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Assim morreu a santa que viu Nossa Senhora de Lourdes

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Aleteia Brasil - publicado em 10/05/17

Um comovente relato da partida de Santa Bernadette para a vida eterna
Uma superiora visitou-a no leito das dores: – Que faz aqui, minha preguiçosa? – perguntou sorrindo, amável. – Minha Madre, eu estou no meu ofício. – E que ofício é o seu, minha filha? – O meu ofício é sofrer e estar doente. Mandaram-lhe um crucifixo para a cabeceira da cama. – Sou mais feliz – disse Bernadette – com o meu Cristo no leito de dores do que uma rainha no seu trono. Às crises de asma, dolorosas e terríveis, juntaram-se os vômitos de sangue, a opressão do peito e dores intoleráveis causadas por um abcesso que se formou no joelho direito. Mais um tumor e uma aquilose. Os sofrimentos eram horríveis e a vítima tinha já a face cadavérica. Não dormia um só instante. Às vezes, a natureza deixava escapar um grito de dor, mas a Irmã Maria Bernarda (Bernadette) humilhava-se e sorria heroicamente, repetindo: – Perdão, meu Jesus! Meu Deus, eu vos ofereço o meu sofrimento! Meu Deus, eu vos amo! O capelão do mosteiro lhe disse que pensasse no Céu e que iria contemplar a beleza da Imaculada. – Oh -respondeu ela -, como este pensamento me faz bem! Às vezes, murmurava com almejo do Céu: – Oh, Céu! Dizem que muitas almas não foram diretamente para o Céu porque não o desejaram bastante aqui no mundo. Isto não acontece comigo! Ah, vamos para o Céu, trabalhemos, soframos pelo Céu! O resto nada vale. A moléstia se agravava cada vez mais. Ela, sempre resignada. Disse então: – Ó cruz, vós sois o altar no qual eu quero me sacrificar com Jesus agonizante. O coração de Jesus é o meu tesouro. No coração de Jesus viverei e morrerei em paz no meio dos sofrimentos. Despojou-se de tudo que possuía: algumas imagens e santinhos. Só conservou um crucifixo. – Só tenho necessidade dele. Só ele me basta. Depois da festa de São José, disse: – Eu pedi a São José uma só graça: a graça de uma boa morte. No dia 28 de março, a superiora lhe perguntou se desejava receber a extrema unção. Aceitou-a com alegria! Às duas horas da tarde, o capelão lhe administrava o sacramento dos enfermos. Recebeu-o com edificante fervor em presença de boa parte da comunidade. – Minhas irmãs, peço-vos perdão por todos os aborrecimentos e trabalhos que vos dei, das minhas infidelidades na vida religiosa e do mau exemplo que dei às minhas companheiras, sobretudo pelo meu orgulho. O olhar de Bernadette, durante toda a doença, conservou-se belo, vivo, impressionante. Era aquele olhar da visão de Massabielle. O demônio a tentava, Nosso Senhor permitia, a fim de purificar ainda mais aquela almazinha privilegiada. Ela ficava num estado de agonia dolorosa e horrível, com a face em expressão de espanto, e repetia: – Vai-te, Satanás! Vai-te, Satanás! O capelão lhe disse: – Ofereça a Jesus o sacrifício da vida, minha filha. – Que sacrifício, meu padre? Não é sacrifício deixar esta pobre terra, onde se encontra tanta dificuldade para servir a Deus! Perguntaram-lhe: – Sofre muito, minha irmã? – Sim, mas tudo é bom para o Céu – respondeu, com doce resignação. – Eu vou pedir à boa Mãe do Céu que lhe dê alguma consolação, minha Irmã Maria Bernarda. – Não, não – repetiu ela -, não peça consolações. Peça a Nossa Senhora força e paciência para mim. Só isto… Quarta-Feira Santa, o capelão foi chamado às pressas para a Irmã Maria Bernarda. Ela estava na poltrona, sentada, sem poder respirar, num martírio cruel. Confessou-se pela última vez. – Minha filhinha – disse-lhe a Madre superiora -, agora está na cruz, não é? Bernadette abriu os braços em forma de cruz e murmurou: – Meu Jesus! Meu Jesus! Oh, como vos amo! Para não perder o crucifixo, pediu que o pusessem em seu peito. Recitaram a oração dos agonizantes. Ela repetia as jaculatórias que lhe diziam ao ouvido. Uma hora antes da morte, ficou tranquila, fitou um ponto do alto. Depois exclamou, feliz, três vezes: – Oh! E alguns segundos depois: — Meu Deus, eu vos amo de todo o meu coração, de toda a minha alma, com todas as minhas forças. Tomou o crucifixo, beijou-o, pediu perdão à comunidade e disse: – Eu tenho sede! Deram-lhe água. Apenas molhou os lábios. Fez o sinal da Cruz, aquele admirável sinal da Cruz que só ela sabia fazer. Murmurou, alguns instantes depois: – Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim, pobre pecadora… pobre pecadora… E expirou suavemente. Eram três horas e um quarto de tarde de Quinta-Feira Santa, 16 de abril de 1879.

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Mons. Ascânio Brandão, em “Santa Bernadette, a confidente de Lourdes”, Ed. Vozes, 1956, 3ª. edição

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