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“Sem lugar para reclinar a cabeça”: o futuro incerto dos cristãos do Iraque

Iraqi Christian refugees living in church – pt

Malteser International

John Burger - publicado em 21/10/14

A Ajuda à Igreja que Sofre está construindo uma espécie de “vila” para abrigar 4.000 refugiados no inverno, além de ajudar na edificação de oito escolas em Erbil e Dohuk.

Mesmo que a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos vença os terroristas do Estado Islâmico, os refugiados cristãos se dizem relutantes em voltar para as casas de onde fugiram, conforme relatam o pe. Halemba e outros entrevistados para esta matéria. Os cristãos, cujo número vem diminuindo há trinta anos no Iraque, sentem-se traídos pelo governo central de Bagdá, pela milícia curda dos peshmerga, que não conseguiu proteger as suas cidades do ataque do Estado Islâmico apesar das garantias que tinha dado aos moradores cristãos, e ainda pelos próprios antigos vizinhos, que, em muitos casos, assaltaram as propriedades que os cristãos foram forçados a abandonar.

Diz o pe. Halemba: "Eles [os cristãos iraquianos] só têm um pensamento: ir embora. ‘Não vamos mais voltar. Se fomos traídos três vezes, como é que podemos ter confiança? Como é que podemos construir um futuro?’".

A ativista internacional pela liberdade religiosa Nina Shea concorda que os cristãos do Iraque se sentem vulneráveis​​. Comentando na semana passada sobre o sequestro e posterior liberação de um sacerdote franciscano na Síria, ela disse que "os cristãos leigos vêm sendo sequestrados aos milhares, tanto no Iraque quanto na Síria, porque eles não têm nenhuma proteção. Nem das milícias, nem das redes tribais, nem dos seus governos, nem de nenhuma potência estrangeira. Assim, para os sequestradores, só existem consequências positivas quando eles sequestram cristãos: não há punição e eles ainda podem conseguir dinheiro com o resgate".

Shea, que dirige o Centro para a Liberdade Religiosa no Instituto Hudson e já fez parte da Comissão Norte-Americana para a Liberdade Religiosa Internacional, disse que a planície de Nínive, localizada no norte do Iraque e lar de cristãos durante quase 2000 anos, sofreu "uma verdadeira ‘limpeza religiosa’ cujos efeitos vão durar muitos anos. Eu não vejo como os cristãos possam retornar sem proteção. E não há proteção nenhuma para eles. Eles vão partir para outro país. A Igreja, na sua estrutura internacional, precisa de um plano muito sério de reassentamento para eles, seja em algum lugar na região, seja em algum lugar no Ocidente, porque para casa eles não podem mais voltar".

O pe. Halemba relata que, a cada dia, dez ou mais famílias cristãs emigram do Iraque. É um número aparentemente pequeno, mas faz diferença num panorama de drástica redução da presença de cristãos no Iraque: de cerca de 1,5 milhão em 2003 para cerca de 400 mil atualmente.

A delicadeza da situação fez com que, a pedido do papa Francisco, a reunião de cardeais no Vaticano, neste dia 20 de outubro, incluísse discussões específicas sobre o drama dos cristãos perseguidos no Oriente Médio.

Joseph Kassab observou que a Igreja na região está "fazendo um apelo para o nosso povo ficar e nós concordamos. Mas ficar como?". Ele gostaria que houvesse mais vistos disponíveis para os refugiados nos países ocidentais, especialmente para aqueles que querem se reencontrar com as suas famílias na diáspora.

Nina Shea formula o dilema: "Nós estamos num ponto em que precisamos tomar uma decisão: vamos enviar ajuda maciça ao Curdistão para que eles enfrentem o inverno ou vamos investir os recursos em reassentá-los num terceiro país?". 

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MundoPerseguição
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