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Vaticano abriu 22 investigações financeiras suspeitas em 2016

© Gabriel BOUYS / AFP
El torreón de Nicolás V, sede del IOR
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A Autoridade de Informação Financeira da Santa Sé (AIF), agência responsável por monitorar a transparência econômica, anunciou nesta terça-feira que ordenou a abertura de 22 investigações sobre irregularidades cometidas em 2016 através do Vaticano.

O presidente da AIF, René Brülhart, explicou a repórteres que o sistema de monitoramento das atividades financeiras da Santa Sé é cada vez mais eficaz e que os casos ficarão a cargo do Ministério Público.

O banqueiro suíço, nomeado em 2012 sob o pontificado de Bento XVI, apresentou nesta terça-feira o relatório anual da organização.

Apesar de ser um sistema relativamente jovem, registrou “um aumento significativo da cooperação bilateral” através da troca de informações com as autoridades financeiras de outros países.

Em 2016, cerca de 721 pedidos de informação foram enviados pela autoridade do Vaticano, enquanto que as autoridades estrangeiras acionaram a polícia do Vaticano 116 vezes.

No ano passado, o número de “relatórios” apresentados por transações suspeitas caiu para 207 em relação ao ano anterior, que foi de 544, o que demonstra que o sistema está se tornando “mais eficaz”, indicou Tommaso Di Ruzza, diretor do organismo.

Os relatórios dizem respeito a contas do Instituto de Obras Religiosas (IOR, “o banco do papa”), localizado em uma torre medieval na Cidade do Vaticano, e parte deles vão para as mãos do promotor do Vaticano para maiores controles.

Como parte da luta contra a lavagem de dinheiro, o Vaticano suspendeu em 2016 mais de dois milhões de transações e operações duvidosas. E mais de 1,5 milhão de contas e fundos foram congelados no ano passado.

A grande limpeza do banco do Vaticano, envolvido em escândalos por ligações com a máfia e lavagem de dinheiro, foi concluída no final de 2015, com o encerramento de cerca de 5.000 contas do IOR.

Os estatutos do banco, que não foram alterados, ainda autorizam a abertura de contas para receber doações. Mas o banco quer se concentrar em prestar serviços a congregações religiosas e a funcionários do Vaticano.

Em 2016, o Vaticano assinou vários acordos para uma maior transparência fiscal que exigem o respeito das regras internacionais para a partilha de informação financeira. Entre os países que assinaram acordos estão Albânia, Áustria, Brasil, Canadá, Itália, Panamá, Polônia e Rússia. Entre 2011 e 2016, o Vaticano assinou 32 tratados sobre este assunto.

(AFP)

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