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Catolicismo e escravidão: a história demonstra que a Igreja sempre combateu o comércio de gente

São Pedro Claver - Creative Commons

Aleteia Vaticano - publicado em 12/08/15

Medievalista Ricardo da Costa desmente com fatos concretos uma acusação de Jean Wyllys

Uma das acusações costumeiras contra a Igreja é que ela teria apoiado o sistema escravocrata, especialmente o ocorrido na África entre os séculos XVI e XIX. A verdade, no entanto, é bem diferente da versão dos laicistas dogmáticos.

Em dezembro de 2012, o deputado brasileiro Jean Wyllys, eleito apesar dos votos insuficientes graças às caronas eleitorais permitidas pela “democracia” brasileira, publicou no Twitter uma das suas frequentes investidas contra a Igreja:

A “ferida grave infligida à justiça e à paz”, @pontifex (Bento XVI), foi a escravidão de negros e africanos, apoiada pela Igreja Católica.

Quem lhe respondeu e contestou com fatos concretos, em fevereiro de 2013, foi Ricardo da Costa, historiador medievalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), através de um artigo publicado pelo jornal Gazeta do Povo, de Curitiba. O professor destaca os seguintes fatos:

– Com a ascensão social e política da Igreja na Idade Média, a pressão a favor dos pobres, das mulheres e dos escravos tornou-se maior. No distante século VI, por exemplo, uma lei criada por pressão da Igreja conseguiu impedir que os escravos fossem presos caso estivessem dentro de um templo católico. Parece muito pouca coisa, mas foi, na época, uma grande conquista em favor dos escravos. Ao longo de toda a Idade Média, o catolicismo pressionou as sociedades cristãs a considerarem a escravidão algo ultrajante, já que, pela fé em Jesus Cristo, todos são filhos de Deus.

– Apesar disso, a escravidão só foi diminuindo lentamente. Ela deu lugar à servidão, um conceito que parece idêntico, mas não é: no regime feudal, a dignidade humana dos chamados “servos” estava consideravelmente acima da escravidão. O escravo era visto apenas como um objeto; já o servo, embora tivesse muitos deveres, também tinha direitos reconhecidos, entre eles o direito à inalienabilidade da terra. Mesmo assim, a escravidão na Europa medieval continuou sendo comum e precisou ser reiteradamente condenada pela Igreja, como aconteceu nos concílios de Koblenz (922) e de Londres (1022) e no Conselho de Armagh, na Irlanda (1171).

– O direito romano, que permitia a escravidão, foi sendo cristianizado ao longo da Idade Média. Por outro lado, não acontecia o mesmo em outras partes do mundo. A expansão islâmica difundiu largamente a escravidão (vide estudos de Fernand Braudel) e, mesmo entre os povos africanos, séculos antes da chegada dos brancos europeus à África, havia tribos, reinos e impérios negros que praticavam corriqueiramente o escravismo. Até os escravos negros levados para as Américas à força pelos europeus do século XVI eram fornecidos pelos próprios africanos, também negros, que tinham grandes mercados de escravos espalhados pelo interior do continente (Ah, você não viu isso na escola? Que coisa, não?).

– A Igreja católica, ao contrário das acusações ideológicas, não deixou de condenar a escravidão com toda a clareza nesse período. Alguns dos muitos exemplos:

  • Na bula papal Sicut Dudum (1435), o papa Eugênio IV mandou libertar os escravos das Ilhas Canárias;
  • Pio II (1458) instruiu os bispos a pregarem contra o tratamento desumano dado aos escravos negros etíopes e condenou a escravidão como um crime abominável;
  • Paulo III, na bula Sublimus Dei (1537), recordou aos cristãos que os índios são livres por natureza;
  • Em 1571, o frade dominicano Tomás de Mercado declarou desumana e ilícita a escravidão;
  • Gregório XIV, na Cum Sicuti, de 1591, condenou abertamente a escravidão;
  • Urbano VIII, na Commissum Nobis, de 1639, reiterou a condenação da Igreja à escravidão.

O professor Ricardo encerra com um conselho que deveria ser óbvio, mas passa batido na atual “educação” obediente a interesses ideológicos peculiares:

“Devemos estudar o passado, não inventá-lo”.

Por fim, achamos que a pele dos seguintes santos católicos, por si só, dispensa maiores comentários:

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