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Cantor global que vive a castidade concede entrevista a Cecilia

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Entrevista com Felipe Alcântara (Os Gonzagas)

1 – Primeiramente, conte-nos um pouco de sua trajetória musical. Como surgiu a ideia de criar uma banda “em família”?

A música entrou na minha vida desde muito cedo, na verdade trago no DNA o amor pelo som. Meu avô era maestro e passou para os filhos um pouco do conhecimento de música, meu pai apesar de ter a advocacia como profissão, todos os fins de semana tinha o hábito de se juntar com amigos e familiares para tocar e cantar, e acompanhando isso desde cedo, aos 4 anos de idade eu já comecei a arriscar as primeiras experiências com a música, tocando percussão. Com 9 anos de idade me interessei pelo cavaquinho, instrumento que meu pai sempre tocou, e ele foi pacientemente me ensinando a tocar. Aos 14 anos já tocava samba junto a alguns amigos em festinhas de 15 anos, ainda com essa idade também formei uma banda de rock que nunca saiu do quarto de um dos meus amigos, com 16 pra 17 anos comecei a me aprofundar no forró, ritmo que já amava e junto a alguns amigos da escola comecei a tocar e cantar forró (inclusive um deles até hoje me acompanha tocando sanfona na banda, Carlos Henrique). Na altura, formamos um trio pé de serra que vivia tocando nos eventos da escola, e começamos a expandir nosso som. Até então não tratava a música como profissão. Passei um tempo tocando com menos frequência, e quando tive a experiência de morar fora do país, descobri que aquela era minha verdadeira vocação. Em 2010 fui para Lisboa fazer intercâmbio na área de Turismo (curso no qual sou formado), e minha única oportunidade de emprego foi a música. Por lá fiz voz, cavaco e violão em bares, restaurantes, boates, acompanhei artistas brasileiros como Dinho Zamorano, que toca samba, e Rogerinho do Acordeon e Enrique Matos que fazem forró. Ao retornar ao Brasil, descobri que eu deveria assumir a música como profissão, então foi aí que comecei a fazer forró de verdade, sem pensar no retorno que aquilo daria, e sim na vontade de representar esse estilo tão rico e tão nordestino. Cheguei a formar um quarteto de forró com Lucy Alves e logo em seguida veio a ideia de juntar os amigos da escola com os quais eu sempre fiz forró. Os Gonzagas sempre foi uma banda de família, afinal de contas, no inicio da formação, eram 3 irmãos e um primo, hoje um dos irmãos se mantém na formação e os demais já não estão mais.

2 – Papa Bento XVI diz que evangelizamos a cultura quando valorizamos e divulgamos o melhor dessa cultura. De certa forma, a escolha de voces de resgatar um pouco do autentico forró é um verdadeiro “nadar contra a corrente” nos tempos de hoje. Foi um desafio apostar na autenticidade?

Com certeza foi, e é um desafio. Costumamos brincar dizendo que estamos percorrendo os caminhos que Luiz Gonzaga não percorreu. As pessoas atualmente carecem de mensagens do bem nas letras das canções, carecem de músicas que engrandeçam o coração, que as façam se sentir melhor de alguma forma. As vezes não precisa de letras rebuscadas, basta carregar uma mensagem leve, que de alguma forma possa mudar o humor, ou fazer a pessoa refletir sobre um momento que está vivendo, ou traga uma identificação com as palavras nordestinas utilizadas, ou simplesmente sentir vontade de dançar ao som de uma sanfona, uma zabumba e um triângulo, sem ser acompanhada por letras que possam machucar alguém. A nossa música ao mesmo tempo que visita os clássicos da música nordestina, mostra que o forró é atual, que podemos sim comunicar para todas as gerações, principalmente os mais jovens, sem precisar apelar. Temos influências de vários estilos musicais como rock, reggae, samba, e outros, o que faz com que nossa sonoridade tenha uma autenticidade que traz o selo do nordeste através do sotaque, e do modo que a música é pensada e realizada. De certa forma, somos nordestinos, paraibanos, de João Pessoa, fazendo som, e por mais que misturemos, nosso forte é o forró. O sentimento de nadar contra a maré se dá mais quando percebemos que as pessoas não consomem música com conteúdo por falta de alternativa, pois chegam a elas apenas aquelas músicas que destroem muitas vezes os valores baseados no amor, na família e no respeito. Temos a consciência que o trabalho que fazemos demora mais a ser assimilado, mas ele é perene. Por isso, fazemos questão em insistir e acreditar, pois nossa missão é maior do que apenas tocar em grandes palcos, ou ganhar dinheiro; buscamos levar alegria, amor, paz, união, família e principalmente esperança por onde passamos.

3 – Todos já sabem da “revolução” causada na vida de vocês após a participação da banda no programa Super Star, da Rede Globo. Mas além dessa revolução, houve a revolução do seu encontro com Deus, Felipe. Como foi isso?

Sem dúvida, a revolução maior foi no meu encontro com Deus. Quem me conhece mais de perto sabe que o programa na verdade foi um grande pretexto que Deus usou para dizer o quanto Ele me ama, e mesmo eu sendo tão limitado, pecador e ingrato, Ele se mostrou e se mostra fiel a todo momento. Apesar de ter sido criado em um âmbito católico, meus pais nunca me obrigaram a ir à igreja, mas minha avó sempre me ensinou muito sobre a doutrina da igreja. Entretanto, na minha adolescência fui me desligando das coisas de Deus, e fui criando uma resistência a tudo que a igreja dizia, apesar de acreditar em Deus, e sempre, quando lembrava, fazer minhas orações antes de dormir. Me tornei muito cético, auto-suficiente e resistente à vontade de Deus. Com a chegada de Rafa (minha noiva) em minha vida, ela começou a bater de frente com minhas resistências,e querer me convencer que eu estava errado, tivemos muitas discussões por conta desse assunto. Em 2014, com a morte do meu pai, fui ao fundo do poço, e a partir dessa grande dor comecei a me abrir a ação de Deus em minha vida. Foi quando tive uma grande experiência de conversão, primeiro com Maria, depois com a Eucaristia e, daí por diante, muitas coisas aconteceram. Cheguei a pensar em desistir da música, e já estava conformado com isso. Foi quando durante uma adoração (a última daquele ano) eu estava no último banco da igreja e em um momento de profunda oração eu falava a Deus: “Senhor, esse foi um ano difícil para mim, perdi meu pai, preciso trabalhar com algo que me dê retorno imediato para ajudar a minha mãe, e não quero mais a música na minha vida, então abre uma nova porta.” Foi quando o diácono que ministrava a adoração começou a proclamar: “Deus está me dando uma palavra e é para um músico; Uma outra oportunidade surgirá e é na área musical”. Na hora eu recebi aquela profecia e chorei bastante, pois Deus confirmava através das lágrimas que aquela palavra realmente tinha sido para mim. Com mais ou menos um mês recebemos a ligação da Globo dizendo que tínhamos sido selecionados para participar do programa Superstar, e comecei a entender como Deus age.

4 – No Programa Encontros, da Fátima Bernardes, o anúncio de que você juntamente com sua noiva viviam a castidade ganhou uma enorme repercussão em todo o Brasil. Como voce se sentiu após esse gesto visto por muitos como um gesto de coragem? Como foi se deparar com um mundo que não é mais “acostumado” com posturas desse tipo?

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Song: Passarinho | Singer: Felipe Alcântara
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