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Religião

Como amar e viver cada dia melhor a Santa Missa?

EUCARISTIA, COMUNHÃO

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padrefaus.org - publicado em 28/09/15

Você com certeza tem o desejo de participar da Missa com mais fé, mais amor, mais fruto. Mas como fazer isso na prática?

Vamos refletir sobre um assunto que tem uma importância fundamental na vida espiritual: Como amar e viver cada dia melhor a Santa Missa?

Você, com certeza, tem esse desejo: quer participar da Missa com mais fé, com mais amor, com mais fruto. Pois bem, para isso precisamos perguntar-nos muito sinceramente: Como é que eu vejo a Missa? O que a Missa é para mim?

Talvez nos ajude a achar a resposta imaginarmos agora que já foi descoberta a «máquina do tempo», sobre a qual fantasiam tantos romances e filmes. Ajudado pela máquina, você consegue recuar mais de dois mil anos, e de repente se encontra em Jerusalém, no ano 33 da nossa era.

Com imensa emoção, nota que está ocupando um lugar à mesa no Cenáculo, na sala onde Jesus, presente, está instituindo a Sagrada Eucaristia, e ouve suas palavras: Isto é o meu corpo, que será entregue por vós; este é o cálice do meu sangue, que será derramado por vós…». Simultaneamente, você se acha no Calvário, junto de Nossa Senhora e de São João, ao pé da Cruz, e escuta como Jesus diz, pouco antes de morrer: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E ainda, sem intervalo de tempo, você está de novo no Cenáculo e vibra com os onze Apóstolos (Judas já se foi), radiantes de alegria porque acaba de se apresentar ali Jesus vivo, ressuscitado, e lhes mostra – a você também – as chagas das mãos e dos pés, enquanto lhes diz: Não tenham medo, sou eu mesmo!

Visto num filme, lido num grande romance, isso seria fantástico. Acontece, porém, que não estou falando nem de filme de ficção científica nem de romance de fantasia. Falo de uma realidade, de uma tremenda e total realidade, que talvez você viveu muitas vezes sem reparar, com os olhos da alma cegos, tapados pelo desconhecimento ou pela fraqueza da fé. Porque isso, tudo isso de que acabo de falar, acontece de fato, de verdade, todas as vezes que você assiste à Santa Missa.

Para que me preparo?

Sei que agora não é o momento de lhe dar uma aula sobre a Missa, pois não estamos fazendo um curso de doutrina, mas apenas meditando sobre alguns pontos de vida espiritual. Mas, uma vez que tratamos da preparação prática para a Missa, é necessário perguntar-nos: para quê me preparo? Como é lógico, você e eu nos prepararíamos de maneira diferente se fôssemos visitar um simples colega, ou se, por hipótese, fôssemos ter uma entrevista particular com o Papa.

Pois bem, a Missa, como diz um grande teólogo (Guardini), «é uma Pessoa». É Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, no ato máximo do seu amor: naqueles momentos em que, como diz São Paulo, se entregou – morreu – pelos nossos pecados, e ressuscitou para a nossa santificação (cf. Rm 4,25 e 1 Cor 11,26).

Não acha que será útil rever agora brevemente pontos básicos da nossa fé sobre a Missa, a fim de compreender como devemos prepará-la?

Leio no Compêndio do Catecismo da Igreja Católica que a Eucaristia «é o próprio sacrifício do Corpo e Sangue do Senhor Jesus, que ele instituiu para perpetuar pelos séculos o sacrifício da cruz, confiando assim à sua Igreja o memorial da sua morte e ressurreição» (n. 271).

«Memorial» não quer dizer «lembrança», mas «presença» atual de fatos que aconteceram em outro tempo, e que Deus quer eternizar. Como ensina a Igreja, «tudo o que Cristo fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente» (Catecismo da Igreja, n. 1085). Por isso, «quando a Igreja celebra a Eucaristia [a Santa Missa], memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente» (João Paulo II, Encíclica sobre a Eucaristia, n. 11).

Sendo assim, é natural que a Igreja proclame que a Eucaristia é «fonte e ápice de toda a vida cristã», e que «ela encerra todo o bem espiritual da Igreja: o mesmo Cristo» (Compêndio, n. 274).

Você vai à Missa? Então vai ter num encontro pessoal com Jesus, no momento – atual! – em que, como diz São João, levou seu amor por nós até o fim, até o extremo (Jo 13,1).

Vai à Missa? Então vai ao encontro de Jesus, vivo e real, que o espera, entregando-se agora na cruz por você, dando-se agora a você como alimento de Vida, esperando agora por você com o coração cheio da maior loucura de amor que se possa imaginar.

Como preparar-se bem

Será que todas as vezes que você vai à Missa se prepara para «isso»? Não? Então, tire as consequências.

A primeira e fundamental, segundo me parece, é a que exprime o ditado «amor com amor se paga». Portanto:

a) Seria terrível ir ao encontro de Jesus na Missa e na Comunhão com um coração que carregasse, sem se importar com isso, ofensas graves contra Deus, pecados mortais não perdoados numa boa confissão. Que falta de amor e de respeito! É lógico que a Igreja tenha ensinado sempre, sem mudar jamais, o que hoje ensina o Catecismo da Igreja:

«Quem quer receber a Cristo na comunhão eucarística deve estar em estado de graça. Se alguém tem consciência de ter pecado mortalmente, não deve comungar a Eucaristia sem ter recebido previamente a absolvição no sacramento da penitência» (n. 1415). A Igreja condena o erro dos que dizem que se pode comungar, ainda que se tenha um pecado mortal, desde que a pessoa se arrependa a se proponha a confessar-se depois. Não, a confissão – fora dos casos de grave impossibilidade e necessidade de comungar – deve ser feita sempre antes de receber a Eucaristia («necessidade» de comungar é, por exemplo, o caso de perigo de morte; ou a precisão de fazer a comunhão anual, em circunstâncias onde isso só pode ser feito através de um leigo ministro da Comunhão, por falta de padre).

Depois de esclarecer isso, quero que evite uma possível confusão. Quando, infelizmente, uma pessoa não pode comungar por ter algum pecado mortal não confessado, isso não quer dizer que não possa assistir à Missa com muito proveito (pense na Missa pelas almas, que é de grande proveito para os falecidos, ainda que evidentemente eles não possam comungar). A «necessidade» da confissão prévia é para a Comunhão, não para a Missa. Por isso, se tiver a desgraça de algum dia não poder comungar, vá à Missa, não perca esse tesouro! Peça perdão a Jesus no coração, e confie em que aquela Missa lhe dará uma grande ajuda do Céu, forças para melhorar e capacidade de entender melhor o valor da confissão frequente.

b) Voltemos a pensar – como víamos antes – que a Missa é o máximo ato de amor de Cristo, que nela você vai ao encontro de this tremendous lover (esse tremendo amante), como diz o poeta Francis Thompson. Se está convencido disso, sentirá naturalmente o desejo de se preparar fazendo, por dentro, muitos atos de contrição também pelos pecados veniais: «Perdão, Jesus, por essas faltas que não são mortais, mas são indelicadezas!». E fará atos de fé, de esperança e de amor. Antes de ir à Missa, medite bem no que vai fazer, reze algumas das preces que os bons livros de orações trazem para «antes da Comunhão».

O melhor mesmo seria fazer, antes da Missa, em casa ou na igreja, uns minutos de oração mental. Às vezes isso será difícil (pois outras pessoas da família se atrasam, ou você viajou e chega em cima da hora, etc.), mas sempre se pode conseguir um pouco de recolhimento interior e dizer breves orações no carro, na condução ou andando pela rua.

c) Antes lhe falava da diferente preparação que deveríamos fazer conforme fôssemos simplesmente encontrar um colega, ou fôssemos visitar o Papa. Pois bem, na Missa e na Comunhão nos espera, nos acolhe, vem a nós, alguém infinitamente maior que qualquer outro ser humano, por importante que seja: Jesus, Deus e Homem. Acha lógico irmos ao encontro dEle relaxados, usando por comodismo bermuda, camiseta e chinelos; ou, no caso das mulheres, vestindo um tipo de roupa – ou de escassez de roupa – que em nenhuma hipótese ousariam usar numa visita ao Papa? Então, repito o que antes lhe dizia: tire as consequências.

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