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Obesidade infantil e fome emocional

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Aleteia Vaticano - publicado em 11/10/14

Até certa idade, a criança considerada “gordinha” costuma ser vista como cheia de saúde. Hoje, sabe-se que isso não é verdade

Muitas vezes, a obesidade pode ter início na infância, principalmente, no período que compreende os dois ou três primeiros anos de idade, quando o corpo forma a maior parte das células adiposas, que são as células que “guardam gordura”.

O ganho de peso na infância pode acontecer por diversos motivos: hábitos alimentares com alto consumo de alimentos gordurosos ou ricos em açúcar, influência genética, algum problema de saúde (hormonal ou da tireóide) e estilo de vida sedentário da família. Além dessas situações, alguns aspectos psicológicos ligados às emoções, tanto da criança quanto de alguns integrantes da família que influenciam diretamente a criança, podem afetar o seu apetite para mais ou para menos.

Mudança de hábitos

É muito comum que pais, avós ou responsáveis utilizem doces ou sobremesas como “prêmio” quando a criança não quer comer a refeição principal ou quando ela está fazendo birra por algum outro motivo. Esse tipo de comportamento da família pode estimular na criança a ideia de que esses alimentos “prêmios” é que são os melhores, mais gostosos e mais importantes. Ela aprende que o alimento é a solução para todos os conflitos, pois quando come os pais ficam felizes.

Precisamos orientar aos pais que procurem outros tipos de premiações não alimentares nesses casos. Por exemplo, falar à criança que se ela comer a refeição, eles vão brincar juntos depois ou que a mãe vai ler uma nova história para ela, etc. Não esquecendo de frisar que o arroz e o feijão, os alimentos da refeição principal, são muito gostosos e importantes para ela.

Atenção à quantidade de comida

Após 1 ano de idade, a criança já come os mesmos alimentos da família. A quantidade de comida que os pais colocam no prato da criança é muito importante. Procurar fazer um prato saudável e colorido. E, se a criança quiser comer mais alguma coisa, sirva um pouco mais, assim, evitaremos que ela coma além do que seu organismo aceita e também evitamos o desperdício de alimentos. Lembre-se: quem sabe quando a criança está satisfeita é ela mesma. Se o adulto coloca muita comida no prato, não deve querer que ela raspe o prato, isso não é necessário.

Há algumas situações que levam a criança a buscar no alimento algo que emocionalmente está em falta, ou seja, falta de afeto, atenção ou carinho dos pais. Ou ainda situações de medo, angústia, ansiedade. Esses são sentimentos e situações que levam crianças, e até mesmo os adultos, a buscarem o preenchimento de outras maneiras. Uma delas é através do alimento, levando as pessoas a comerem mesmo quando não estão com fome. É o que chamamos de “fome emocional”.  

Situações como o nascimento de um irmão, separação dos pais, mudança de cidade ou estado, perda de um parente, mudança de escola, ausência de um dos pais, dificuldades financeiras e adoção podem ser determinantes para a causa da obesidade.

Envolvimento familiar

Até certa idade, a criança considerada “gordinha” costuma ser vista com admiração pelos pais, como sinônimo de “fortinha”, ou seja, cheia de saúde. Hoje, sabe-se que isso não é verdade. Criança gordinha não é sinal de saúde, mas sim de risco, pois, se não cuidada, pode vir a desenvolver doenças relacionadas ao excesso de peso, como pressão alta, colesterol alto, dores articulares, diabetes, entre outros. Quando essa criança cresce e chega à adolescência, o conceito de beleza se modifica e os quilos a mais tornam-se um grande transtorno. E, então, o esforço para retomar o peso necessitará de muita disciplina e suporte da família.

Portanto, se você conhece alguma família que está passando por esse tipo de dificuldade, é muito importante orientá-la a procurar ajuda de profissionais na unidade de saúde. Médicos, nutricionistas e/ou psicólogos poderão auxiliar na melhora do quadro e acompanhar a evolução do caso.

(Pastoral da Criança)

Tags:
FilhosSaúde
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