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Por que eu escolhi viver uma vida “off-line”?

Esther Vargas

Jim Schroeder - publicado em 10/09/14

Talvez você também se interesse por uma vida menos excessivamente “online”

Meus queridos amigos,

A maioria de vocês bem sabe que eu não uso telefone celular. O celular da minha esposa, que eu uso de vez em quando, não tem acesso à internet. Nós não temos perfil no Facebook. Nem no Twitter. Mas usamos e-mail e acessamos a internet todos os dias.

Quase todo dia eu pedalo, corro ou vou de ônibus para o trabalho, já que nós temos apenas um carro. Não temos TV paga. Ainda temos uma secretária eletrônica, fato que levou um dos meus amigos a deixar a seguinte mensagem: "Alô, aqui é a década de 80 chamando! Queremos a sua secretária eletrônica de volta!". Muitos de vocês acham que eu (ou nós, por associação) estamos presos ao passado ou perdemos muita coisa do presente. É um ponto de vista válido.

Mas eu gostaria de oferecer a vocês algumas razões pelas quais nós optamos por permanecer na “idade das trevas” da comunicação e da tecnologia.

As pessoas que me conhecem bem vão citar a minha frugalidade, a minha dificuldade em aceitar as mudanças e a minha apatia em aprender novas tecnologias como sendo as principais razões para eu não acompanhar os ditos avanços do resto do mundo. Vocês estão parcialmente certos. Mas há algumas outras razões também. E são elas o que eu quero compartilhar aqui.

Segue-se, então, a minha “lista de justificativas” para conservar, entre outras coisas, o meu bom e velho telefone fixo.

Para começar, eu preciso desesperadamente de clareza de mente, da capacidade de controlar as emergências e de manter a minha atenção acesa. Como pai de seis filhos jovens, marido de uma mulher extraordinária e psicólogo infantil, não há nada mais importante para a minha vida e para a vida da minha família do que a minha capacidade de pensar o mais claramente possível e manter um alto nível de atenção.

Não é questão de atingir 100% da minha capacidade mental, mas de tentar usar o máximo possível dos meus “cilindros cerebrais”.

Com todas as distrações de hoje em dia, esses zunzuns, dindons e plimplins que avisam da chegada de mensagens e ligações seriam uma coisa excessiva. Eles dispersariam a minha concentração e, mesmo que eu parecesse focado na tarefa que estou realizando, tenho sérias dúvidas de que de fato eu ficasse focado. Há pesquisas que sugerem que os seres humanos “multi-tarefas”, especialmente quando se acham muito bons em fazer muita coisa ao mesmo tempo, na verdade atingem resultados apenas medianos. Em jornadas que já nos reservam pilhas de tarefas, eu me pergunto se a minha eficiência e a minha capacidade de cumprir os compromissos mais importantes de cada dia atingiriam mesmo o seu melhor nível caso eu ficasse dando atenção a dispositivos eletrônicos que comunicam o tempo todo a chegada de alguma nova informação.

O silêncio é um valor que eu considero de uma preciosidade incalculável. Uma das melhores coisas de ir e voltar de bicicleta ao trabalho é o silêncio. As ruas podem ser agitadas, mas a única voz que eu ouço vem de dentro da minha própria cabeça. O trajeto silencioso até o trabalho é para mim uma ótima forma de organizar os pensamentos para começar o dia; e o passeio de volta para casa é uma ótima forma de aliviar o estresse do dia que termina, ao mesmo tempo em que me preparo para o momento mais barulhento de todos: aquele em que eu abro a porta de casa!

Um ano atrás, fiz uma apresentação para um grupo local de ministros da juventude. O diretor do grupo recordou o dia em que recebeu um telefone celular e um pager no trabalho pela primeira vez na vida e lamentou logo em seguida o fato de as pessoas agoram poderem contatá-lo em seu trajeto do trabalho para casa, que era quando ele costumava repassar com calma o dia que estava terminando. Bastante gente usa esses tempos de trânsito (muitas vezes imprudentemente, diga-se de passagem) para recuperar ligações perdidas. Eu preciso desses tempos para recuperar a minha própria vida, que parece estar sempre correndo à minha frente.

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