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5 esclarecimentos sobre uma questão: padre pode se envolver em política?

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Conheça o que a Igreja ensina: 5 esclarecimentos para evitar equívocos

Diante da decisão unilateral adotada pelo pe. Jorge Crespo de candidatar-se a deputado na Argentina, em 2015, o arcebispo Mario Antonio Cargnello fez na época alguns importantes esclarecimentos sobre a relação entre o sacerdote católico e a política:

1. Visão positiva da política

A Igreja valoriza a atividade política, considerando-a como uma forma privilegiada de caridade social. Por isso, incentiva os seus fiéis leigos a assumirem suas responsabilidades no serviço ao bem comum, que é a razão de ser da atividade política.

2. Distinção e colaboração

Ao mesmo tempo, o Concílio Vaticano II ensina:

“A Igreja, que, em razão da sua missão e competência, de modo algum se confunde com a sociedade nem está ligada a qualquer sistema político determinado, é ao mesmo tempo o sinal e salvaguarda da transcendência da pessoa humana” (Gaudium et spes, 76).

Por isso, destaca-se a independência e a autonomia da Igreja e do Estado. Cada um deve agir no seu próprio âmbito, mas ambos devem trabalhar em parceria no serviço à vocação pessoal e social do homem. Esta colaboração precisa ser saudável, boa e respeitosa dos âmbitos próprios de cada um.

3. O sacerdote está acima de qualquer parte política

Este é o contexto em que é preciso avaliar a atuação do sacerdote, que é ministro de Cristo e do Seu Evangelho e, por isso, ministro da Igreja.

O Diretório para o Ministério e a Vida dos Presbíteros explica:

“O sacerdote, servidor da Igreja que em virtude da sua universalidade e catolicidade, não pode ligar-se a nenhuma contingência histórica, estará acima de qualquer parte política. Ele não pode tomar parte ativa em partidos políticos ou na condução de associações sindicais, a menos que, na opinião da autoridade eclesiástica competente, o exijam a defesa dos direitos da Igreja e a promoção do bem comum” (n. 33).

4. Os leigos e sua vocação política

São muitos os homens e mulheres com vocação política; é a eles que corresponde agir, por iniciativa própria, no político e no social. A Igreja respeita profundamente todos os leigos que participam da promoção do bem comum, considerando-o como um dever ético para todos os membros da sociedade. Aos padres corresponde acompanhar os leigos na formação permanente de uma consciência reta.

5. O padre é um homem a serviço da fraternidade

Os sacerdotes são homens a serviço de todos, em busca da fraternidade espiritual. Tomar partido envolve o risco de dividir: por isso, os padres não podem intervir diretamente na ação política nem na organização social.

Reduzir a missão do padre a tarefas que são próprias do mundo civil não é uma conquista, mas uma gravíssima perda para a fecundidade evangélica da Igreja inteira. O apelo constante dos leigos, dos pobres, dos doentes, dos marginalizados, das crianças, dos jovens e das famílias testemunha isto.

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