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Papa Francisco e os divorciados recasados: não à rigidez dos fariseus!

Antoine Mekary | ALETEIA
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Declarações do último livro-entrevista com o Papa, que será lançado na França

Em uma de suas passagens, o livro-entrevista do Papa Francisco, que será publicado em breve nas livrarias francesas, fala sobre comunhão aos divorciados. Nós traduzimos alguns fragmentos do livro “Política e sociedade”, escrito pelo sociólogo francês Dominique Wolton, adiantados com exclusividade pela revista de fim de semana do jornal parisiense Le Figaro.

Há um grande perigo em condenar somente a moral “da cintura para baixo”

Papa Francisco: Mas nós, os católicos, como ensinamos a moral? Não podemos ensinar apenas preceitos como: “Você não pode fazer isso, tem que fazer aquilo, você pode, você não pode”. A moral é uma consequência do encontro com Jesus Cristo. Para nós, católicos, é uma consequência da fé. E para os demais, a moral é uma consequência do encontro com um ideal, ou com Deus, ou consigo mesmo, mas com a melhor parte de si mesmo. A moral é sempre uma consequência.  […] Algumas pessoas preferem falar de moral em homilias ou em cursos de teologia. Há um grande perigo para os pregadores, que é cair na mediocridade… condenar somente a moralidade – desculpe-me – “da cintura para baixo”. Mas os outros pecados, que são mais graves, o ódio, a inveja, o orgulho, a vaidade, matar o outro, tirar a vida… não se fala tanto deles.

 “É possível dar comunhão aos divorciados?”

 […]Algumas pessoas com tendências demasiadamente tradicionalistas combatem isso, dizendo que esta não é a verdadeira doutrina.

Sobre a questão das famílias irregulares, eu disse no capítulo oitavo [da Exortação Apostólica Amoris Laetitia] que há quatro critérios: acolher, acompanhar, discernir as situações irregulares e integrar. Não se trata de uma norma rígida. Isso abre um caminho, um caminho de comunicação. Imediatamente, me perguntaram: “Mas é possível dar a comunhão aos divorciados?”. E eu respondo: “Conversem com o divorciado, com a divorciada, acolham essas pessoas, acompanhem-nas, integrem-nas, diferenciem as situações!”

Infelizmente, nós, os sacerdotes, estamos acostumados com normas rígidas. E assim é difícil para nós “acompanhar o caminho, integrar, discernir, dizer coisas positivas”. Essa é minha proposição […].

Na realidade, o que acontece é que as pessoas dizem: “Não podem comungar”, “Não podem fazer isso ou aquilo”: essa é a tentação da Igreja. Mas não, eu não! Nós encontramos esse tipo de proibições no drama de Jesus com os fariseus. É a mesma coisa! Os grandes da Igreja são os que têm uma visão que vai além, os que compreendem: os missionários.

 

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