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Polêmica: pedófilos inocentes? Uma coisa é a tendência, outra coisa é o ato de abuso

Pedofilia e abuso sexual

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Aleteia Vaticano - publicado em 15/07/15

Alemanha quer evitar o abuso sexual infantil dando tratamento a quem se sente atraído por crianças

A Alemanha lançou um ousado programa para incentivar os pedófilos a buscarem tratamento confidencial, voltado a controlar ou mesmo reverter a sua atração sexual por crianças. A proposta vem gerando polêmica no país porque inclui os pedófilos que já cometeram abusos sexuais.

Por outro lado, importantes aspectos positivos da proposta merecem destaque:

– O foco é o tratamento do pedófilo e a prevenção de abusos, em vez da punição do pedófilo depois que o crime já foi cometido.

– Incentiva-se o pedófilo que quer tratar o seu transtorno a buscar ajuda especializada, superando o medo de ser denunciado à polícia. Este aspecto se aplica em particular à Alemanha, onde os terapeutas não são obrigados a denunciar abusos cometidos por seus pacientes no passado. Já em outros países, como o Brasil e o Reino Unido, os terapeutas são obrigados a fazerem essas denúncias, o que dificulta a busca de tratamento por parte dos pedófilos, que temem a prisão e acabam cometendo novos abusos.

– Esta abordagem também promove o entendimento da diferença entre a pedofilia e o abuso sexual: a pedofilia é uma tendência, é a atração sexual por crianças, pela qual o pedófilo não tem culpa; a tendência em si não implica necessariamente que essa atração seja levada à prática mediante o abuso contra crianças.

– Da mesma forma, esclarece-se melhor que nem todos os abusadores infantis são pedófilos: muitas vezes, são até adultos heterossexuais que, por uma gama variada de motivos, cometeram ou cometem abuso infantil, embora também se relacionem sexualmente com outros adultos.

– Existem pedófilos que se abstêm da prática da pedofilia: são pessoas que sentem a atração por crianças, mas sabem da gravidade do crime do abuso infantil, não querem cometê-lo e sofrem para tentar conter a sua propensão. Essas pessoas formam um grupo muito maior do que se costuma pensar: segundo pesquisas, de 3% a 5% dos homens sentem atração sexual por crianças, mas grande parte deles não concretiza atos de abuso.  

O tratamento oferecido na Alemanha é uma terapia cognitiva comportamental: são analisados os sentimentos sexuais do paciente e elaboradas estratégias para evitar até mesmo as potenciais situações de risco de abuso. Cerca de 440 homens começaram o tratamento no país. O número poderia ser muito maior: existe até lista de espera, pois ainda são poucos os locais adequados para a realização da terapia.

Uma campanha publicitária informa os alemães sobre a existência do tratamento. Um dos anúncios na TV mostra um jovem mascarado que diz: "Ninguém tem culpa de ter esta inclinação sexual. Mas toda pessoa é responsável pelo seu comportamento". Em seguida, ele tira a máscara e afirma: "Eu não quero me tornar um criminoso".

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