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A Casa Branca coloca em dificuldade os cristãos na Síria

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Erebmedioriente - publicado em 24/09/14

Os Estados Unidos estariam mais interessados em depor Assad ou derrotar o EI?

O regime brutal de Bashar al Assad seria na realidade o verdadeiro objetivo das armas lançadas pelosEstados Unidos contra o EI (Estado Islâmico). A ocasião é muito boa: parar os cortadores de cabeça e derrubar o regime sírio. Para alcançar o objetivo, a Casa Branca está tentando de tudo, até convencer outros membros das hierarquias das Igrejas orientais a escolher em qual lado estar: ou contra Assad ou contra os Estados Unidos.

Fontes anônimas de Erebmedioriente contam os dramas deste enredo que superariam a relutância de muitos países árabes como o Qatar e a Arábia Saudita a atacarem o EI, preferindo abater primeiramente o regime de Assad para depois “se concentrar” nos terroristas. Sauditas e qatariotes são sempre grandes suspeitos do extremismo islâmico e defensores da mesma ideologia professada pelas milícias do EI: o Wahaabismo.

As fontes contam uma cena da recente conferência de três dias sobre a situação dos cristãos no Oriente Médio, que aconteceu de 9 a 11 de setembro em Washington. Os jornais discutiram amplamente o confronto verbal entre o senador republicano Ted Cruz, que acusou os clérigos presentes, entre os quais o cardeal Beshara al-Rai e o patriarca greco-católico Gregorio III Laham, de serem anti-israelitas, enfatizando que quem é contra Israel é contra a América. O que ninguém contou foi o que aconteceu no dia seguinte. Alguns dos representantes das Igrejas orientais, católica, ortodoxa e protestante foram convidados pela Casa Branca a discutirem, de maneira informal com alguns encarregados da conferência, sobre: conduzir os cristãos a derrubar o regime de Assad, convencendo o ditador a ceder o poder e a aceitar um processo de crimes contra a humanidade. O EI, o drama dos cristãos em Mossul e o futuro das minorias não islâmicas não estavam na agenda. A confirmação da aliança de duas intenções contra o EI é a intenção da Casa Branca e de seus aliados de enviar armas aos rebeldes moderados, considerando porém que, pelo menos em campo, eles estão quase completamente desaparecidos. Convivendo com o fato que o chefe de Damasco tenha realmente cometido crimes, como todos os ditadores do Oriente Médio, neste momento uma eventual queda do regime transformaria a Síria em uma nova Líbia, ou em uma nova Somália, transformando a minoria cristã em traidora, com todas as consequências disso.

Nestes anos a Igreja siríaca, como muitas outras Igrejas do Oriente Médio, manteve uma posição discreta sobre a Revolução na Síria, preferindo atuar numa estratégia aberta e diplomática em grau de amortecer os tons do conflito, única maneira para fazer sobreviver, mesmo após uma eventual saída de cena de Assad, a realidade multicultural da Síria. Este, com todos os limites, é hoje o único país de maioria muçulmana onde mesmo no meio da guerra não houve confrontos entre cristãos e muçulmanos. De fato, na carteira de identidade não aparece de qual religião a pessoa é. Segundo as fontes, são mais de 30 mil combatentes provenientes de todas as partes do mundo islâmico e não para transformar um confronto político em uma guerra de religião entre xiítas e sunitas, colocando no meio os cristãos. A presença dos terroristas islâmicos tem, de fato, reforçado o poder de Assad, chegando à situação atual com muitos ex-rebeldes que combateram pelo regime contra os exércitos de Jabat al Nusra e do EI, e com um governo dos Estados Unidos forçado a pedir a Damasco o seu apoio na guerra contra o Estado Islâmico

As fontes explicaram que o EI, Estado Islâmico, na verdade sempre existiu na mente daqueles que sustentam o extremismo islâmico. A ideia de um falso choque entre ideologias extremistas opostas teria servido apenas para ganhar tempo, como demostra a recente aliança com a al-Qaeda, à qual seguirá a de outros grupos extremistas. Assad sempre disse uma perigosa verdade: os terroristas islâmicos de todas as partes do mundo estavam na verdade na Síria, desde o início da Revolução da Síria.

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