Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Segunda-feira 10 Maio |
home iconAtualidade
line break icon

Depois do Charlie Hebdo: as igrejas europeias podem ser o próximo alvo?

Valentina-Cala-CC

Philip Jenkins - publicado em 10/01/15

Não é preciso ser profeta para prever a ameaça que paira sobre a Europa cristã

Mais uma vez, um hediondo ataque terrorista obriga os europeus a encarar algumas realidades políticas e culturais básicas. O massacre na redação parisiense da revista Charlie Hebdo levanta questões fundamentais e preocupantes sobre a liberdade de expressão e sobre o delicado equilíbrio entre os direitos civis e o policiamento eficaz. Mas para os cristãos, e para os católicos especificamente, os atuais perigos do terrorismo devem levar a sérias considerações sobre várias questões bastante diferentes. Olhando para a Europa contemporânea, precisamos levar em conta um evento funesto que ainda não ocorreu, mas que quase com certeza vai ocorrer nos próximos anos. A não ser que as circunstâncias políticas mudem radicalmente, vai haver em breve um grande ataque contra algum símbolo icônico do cristianismo europeu.

Esta afirmação não exige dons de profecia. Faz anos que os segmentos mais extremistas do islamismo radical vêm proferindo ameaças diretas contra a fé e a prática cristã. E é irrelevante que as suas ações estejam em contradição com as interpretações tolerantes da tradição do islã. Grupos radicais como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico afirmam que os cristãos de hoje são idólatras a quem não se aplicam as promessas de proteção que existem no alcorão para “os povos do livro”. Atacar igrejas cristãs, para eles, é lutar contra a idolatria e contra os infiéis.

Os grupos terroristas já alvejaram indivíduos e instituições cristãs para provocar efeitos máximos de choque. Em 1995, um grupo árabe com sede nas Filipinas projetou assassinar o papa João Paulo II durante a sua visita àquela nação, como forma de distrair as atenções mundiais de outro plano terrorista: o de atacar aviões comerciais norte-americanos (o turco Ali Agca disparou contra o mesmo papa em 1981, mas ele não estava agindo em nome da causa jihadista). Quando o papa Bento XVI fez o seu polêmico discurso de Regensburg, em 2006, grupos muçulmanos extremistas organizaram protestos do lado de fora da catedral de Westminster, a igreja católica mais importante da Inglaterra, enquanto um porta-voz advertia que qualquer um que insultasse o islã deveria esperar nada menos que a execução.

Catedrais e grandes igrejas se destacam nas listas de alvos abortados de células islâmicas. Esses ataques frustrados já miraram contra as catedrais de Estrasburgo e de Cremona, por exemplo. A Al-Qaeda já fez ameaças contra a grande catedral de Bolonha: um afresco medieval do Juízo Final, presente nesse templo, retrata o profeta Maomé sendo jogado no inferno, com uma cobra em volta do seu corpo nu e com um demônio esperando por ele. Ativistas muçulmanos italianos protestaram frequentemente contra esta obra. Também é sensível o risco que corre o santuário espanhol de peregrinações de Santiago de Compostela, dada a sua dedicação a São Tiago, o “Matamoros”, ou seja, o “matador de mouros”. Outros importantes edifícios cristãos, embora não ofendam especificamente o sentimento islâmico, também podem atrair a violência terrorista justamente por causa do seu enorme valor simbólico.

Os recentes acontecimentos no Oriente Médio fazem com que os ataques contra igrejas sejam vistos como muito mais prováveis. Durante a última década, os extremistas em toda aquela região atacaram deliberadamente edifícios e comunidades cristãs para destruí-los, em particular na Síria e no Iraque. Os ataques-relâmpago realizados contra igrejas no Egito em 2013 foram os piores e mais numerosos no país desde o ano de 1321. O Iraque tem sido cenário constante do massacre de clérigos e fiéis cristãos, em geral durante as grandes celebrações, como o Natal. Em todo o mundo, aliás, o Natal é um tempo excepcionalmente perigoso para as igrejas localizadas em países como a Nigéria ou o Quênia: é a época em que os ataques suicidas são mais temidos. A Al-Qaeda e o Estado Islâmico, os principais autores dessas táticas, têm, ambos, forte presença em solo europeu.

  • 1
  • 2
Tags:
MundoTerrorismo
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Top 10
1
Bebê anjo
Reportagem local
“Tchau, papai”: as últimas palavras que Maurício ouvi...
2
ARGENTINA
Esteban Pittaro
Polícia interrompe missa de Primeira Comunhão ao ar livre
3
ELDERLY,WOMAN,ALONE
Aleteia Brasil
O pe. Zezinho e a mãe que espera há 30 anos, sem sucesso, pelo pe...
4
PADRE PIO
Philip Kosloski
A oração que Padre Pio fazia todos os dias ao Anjo da Guarda
5
Reportagem local
Triste, surpreendente, inspirador: o drama e o recomeço da menina...
6
Sangue de São Januário ou San Gennaro
Francisco Vêneto
Milagre do sangue de São Januário volta a ocorrer em Nápoles
7
OPERA SINGER
Cerith Gardiner
Cantora de ópera faz apresentação incomum e homenageia Maria e as...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia