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A mendiga que foi bailarina

© Grey World
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Uma história de vida que convida a reconhecer-se no irmão que sofre

Minha amiga Mônica me contou de sua amizade com uma mulher especial.
 
Uma ou duas vezes por semana, Mônica ia conversar com uma senhora que teria cerca de 80 anos em aparência, e talvez uns 15 a menos na realidade. Era magra, cabelo longo e branco e vestia elegantes trapos que havia conseguido em uma paróquia de Buenos Aires. Ocupação atual: mendiga.
 
Segundo a idosa, em sua juventude foi bailarina de balé em conhecidos teatros da cidade e do mundo. Sentada na fonte, apontava para o teatro Colón e dizia à Mônica: “Eu já dancei lá”.
 
Observando as dimensões do seu corpo, descreve Mônica, é provável que tenha sido bailarina mesmo. Mas também pode ter sido bancária, padeira, enfermeira ou qualquer outra coisa. Talvez se chame Raquel. Digo isso porque Mônica não tinha certeza do seu nome.
 
O fato é que Mônica sempre a encontrava na mesma praça, junto à fonte na qual ela realizava seus cuidados de higiene pessoal.
 
Tentou convidá-la para tomar um café diversas vezes, mas os bares da região não permitiam sua entrada. Finalmente, um bar foi gentil e lhes permitiu entrar e sentar-se. E então começaram a se encontrar semanalmente lá para conversar e compartilhar histórias nem sempre fiáveis: “Lembro-me que em Roma…”, “Uma vez, em Paris…”, “Como foi bonito dançar em Madri…”.
 
Mônica ficava admirada diante da linguagem culta da educada senhora, das suas expressões em inglês e francês de excelente pronúncia. Em um dos seus encontros, tocaram no bar a música de um balé (não dos mais conhecidos), e Raquel imediatamente identificou o título, autor, ano e lugar de gravação da versão que estava tocando.
 
Seriam, verídicas, então, as histórias narradas? Estava Mônica diante de alguém de renome internacional?
 
Desde aquela descoberta, Mônica começou a levar as versões de balé que Raquel lhe pedia, e escutavam enquanto tomavam café. Ao perguntar-lhe sobre por que havia abandonado a profissão, Raquel suspirava e, com seus enormes olhos lacrimejantes, dizia: “Uma traição”. E mudava de assunto.
 
Mônica acabou se mudando, parou de vir conversar comigo e eu não soube mais nada daquela senhora misteriosa. Lembro-me com frequência dessa história e não pude deixar as coisas assim. Há alguns dias, fui à mesma praça e perguntei a outros moradores do local se conheciam Raquel.
 
Muitos se lembravam dela, mas fazia alguns meses que não a viam. Um dos moradores chegou a me comentar que ela tinha viajado para a Europa, e outros confirmaram a informação.
 
Dirigi-me ao bar do qual Mônica havia me falado. Um dos garçons se lembrava perfeitamente de ambas. Mostrou-me a mesa na qual costumavam se encontrar, e me sentei no mesmo lugar para tomar um café enquanto escrevia estas linhas.
 
O rapaz me disse que, na última vez que Mônica esteve lá, deixou 20 cafés pagos para Raquel, mas esta foi somente duas vezes e depois não voltou mais. Na última vez que esteve lá, comentou que “sozinha não é a mesma coisa” e foi embora triste.
 
Quantas histórias deambulando pela vida!
 
Alguns dos que estão nas ruas já foram mecânicos, artistas, enganados no amor, fugitivos da lei. Mas a grande maioria é formada por excluídos, marginalizados, sem emprego e sem lar. Uns têm família, mas circunstâncias difíceis de entender impedem sua volta.
 
Não são números anônimos. Não são parte da paisagem urbana.
 
Talvez você e eu, que não moramos na rua, também tenhamos guardadas no coração experiências vividas, conhecidas por poucos. Certamente, Jesus conhece todas estas experiências e nos ama assim. A todos nós. No sucesso e no fracasso.
 
Ninguém é anônimo aos seus olhos.
 
Desejo que, neste novo ano, deixemos de lado o olhar egoísta e nos reconheçamos como irmãos!
 
(Artigo publicado originalmente por AICA)
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