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Reféns turcos libertados no Iraque; milhares de curdos em fuga

<p>Primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu (E), recebe reféns libertados no Iraque no aeroporto da cidade de Sanliurfa, sul da Turquia</p>

Agências de Notícias - publicado em 21/09/14

Os serviços de inteligência estrangeiros interceptaram uma conversa em árabe sobre um possível ataque ao Vaticano

Quarenta e nove turcos foram libertados neste sábado após três meses de sequestro no Iraque, mantidas sob cativeiro do grupo Estado Islâmico (EI), que avançou na Síria e obrigou dezenas de milhares de curdos a buscar refúgio na Turquia.

O governo da Turquia anunciou a libertação dos 49 cidadãos capturados pelo EI em 11 de junho durante a tomada do consulado geral turco em Mossul, nos primeiros dias da ofensiva dos jihadistas no norte do Iraque.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan afirmou que a libertação aconteceu graças a uma "operação de resgate" dos serviços de inteligência (MIT).

"Começou durante a noite e acabou esta manhã", disse.

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, anunciou que os reféns já estão no país. Entre as vítimas estavam o cônsul geral e sua esposa, vários diplomatas e seus filhos, e integrantes das forças especiais turcas.

Desde junho, as autoridades turcas afirmavam manter "contatos" para obter a libertação dos compatriotas.

O governo conservador islâmico turco apoia a oposição ao presidente sírio Bashar al-Assad e, em várias ocasiões, foi acusado de armar grupos islamitas hostis ao regime de Damasco, como o EI. Ancara nega.

A Turquia se recusou a participar nas operações militares organizadas pela coalizão que combate os jihadistas, alegando que priorizava a proteção da vida dos reféns. Uma explicação que gerou suspeitas.

Quase 40 países decidiram participar, de uma ou outra maneira, na coalizão contra o Estado Islâmico.

Avanço fulgurante na Síria

Em dois dias, o grupo sunita extremista conseguiu um avanço significativo no norte da Síria, com o controle de 60 localidades curdas nas imediações de Ain al-Arab (Koban em idioma curdo), afirmou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Por medo das atrocidades cometidas pelo EI, quase 45.000 curdos buscaram refúgio na Turquia desde quinta-feira, anunciou o vice-primeiro-ministro turco, Numan Kurtulmus.

Outros milhares permaneciam na fronteira.

O OSDH informou que pelo menos 18 jihadistas morreram durante a noite nos combates com as forças curdas. Os confrontos prosseguiam neste sábado.

Segundo o OSDH, pelo menos 300 combatentes curdos entraram na Síria a partir da Turquia e se uniram às milícias curdas YPG em Koban para combater o EI.

"Não temos informações sobre o destino de 800 habitantes destas localidades", afirmou a ONG.

Um deslocado afirmou ao canal Haber-Türk que os jihadistas mataram várias pessoas e cometeram estupros.

Reforço da luta contra o EI

Diante da ofensiva do EI, o Conselho de Segurança da ONU pediu à comunidade internacional que reforce o apoio ao governo iraquiano.

O secretário de Estado americano, John Kerry, espera derrotar a organização jihadista com a "campanha mundial" iniciada por seu país. Ele chegou a declarar que o Irã, que já foi considerado o inimigo número um de Washington, tem um "papel" a desempenhar contra o EI, mas não explicou qual seria.

A coalizão mobilizada por Washington ganhou força nas últimas 48 horas com os primeiros bombardeios franceses no Iraque e a aprovação do Congresso americano para ajudar os rebeldes na Síria.

O EI estaria integrado por 35.000 homens na Síria e no Iraque. O grupo já cometeu uma série de atrocidades nas regiões sob seu controle nos últimos meses, além de ter reivindicado a decapitação de três reféns ocidentais.

Os países ocidentais temem o retorno dos jihadistas que combateram na Síria e no Iraque.

Os serviços de inteligência estrangeiros interceptaram uma conversa em árabe sobre um possível ataque ao Vaticano, informa um jornal italiano. A imprensa belga afirma que as autoridades do país impediram vários atentados.

Neste contexto, as autoridades da Albânia organizam um dispositivo de segurança reforçada para a visita do papa Francisco ao país, no domingo.

(AFP)

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