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A Igreja sempre foi pobre?

© Sabrina Fusco

encuentra.com - publicado em 17/10/14

A Igreja é chamada a viver livre de luxos e a compartilhar o que tem com os mais necessitados

A Igreja, como assembleia, abrange todos: ricos e pobres. No começo, a comunidade eclesial agia com “um só coração e uma só alma”. A Igreja é chamada a viver livre de luxos, a fim de que todos os seus membros compartilhem seus bens com os mais necessitados. É assim que se vive a caridade no interior da Igreja.

A pobreza na Igreja primitiva

Lucas, no livro dos Atos dos Apóstolos, descreve a forma de vida da Igreja primitiva, na qual a lembrança de Jesus estava fresca: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça. Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade” (Atos 4, 32-35).

A Igreja, que é assembleia dos crentes em Cristo, foi plural desde o início. Havia membros ricos e membros pobres. Havia membros de origem judaica e membros de origem pagã. Todos dispunham dos seus bens para as necessidades da comunidade.

Entenderemos aqui por “pobreza” principalmente aquela que é econômica. Não nos referiremos tanto a uma pobreza espiritual, mas à capacidade de compartilhar os poucos bens que se têm.

A Igreja daquela época era rica, então? Se a observarmos a Igreja da época do Império Romano tardio e a da Idade Média, veremos que os recursos econômicos da primeira não poderiam ser comparados com os da segunda.

No entanto, o espírito que motivava as comunidades em diferentes tempos e lugares era o mesmo, apesar dos riscos que a riqueza desmedida e mal proporcionada apresenta aos cristãos de qualquer época.

A Igreja primitiva foi pobre segundo as condições da sua época. Era uma assembleia perseguida, que não podia ter outros templos a não ser casas particulares ou as catacumbas. Devido à sua clandestinidade, os cristãos não podiam ter um culto público.

No entanto, prestavam homenagem a Deus dignamente nas condições possíveis. Este ocultamento causou a falta de grandes templos, propriedades, ornamentos etc. Apesar desta pobreza, os membros colocavam seus bens ao serviço da comunidade.

Dessa maneira, todos podiam ter uma vida aceitável e viviam em verdadeira caridade, pois compartilhavam aquilo de que precisavam, não o que lhes sobrava. Dificilmente vemos testemunhos artísticos dessa época, anterior ao ano 313.

Em 313, o imperador Constantino expediu o famoso Edito de Milão, pelo qual permitia que os cidadãos romanos professassem a religião que quisessem, segundo seu foro íntimo. Tal edito permitiu que os cristãos tivessem um culto público e saíssem da clandestinidade.

A partir dessa época e durante a maior parte da Idade Média, foram construídos templos e fabricados ricos ornamentos e vasos sagrados para a liturgia.

Apesar de a Igreja, como comunidade, poder desfrutar de belos templos, ornamentos e imagens, o espírito de caridade não se perdeu, pois esta foi a época em que surgiram as primeiras obras públicas cristãs de caridade.

Por exemplo, os bispos começaram a construir escolas em cada catedral, e alguns deles ofereciam ajuda econômica aos pobres da cidade, fossem estes cristãos ou não. Também começaram a ter atividade os primeiros hospitais atendidos por voluntários cristãos.

O próprio Papa Gregório utilizou as propriedades da Igreja romana (campos, basílicas etc.) para resolver as necessidades dos mais pobres em uma dura época de fome.

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Tags:
DinheiroIgrejaPobreza
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