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Tensão entre Washington e Havana sobre migração cubana já dura décadas; entenda

<p>As bandeiras de Estados Unidos e Cuba são vistas em Miami, no dia 20 de dezembro de 2014</p>

Agências de Notícias - publicado em 13/01/17

O presidente Barack Obama virou na quinta-feira a página de décadas de tensão entre Washington e Havana em torno da migração, ao eliminar o dispositivo que permitia que cubanos que chegassem ilegalmente aos Estados Unidos conseguissem residência.

Mais de dois milhões de cidadãos de Cuba – que atualmente conta com 11,2 milhões de habitantes – migraram no último meio século. Quase 80% deles o fizeram aos Estados Unidos, e sobretudo à Flórida, 150 km ao norte da Ilha.

Primeiras ondas

Nos três primeiros anos depois da Revolução cubana de 1959, quase 300.000 cubanos abandonam a ilha, na maioria dos casos pessoas vinculadas à extinta ditadura de Fulgêncio Batista. Nesta época, Havana estabelece seu sistema de vistos de saída indispensáveis para os candidatos a viajar, e confisca os bens dos migrantes.

Nos anos seguintes, as nacionalizações e expropriações empurram milhares de cubanos ao exílio.

Os Estados Unidos, que desejavam acolher os candidatos à imigração, adotam em 1966 a Lei de Ajuste Cubano, que oferece facilidades de instalação aos imigrantes da ilha. Segundo Havana, esta lei incita a imigração selvagem e perigosa através do estreito da Flórida, assim como o tráfico de pessoas.

A emigração política da década de 1960 é seguida por uma emigração mais econômica, de cubanos que fogem de um sistema que os confina à sobrevivência.

Crise migratória

Em 1980 explode uma primeira crise, quando 10.000 pessoas encontram refúgio nos jardins da Embaixada do Peru em sua busca pelo exílio. Fidel Castro abre o porto de Mariel, 50 km a oeste de Havana, aos barcos procedentes da Flórida.

Um total de 125.000 pessoas conseguem chegar, assim, aos Estados Unidos. Fidel Castro aproveita a ocasião para esvaziar prisões e hospitais psiquiátricos. Desde então, Cuba se nega a acolher os milhares de nacionais com antecedentes criminais que os Estados Unidos querem extraditar.

Em 1994 ocorre outro êxodo, quando os “balseiros” se lançam ao mar a bordo de qualquer embarcação precária que conseguem encontrar ou fabricar. Um total de 37.000 deles conseguem chegar aos Estados Unidos, mas as condições difíceis de viagem também deixam milhares de mortos e desaparecidos.

Novo fluxo após o degelo

Em 1995 é instaurada a política de “Pés Secos, Pés Molhados”, que permite que os migrantes cubanos que chegam a terra firme americana, ainda que sem nenhum tipo de visto, permaneçam e se beneficiem de mecanismos agilizados para obter residência permanente; enquanto os que são interceptados no mar são devolvidos ao seu país.

Esta política foi suspensa na quinta-feira.

Em 2013, uma reforma migratória cubana suaviza as condições de viagem e permite que muitos cubanos transitem legalmente por terceiros países, a partir dos quais podem chegar à fronteira americana. Ao mesmo tempo, as autoridades de Washington admitem todos os anos mais de 20.000 cubanos.

Com a retomada das relações bilaterais iniciada no fim de 2014, é observado um aumento das saídas, motivadas pelo temor – justificado diante da decisão de quinta-feira – de que fossem suprimidos privilégios concedidos exclusivamente aos migrantes cubanos nos Estados Unidos.

Segundo o Pew Research Center, que cita dados oficiais americanos, o número de migrantes cubanos que chegaram aos Estados Unidos passou de 24.278 no ano fiscal 2014 a 43.159 em 2015, e 46.635 nos 10 primeiros meses de 2016.

(AFP)

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