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Se a maternidade causa dor, por que ela vale a pena?

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Não é à toa que a palavra de Deus, muitas vezes, usa a imagem da mãe para falar de dor

Ao confirmar que estava grávida, fui à consulta médica; ao ser examinada com muito carinho, ouvi a voz firme e serena da médica a me dizer: gravidez causa dor.

Saí de lá questionada: “Como assim? Gravidez dói? Sempre ouvi dizer que a gravidez é o momento mais lindo na vida de uma mulher, ainda mais quando a desejamos”.

É isso mesmo, momento único e inesquecível, mas com dor! Posso afirmar que só sabemos o que é ser mãe quando nos tornamos uma. A vida se modifica de muitas maneiras: o corpo, a mente e até o espírito sofrem grandes metamorfoses!

Viva a experiência

Comparo a gestação e toda maternidade em si como um “ouro em nossa experiência existencial”; e bem sabemos que o ouro, para ser provado, precisa passar pelo fogo. Da mesma forma, compreendo que a maternidade precisa passar pela prova do amor e da doação, este é o fogo que torna tão preciosa a aventura de ser mãe.

Não se assuste, a maternidade é assim mesmo, prova a sua capacidade de doar-se gratuitamente, dar de si para que o outro possa ser.

É belo ver imagens de mães com seus bebês dormindo tranquilamente em seus braços, como também é belo ver uma mãe amamentando seu filhinho. Aquelas fotos que vemos em sites de bebês ou até nas revistas que compramos para entender melhor o que estamos vivendo, todas elas apresentam sorrisos e rostos maquiados de profunda “alegria”.

Alegria da maternidade

Não quero ser pessimista ou dizer que não há alegria, não mesmo, pois ser mãe é a maior alegria que uma mulher pode ter! No entanto, só uma mulher que passou pela experiência de ser mãe sabe compreender essas imagens além do que elas são. Só mães entendem que, por trás daquele sorriso, há muitas lágrimas, noites mal dormidas, exaustão física e mental.

Passamos por enjoos, náuseas, dores nas costas, não dormimos mais o quanto queríamos, sentimos as dores do parto e as dores das mamas. Não é à toa que a palavra de Deus, muitas vezes, para falar de dor, usa de forma metafórica a imagem da mãe.

Quando minha médica disse que gravidez dói, na hora não entendi, mas, depois desses seis meses de convivência com minha filha, somados aos nove meses de gestação, compreendo melhor o quanto há verdade em sua fala.

Desde o início da gestação, passei por enjoos, náuseas, dores físicas; quanto ao parto, precisarei de um novo espaço para lhe contar sobre ele! Já adianto que foram 15 horas de dores intensas para minha filha nascer de parto normal, foi como quebrar os ossos sem anestesia, ou mais ou menos por aí.

A amamentação? Quanta dor nas primeiras mamadas! Mas fui aguentando firme, amparada pelo meu esposo, que muitas vezes precisou ficar aos meus pés, segurando firme, para que eu pudesse suportar cada sugada de minha bebê! Mesmo assim, após aproximadamente 15 dias, minha mama desenvolveu cinco abscessos, dava de mamar para minha filha com minhas lágrimas dolorosas caindo em seu rostinho faminto de leite. Na consulta com a médica, fui orientada a interromper a amamentação, e ela ainda me dizia: “Como você ainda consegue amamentar? Uma mulher com um abscesso na mama já não suporta a dor, e você está com cinco!”.

Consequência? Precisei ir à sala de cirurgia, 15 dias após o parto, para drenar a mama. Mesmo assim, precisei interromper a amamentação no peito.

Gravidez dói?

Aí você me pergunta: “Se a maternidade lhe causou tanto sofrimento, por que vale a pena?”. Desculpe-me, a maternidade não causa sofrimento, mas sim dores.

Dor você sente fisicamente, mas o sofrimento você sente na alma. O que vivi foram dores, dores intensas, mas em momento algum sofrimento! As dores no corpo não impossibilitaram minha alma de se encher de alegria, pois amor é doação. Amor é força primitiva, não passa muito pela mente, mas sim pelo coração! Deixe a mãe com seu bebê e ela saberá o que fazer. Basta abrir-se a amar e a doar-se!

Você se realiza quando compreende que a relação íntima que estabelece com seu filho estrutura os alicerces de sua personalidade, promove o desenvolvimento emocional e a capacidade de suportar as frustrações que, mais cedo ou mais tarde, surgirão em seu caminho.

Amor incondicional ao filho

Você descobre nas coisas rotineiras algo muito importante: “Desde o ventre, seu filho já é um ser humano distinto de qualquer outro”. De sua parte, basta oferecer-se como uma pessoa a ser encontrada, para que ele possa encontrar, por trás do seio ou da mamadeira, uma mulher que se oferece sem reservas para o filho.

O amor de mãe é um dos vínculos mais poderosos na formação de uma pessoa, é o que alicerça a saúde mental do ser humano em desenvolvimento. E os primeiros dias, semanas e meses do bebê são determinantes para toda uma vida futura!

Volte-se inteiramente para seu bebê, pois se hoje você dá uma parada no seu ritmo em prol dele, saiba que está ritmando a vida dele para sempre! A natural perda de interesse nas coisas do mundo, por parte de uma mãe nos primeiros meses do filho, é a base de formação do mundo deste novo membro da sociedade! O bebê percebe quando a mãe está se dedicando no amor ou na obrigação. Ele percebe seu amor nas roupas macias que usa ou na água em temperatura ideal do banho que você preparou para ele.

Desfrute e divirta-se com sua maternidade. Se você ainda não é mãe e deseja ser, peço que, ao terminar essa leitura, procure preparar-se bem para acolher o dom que é a maternidade.

Eu amo ser mãe, sou realizada na maternidade. Amo minha família.

Por Letícia Cavalli Gonçalves, via Canção Nova

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