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O dia em que uma bomba caiu na igreja e as hóstias ficaram manchadas de sangue

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Fray Ibrahim con monjes franciscanos en Alepo

Alfa y Omega - publicado em 24/05/17

Um frade de Alepo interpreta isso como um sinal da presença de Deus

No dia 25 de outubro de 2015, um projétil dos jihadistas atingiu a paróquia de São Francisco em Alepo, na Síria, enquanto o frade Ibrahim dava a comunhão. A bomba não estourou, mas houve feridos. “As hóstias ficaram manchadas com o sangue dos fiéis. Fiquei muito impressionado. Foi um sinal irrevogável da presença do Senhor em comunhão conosco”.

“Não me permita ver as necessidades sem poder enfrenta-las”, pediu o franciscano a Deus antes de chegar a esta cidade. E foi ouvido. Desde que chegaram, os franciscanos entregam pacotes de comida cada vez mais completos e a mais famílias. Dão todo o dinheiro que têm para pagar remédios, aluguéis e até para quitar hipotecas atrasadas.

Em fevereiro de 2015, os bancos fecharam o cerco contra  as famílias de Alepo que ainda viviam em suas casas, embora elas estivessem danificadas e mesmo que muitos deles tivessem perdido seus trabalhos e negócios por causa da guerra. Os bancos ameaçavam despejar os moradores com pagamentos atrasados.

Durante a guerra de Alepo, que terminou em dezembro, os religiosos ajudavam depois de cada bombardeio, arrumando as casas que tinham perdido paredes e até as que foram destruídas.

E quando corta a água – antes da Semana Santa, faltou água durante 70 dias – eles deixam as portas do convento abertas durante todo o dia. Lá há dois canos que levam água do poço para a rua. Eles compraram recipientes para as casas e um grupo leva o líquido para quem não pode carregar.

O franciscano é consciente de que, sem a força de Deus e da oração nada acontece.  “Cristo está presente no meio do seu povo e o ajuda através de seus pastores. A fadiga que sentimos não é um obstáculo”, diz Ibrahim.

Com olheiras, o frade reconhece que dorme pior agora. Em princípio, as bombas não o acordavam. Agora, ele acorda com qualquer barulhinho. Um dia de 2016, depois de horas visitando famílias, um coroinha lhe disse: “Quando o senhor chegou aqui, o senhor sempre sorria. Agora, não”.

Não poucas vezes, as palavras dele transparecem a perplexidade: “Já não temos a percepção do que acontece e não sabemos de quem é a culpa. Já não somos capazes de encontrar um significado para isso. Ficamos sem palavras”.

Houve dias especialmente extenuantes, como o do funeral de Bassam, um menino de 8 anos que foi atingido com uma bala na cabeça enquanto brincava. “Para mim foi uma luta terrível contra o caos e o despreparo da família e da comunidade”, desabafa o frade.

Ao mesmo tempo em que ele acompanhava os pais da criança, tentava acalmar o resto dos familiares e os escuteiros, que queriam fazer protestos com o caixão.

Alguns dias, o frade chegou a se sentir “rasgado” com todos os pedidos que chegavam: “ficávamos sem palavras diante de tudo o que  tínhamos a fazer pela frente. Tive que confiar completamente na Providência, na certeza de Deus não me abandonaria”.

A confiança dos frades em Deus é acompanhada dos próprios sacrifícios. Ainda hoje, eles tomam banho com apenas um litro de água e jejuam. “Decidimos experimentar o que significa a fome”, diz.

Em meio a tanta atividade, os franciscanos de Alepo de desdobram para manter a fé dos fiéis. A paróquia de São Francisco oferece duas Missas diárias, catequese e diversos grupos e direção espiritual.

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Por María Martínez López

Artigo originalmente publicado porAlfa y Omega, traduzido e adaptado ao português

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