais ainda: apresenta-se uma lista das diversas propostas que foram feiras na linha da admissão da comunhão eucarística em determinadas circunstâncias, aos divorciados novamente casados.

Isso pode dar a impressão de ser um tema aberto dentro de uma abordagem de assembleia. Não se deixa claro em que medida as questões doutrinais implicadas em tais propostas precisam ser levadas em consideração de maneira prévia a qualquer discussão. Transmite-se, assim, uma mensagem fundamentalmente confusa com relação a esta questão.

Pelo menos, não aparece como o único nem o principal dos temas, ao contrário do que se desprendida da relação do cardeal Kasper. Inclusive se afirma que não é, na atualidade, o maior dos problemas da pastoral familiar, pois o mais grave e significativo é o fato de que um número muito alto de pessoas se une sem vínculo algum.

O que os católicos podem esperar deste sínodo para os próximos anos?

Mais que esperar de um sínodo, devemos acompanhar o sínodo, pois somos convidados com ele a uma reflexão que diz respeito a toda a Igreja, e a ter as iniciativas ao nosso alcance para entrar de cheio na pastoral da família a partir da perspectiva da nova evangelização. Isso sim é uma tarefa fascinante e construtiva, ainda que também envolva muitas dificuldades.

A seu ver, em que área do mundo a família católica goza de melhor saúde?

É preciso fazer um primeiro esclarecimento a esta pergunta: a crise atual da família é uma crise da família burguesa, uma família fechada em si mesma e que busca sobretudo o bem-estar dos seus membros e, no entanto, não percebe a grandeza da missão que Deus lhe confia.

Por isso, a família cristã é a grande solução para esta crise. Onde há família cristã, a família goza de boa saúde. No entanto, onde as famílias de cristãos estão longe de viver tal missão, os problemas sempre crescem.

É importante, por isso, ter uma visão global da família nas diferentes culturas, e evitar concentrar-se somente na cultura ocidental, na qual a crise anterior é vivida com especial intensidade, enquanto a situação em lugares como Índia, Filipinas ou Coreia, é tudo muito diferente.

Em cada lugar, o evangelho da família ilumina um caminho específico, que sempre será de levar a cabo um profundo impulso evangelizador, ao qual nos convida com tanto ímpeto o Papa Francisco.

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Tags:
FamíliaIgrejaPapa Francisco
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