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Jovens nigerianas libertadas do Boko Haram são recebidas por presidente

Des otages camerounais libérés des griffes de Boko Haram © REINNIER KAZE / AFP

Cameroonian hostages, who were released to the Cameroonian authorities after being kidnapped in raids blamed on the Nigerian Islamist group Boko Haram, arrive in Yaounde on October 11, 2014. Ten Chinese and 17 local hostages have been released in Cameroon, where they were kidnapped earlier this year in raids blamed on Boko Haram, Cameroon's President Paul Biya said. AFP PHOTO/REINNIER KAZE / AFP / Reinnier KAZE

Agências de Notícias - publicado em 07/05/17 - atualizado em 07/05/17

As 82 estudantes nigerianas de Chibok, libertadas no sábado após mais de três anos de cativeiro nas mãos do grupo extremista islâmico Boko Haram, chegaram neste domingo em Abuja, onde serão recebidas pelo presidente Muhammadu Buhari.

Estas “82 jovens de Chibok estão agora em Abuja”, declarou Femi Adesina, porta-voz da presidência.

As adolescentes fazem parte das 276 estudantes sequestradas em seu colégio pelos extremistas em 2014.

Divulgado pelos jornais do mundo inteiro, esse sequestro coletivo provocou uma onda de indignação, à qual muitas celebridades do mundo todo aderiram nas redes sociais com a hashtag #bringbackourgirls.

Na época, as meninas tinham entre 12 e 17 anos de idade.

“O presidente tem o prazer de anunciar que as negociações para a libertação de outras meninas de Chibok deram frutos, com a soltura de 82 delas”, declarou Garba Shehu, porta-voz da presidência, em uma declaração neste domingo.

O presidente “expressou sua profunda gratidão às agências de segurança, ao exército, ao governo da Federação Suíça, à Cruz Vermelha, bem como às ONGs locais e internacionais”, ressaltou.

A libertação é uma vitória para Buhari, que fez deste assunto e da luta contra o Boko Haram uma de suas prioridades.

As 82 estudantes libertadas no sábado foram trocadas por prisioneiros do Boko Haram, segundo a presidência.

Não foram divulgados oficialmente detalhes sobre a troca de prisioneiros, mas segundo alguns especialistas trata-se de comandantes da facção dirigida por Abubakar Shekau.

“Parece que estão bem, mas muito magras”, indicou à AFP o membro de uma milícia de autodefesa de Banki sobre as meninas, uma das quais estava, de acordo com ele, acompanhada por uma criança com menos de dois anos.

‘Amputadas’

Duas delas foram amputadas. Uma de uma perna depois de um bombardeio do exército nigeriano contra postos do Boko Haram, e outra de uma mão por causa de um ferimento infectado durante o cativeiro, explicou à AFP.

Em outubro de 2016, 21 jovens foram libertadas. Algumas delas deram à luz no cativeiro, após negociações entre Boko Haram e o governo, com a ajuda do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) e da Suíça.

Naquele momento, o porta-voz da presidência afirmou que a libertação de outras 83 jovens estava sendo negociada.

Novamente, o CICV forneceu importante apoio logístico para esta libertação, segundo testemunhos obtidos pela AFP.

Após esta libertação, restam 113 estudantes nas mãos do Boko Haram. Cinquenta e sete jovens conseguiram escapar dos islamitas pouco depois do sequestro e três outras foram encontradas perto da floresta de Sambisa, reduto da facção do Boko Haram dirigida por Abubakar Shekau, que afirma deter as adolescentes.

Na sexta, as embaixadas britânica e americana disseram ter recebido um informe, segundo o qual o Boko Haram planejava um sequestro de nacionais estrangeiros “ao longo do eixo Banki-Kumshe”.

Particularmente ativas nessa região devastada por oito anos de conflitos, as ONGs tiveram de suspender suas atividades nessa área.

“O Boko Haram continua a sequestrar mulheres, meninas e meninos”, denunciou recentemente Makmid Kamara, representante da Anistia Internacional para a Nigéria.

“Infelizmente, (…) a maioria desses sequestros não são noticiados. Muitos parentes e famílias inteiras abandonaram a esperança de reencontrá-los”, alertou.

O conflito, particularmente sangrento contra o grupo Boko Hrama na zona do lago Chade, deixou mais de 20 mil mortos e 2,6 milhões de deslocados.

(AFP)

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