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O coração que o fogo não destruiu: um milagre pós-martírio no Rio Grande do Sul

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Aleteia Brasil - publicado em 21/12/15

Uma história sobre aqueles que a mídia laicista e os professores marxistas caluniam chamando de "cruéis evangelizadores dos índios"

O padre Roque Gonzalez (1576-1628) nasceu de uma família da alta sociedade do Paraguai e veio trabalhar entre os índios no Caaró, atual Rio Grande do Sul (Brasil). Além de lhes ensinar os princípios cristãos, o padre formou núcleos de resistência indígena contra a brutalidade praticada por uma parcela dos colonizadores europeus.

Eram as reduções, formadas por uma praça central com a igreja, a escola e outras repartições voltadas a orientar os índios no cultivo da terra, no trato dos rebanhos e uma série de outras questões econômicas e sociais.

Não só o padre Roque, mas também os padres Afonso Rodrigues e João del Castillo, todos jesuítas, se dedicavam por inteiro à missão de conversão e proteção dos índios num trabalho pioneiro e comunitário que se estendeu por muitas regiões. Infelizmente, ele encontrou a oposição de gente gananciosa e invejosa: entre essas pessoas estava um pajé, que, sentindo abalada a sua liderança, açulou um pequeno grupo de revoltosos contra o missionário.

Em 19 de novembro de 1628, ia ser inaugurado o sino da igreja na aldeia dos índios guaicurus, no Caaró. O povo se aglomerou ao redor e tudo corria bem. Mas o assassinato dos padres Roque Gonzalez e Afonso Rodrigues já tinha sido tramado à surdina pelo pajé da aldeia. Um pequeno grupo de revoltosos se misturou aos fiéis na hora da bênção. Quando o padre Roque se abaixou para erguer o sino, um deles desferiu dois golpes de machado de pedra contra a sua cabeça. O padre Afonso foi vítima da mesma crueldade. Em seguida, o grupo ateou fogo à igreja, retalhou os corpos dos dois mártires e os lançou às chamas.

No dia seguinte, voltaram para ver as ruínas. Do peito do cadáver do padre Roque, parecia ouvir-se uma voz: “Meus filhos, ainda que me matem, não me afastarei de vocês”. Aterrorizado, o cacique mandou abrir o peito do sacerdote e arrancar-lhe o coração. Espetou-o numa seta e novamente o atirou no fogo.

O coração do padre Roque, no entanto, não foi consumido pelas chamas. Alguns piedosos o recolheram intacto, fruto de um estupendo milagre, e o guardaram. Hoje o coração de São Roque Gonzalez está guardado na Capela dos Mártires do Colégio Cristo Rei, na cidade de Assunção, Paraguai, e é venerado como relíquia.

Os padres Roque Gonzalez e Afonso Rodrigues (+15/11/1628) foram martirizados em Caaró e o padre João del Castillo (+17/11/1628) em Pirapó. Os três foram canonizados em 1988, por ocasião da visita do papa João Paulo II.

A partir de postagem de Almas Castelos

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