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A única relação de amor possível é entre homem e mulher. Por quê?

Christine Tremoulet

Gelsomino Del Guercio | Mai 12, 2015

Antropóloga defende que a plenitude humana só acontece na relação de complementaridade entre os dois sexos

Marta Brancatisano é antropóloga, professora de Antropologia na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, e diretora do mestrado "Amor, família, educação", na mesma universidade. Ela afirma que "a cultura atual tem muitas incertezas sobre o significado do ser humano e da relação entre homem e mulher. Isso é estranho, porque as ciências humanas são capazes de dar respostas muito precisas sobre a relacionalidade como fundamento da vida e sobre a feminilidade e a masculinidade como elementos da humanidade".

A BELEZA DA SEXUALIDADE
A sexualidade, prossegue a antropóloga, "exige manifestar-se em toda a sua beleza e em todo o seu valor a partir da cultura cristã. Na carta apostólica Mulieris Dignitatem, João Paulo II fala da sexualidade como de um caráter ontológico, não como mera função". Hoje, devido à propagação da cultura da contracepção, "falta a plenitude e a completude espiritual e física do amor, que só pode se manifestar na relação entre homem e mulher".

CONTRACEPÇÃO E PROCRIAÇÃO
Brancatisano destaca: "A cultura da contracepção contraria a cultura católica, que se mantém firme ao longo dos milênios na visão antropológica e sacramental do casamento. É verdade que, neste contexto, as razões em favor da separação voluntária entre amor e procriação nunca são atribuídas a uma valorização diferente dos dois bens, mas sim a uma necessidade, eu diria contingente, de enfrentar os desafios que o mundo atual apresenta aos cônjuges como pais; por exemplo, dificuldades econômicas, mudança no papel das mulheres etc".

O CISMA SILENCIOSO
Formou-se uma corrente de pensamento "que tende a tornar a contracepção compatível com a identidade do casamento, ainda que mediante a sua interpretação como um ‘mal menor’ em vez de um ‘direito a ser reivindicado’. Esta situação é abordada pela encíclica Humanae Vitae, que responde com tanta clareza a esta visão que chegou a despertar entre os próprios católicos o que tem sido chamado de ‘cisma silencioso’, ou seja, o afastamento de grande parte dos fiéis dos ditames do magistério no tocante ao casamento e ao significado da sexualidade".

A CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II
Em 1988, vinte anos depois da encíclica Humana Vitae, a carta apostólica Mulieris Dignitatem, de João Paulo II, "se torna um documento sem precedentes na história da Igreja porque abre uma perspectiva antropológica: os conteúdos da exegese de João Paulo II (inspirados no Gênesis e em Mateus 19) ‘completam’ a Humanae Vitae. Assim, captamos a conexão íntima entre a procriação e a estrutura antropológica que se manifesta na relação entre homem e mulher".

CRIAÇÃO E CASAL HOMEM-MULHER
Do relato duplo da criação do ser humano, segundo a exegese feita pelo autor de Mulieris Dignitatem, Brancatisano observa que "surgem traços de identidade do homem e da mulher, mas também a clareza de que o ser humano se completa apenas com a constituição do casal homem-mulher". A linguagem poética do Gênesis nos diz que “todo ato criativo contava com a aprovação de Deus. A complacência divina (‘e Deus viu que isso era bom’) só se rompe diante de uma lacuna: ‘Não é bom que o homem esteja só’”.

AJUDA E TOTALIDADE DA RELAÇÃO
Brotam desta visão alguns conceitos básicos que a antropóloga classifica assim:


1)
Solidão/ajuda: diante da negatividade do estado de solidão, o Criador estabelece, como antídoto, o estado de ajuda, que prenuncia a dimensão relacional e a interdependência ontológica entre homem e mulher;

2)
Totalidade da relação: as palavras “o homem deixará seu pai e sua mãe” indicam a prioridade desta nova relação sobre as outras, ainda que vitais, como a relação filiação/paternidade ou filiação/maternidade.


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