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Cardeal acusado de abuso sexual retorna à Austrália

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Cardinal Pell gives a catechesis at World Youth Day in 2011

Agências de Notícias - publicado em 29/06/17

“Agora estou contente por finalmente poder defender-me nos tribunais", disse o cardeal Pell

O retorno à Austrália do número três do Vaticano, o cardeal George Pell, acusado nesta quinta-feira de abuso sexual pela justiça de seu país, provocou uma nova tormenta na Santa Sé.

Há quatro meses, uma vítima irlandesa deixava uma comissão de especialistas contra a pedofilia, denunciando a falta de cooperação do Vaticano.

George Pell havia sido de fato acusado em 2002 de abuso sexual por casos muito antigos. No entanto, foi inocentado e chamado a Roma em 2014 por Francisco para dirigir um projeto de reformas econômicas no Vaticano.

“Este é um duro golpe para o papa”, considera Iacopo Scaramuzzi, especialista em Vaticano na agência de notícias italiana Aska.

“Não acho que este papa não faça nada sobre pedofilia, mas ele não quer se concentrar em casos específicos. Ele quer reviver a Igreja”, diz o observador.

Quanto ao caso de Pell, o Papa Francisco decidiu deixar a justiça australiana seguir seu curso, sem exigir uma renúncia. O cardeal será, no entanto, proibido de participar de eventos litúrgicos públicos.

O mandato no Vaticano de Pell está no final e o prelado australiano de 76 anos pode nunca mais voltar a Roma.

“Uma eventual condenação criminal do cardeal Pell por abusos sexuais seria sem precedentes”, ressalta Francesco Grana, vaticanista do jornal Il Fatto Quotidiano.

Esta semana, o papa Francisco rebaixou ao estado laico Don Mauro Inzoli, um padre italiano condenado por pedofilia e apelidado de “don Mercedes” pela imprensa italiana por seu gosto pelo luxo.

Tolerância zero

O papa criou em 2014 a “Comissão pontifícia para a proteção dos menores”, a fim de mudar a lei do silêncio da Igreja face a clérigos pedófilos e apresentar propostas para a prevenção.

O papa Francisco, que defende uma “tolerância zero”, recomendou que os bispos que protegeram pedófilos renunciassem.

Santa Sé e cardeal Pell

A Santa Sé expressou respeito pela justiça australiana, que deverá decidir o mérito das questões levantadas. Chamado a comparecer no Tribunal no próximo 18 de julho, o cardeal Pell reiterou sua inocência anunciando – em declaração na Sala de Imprensa da Santa Sé – que se defenderá “com todas as forças” destas “falsas” acusações.

“Trata-se de um acirramento sem trégua”, afirmou o cardeal Pell, mas “agora estou contente por finalmente poder defender-me nos tribunais. Reitero a minha inocência em relação a estas acusações. São falsas. A própria ideia de abusos sexuais é para mim repugnante”.

“O processo judiciário me dará a oportunidade de rechaçar todas as acusações e de retomar meu trabalho em Roma”, disse o cardeal.

(Com Agências Internacionais)

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