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República Democrática do Congo: por que a Igreja é atacada?

Alexis HUGUET / AFP

Miriam Diez Bosch - publicado em 16/08/17

Testemunho de uma missionária sobre a situação instável do país

Sessenta paróquias profanadas e fechadas, 31 centros de saúde católicos saqueados, 141 escolas católicas destroçadas e fechadas, 3698 casas destruídas, 20 povoados completamente derrubados.

Uma “balcanização” da República Democrática do Congo. É assim que os próprios bispos do país definem o caos na região.

Os religiosos denunciam “o sequestro e assassinato de crianças, raptos de pessoas, roubos recorrentes à mão armada e ataques a paróquias e outras estruturas da Igreja Católica”.

Para compreender melhor a situação, entramos em contato com a missionária carmelita Vedruna Maria-Núria Solà, cujo sonho, desde pequena, era “ir às missões”. Atualmente, ela está em Kinshasa.

Perguntamos a ela: por que esses ataques aos católicos? “O problema não é que haja uma repressão aos cristãos, como acontece em outros países islâmicos.”, comenta à Aleteia.

“A Igreja denuncia a situação corrupta”

No Congo, a maioria da população é cristã. É mais um ataque contra a Igreja Católica, pois ela “fala, escreve e age contra as injustiças, a violência e a ditadura camuflada de democracia”, adiciona.

O impasse político pelo qual passa o país (pela Constituição vigente, o presidente não pode voltar a se candidatar depois de dois mandatos) está atrasando as eleições.

A Conferência Episcopal se ofereceu para tentar negociar um acordo entre a oposição e o governo – acordos que foram assinados em 31 de dezembro de 2016 (Acordo de São Silvestre). “Mas não houve solução e, de vez em quando, há distúrbios por parte da oposição”, lamenta a religiosa.

O problema é que alguns culpam a Igreja Católica: “há Igrejas e seitas cristãs favorecidas pelo governo que enfraquecem a denúncia da Igreja Católica, o que explica um pouco os ataques que têm acontecido em várias partes do país”.

“Vivemos uma tranquilidade inquietante, pois nunca sabemos o que pode acontecer amanhã”, confessa a religiosa.

Para a missionária, “a Igreja Católica atua com valentia, continua denunciando as injustiças e, para ser fiel ao Evangelho, não pode deixar de fazê-lo. O único objetivo é o bem comum da população. As comunidades religiosas vivem a insegurança, como qualquer outro cidadão que se oponha e lute pela liberdade e justiça.”

A CENCO, Conferência Episcopal Nacional do Congo, emitiu um comunicado em que alertava para a “inquietude” e a “preocupação” com a “deterioração contínua da situação política”.

Os bispos dizem que “a situação miserável que vivemos hoje é uma consequência da persistente crise sócio-política devida, principalmente à não organização de eleições conforme a Constituição do país”.

Os religiosos ainda afirmam que “uma minoria de cidadãos decidiu sequestrar a vida de milhões de congoleses” e isso é “inaceitável”.

A pobreza na República Democrática do Congo é resultado das contínuas guerras, da exploração da riqueza natural por parte de grandes corporações e de uma grande corrupção existente no país. Na região, meninos são explorados para ser soldados e as meninas sofrem a violência sexual.

Os bispos consideram que “o país vai muito mal”, mas pedem com insistência para que a população “não ceda ao medo nem ao fatalismo”.

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