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Sacerdotes são ameaçados de perder seus perfis sociais por usarem o título “padre”

Ken Yeung

John Burger - publicado em 30/01/15

Mensagem automática de rede social diz que restrição faz parte das políticas de uso

O padre Peter West é sacerdote há quase 25 anos, mas, esta semana, ele voltou a ser apenas "Peter West".


Pelo menos no Facebook.


Ele conta que foi acessar a rede social nesta terça-feira e acabou sendo bloqueado porque o seu nome de usuário incluía o título “padre”.


A rede mantém há certo tempo a política de não permitir que os seus membros usem títulos profissionais ou religiosos. “O Facebook é uma comunidade em que as pessoas usam as suas identidades verdadeiras”, explica a política do site, baseada na proposta de que cada membro sempre saiba com quem está se conectando a fim de que a comunidade seja segura. Entre uma série de outros itens, as regras pedem que os usuários não acrescentem aos seus nomes “nenhum tipo de título (p. ex.: profissional, religioso)”.


Vários sacerdotes católicos contornam esta restrição juntando a palavra “padre” ao seu primeiro nome ou usando um hífen entre os dois, ou, no caso de sacerdotes que são membros de congregações religiosas, acrescentando a sigla da sua ordem no final do nome.


Mas a recente onda de sacerdotes que sofreram as medidas restritivas do Facebook levou à criação, nesta semana, da página “Tell FB: Allow Catholic Priests to keep the title ‘Father’ in their FB name” [“Digam ao FB: Deixem os padres católicos manterem o título ‘padre’ em seu nome na rede”].


“A política do Facebook parece imposta de maneira desigual”, declarou o arcebispo da cidade norte-americana de Oklahoma, dom Paul Coakley, em uma entrevista (feita, aliás, através do Facebook). “Eu combinei a palavra ‘arcebispo’ com o meu nome: ArchbishopPaul Coakley. Parece que esta restrição não se justifica se observarmos o tipo de discurso que as mídias sociais deveriam promover. Eu realmente quero que as pessoas saibam com quem elas estão se comunicando ao entrarem em contato comigo. Uma das coisas que me atraíram no Facebook é a variedade de oportunidades que ele oferece para a evangelização”.


“É bizarro. Foi a primeira vez que aconteceu isso comigo”, disse o padre James Chern, que também enfrentou problemas ao usar o título “padre” nesta semana. Ele é diretor do Instituto de Vocações da Arquidiocese de Newark, além de capelão universitário, e acha o Facebook muito útil para a comunicação com os jovens. Mas… “Recebi uma mensagem dizendo que o meu nome ‘não cumpre as nossas políticas ou normas’. Em outra tentativa, a mensagem dizia: ‘Não estamos permitindo o uso de nenhum título profissional ou religioso’. Tentei colocar ‘Padre’ no campo do nome, ‘Jim’ no campo do meio e ‘Chern’ no do sobrenome, mas apareceu outra mensagem dizendo: ‘Você está violando a nossa política. Dentro de um minuto, você terá a oportunidade de mudar o seu nome. Se continuar informando o mesmo nome, vamos desativar a sua conta’. Aquilo foi uma surpresa, porque é como se dessem a você um minuto para sentar e refletir sobre a sua existência!”.


O sacerdote acabou mudando a própria foto de perfil: colocou o desenho de um jovem padre com a sigla "pe." num dos cantos.


Curiosamente, eu encontrei no Facebook vários “rabinos”, “capelães” e “imãs”.


Outra curiosidade é que, nos Estados Unidos, o Facebook possibilita que os seus usuários escolham entre mais de 50 possibilidades de gênero, que incluem matizes como “transgênero”, “transgênero masculino”, “transgênero feminino”, “transgênero homem”, “transgênero mulher”, “transgênero pessoa”, “transfeminino”, “transmasculino”, “transexual”, simplesmente “trans”, “trans” seguido de outras 12 combinações, “cisgênero” (também seguido de mais 5 combinações), “cis” (com outras 5), além de “gênero fluido”, “não binário”, “pangênero”, “agênero”, “bigênero” e outras diversas possibilidades. Se a rede se flexibilizou tão confortavelmente naquele caso, por que não no caso dos padres?


E por que é importante poder usar o título “padre”?


Porque “é a minha vocação”, explica o pe. Stephen Imbarrato. “Eu não escolhi ser padre; foi Deus que me escolheu para ser padre. Nem os membros da minha família me chamam apenas de Stephen. E ‘padre’ não é um título ‘profissional’, é uma vocação na vida!”.


Em resposta a vários pedidos de entrevista que eu enviei, o Facebook simplesmente me devolveu uma mensagem padrão por e-mail: “Obrigado por dedicar uma parte do seu tempo a nos enviar o seu feedback. Estamos constantemente tentando melhorar o Facebook e por isso é importante ouvirmos as pessoas que o utilizam. Infelizmente, não podemos responder aos seus e-mails individualmente, mas estamos prestando atenção a eles. Agradecemos pelo tempo que você dedicou a nos escrever”.

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