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11 de setembro de 2001: o dia que devemos recordar para sempre

Levine-Roberts/Sipa USA/East News
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Existe um limite que a humanidade não deve mais voltar a explorar

Hoje faz 16 anos de um dia em que o mundo pareceu particularmente difícil de reconhecer. A televisão mostrava quase com estupor um suposto acidente que já causava estranhamento em si mesmo. A cobertura ao vivo de quase qualquer evento já era uma realidade em 2001, e, por isso, milhões e milhões de pessoas se perguntavam em tempo real como foi que aquele piloto tinha colidido contra uma das Torres Gêmeas de Nova Iorque numa clara manhã de céu limpo. Foi quando um segundo avião se chocou contra a outra torre e o planeta em peso assistiu à cena no mesmo instante em que, estarrecedoramente, ela acontecia.

O dia 11 de setembro de 2001 se tornou, nas aulas de jornalismo da década seguinte, um daqueles acontecimentos cuja objetividade é abordada pela perspectiva da mais pura subjetividade. O jornalista que chorou, que se comoveu, que afirmou que, apesar da sua trajetória, não tinha palavras diante daquele fato é alguém que entendeu a complexidade humana do que ocorria à sua frente e que acompanhava a rápida reflexão que quase todos fizeram naquela hora: o mundo estava em guerra.

Mas, nos últimos dois anos, o cenário em relação ao 11 de setembro é bem diferente nas turmas de primeiro período de jornalismo na universidade. Quando pergunto se eles se lembram daquele dia, muito poucos, ou mesmo nenhum, levanta a mão. Não é culpa deles, que mal tinham nascido para a vida consciente: eles tinham dois ou três anos quando aconteceu. Pois é: já existem novas gerações de jovens adultos que não viveram aquele momento de estupor que impactou o mundo no tocante ao terror; que nos apresentou com evidência que existe um mal evidente, inexplicável a partir das meras lógicas geopolíticas; um mal que tem nome, terrorismo, mas que não tem qualquer tipo de justificativa.

Os professores de história dos países neutros fazem malabarismos para ensinar que, na guerra fria, havia dois blocos contrapostos em interesses e em ideologias. Diante do 11 de setembro não existe essa necessidade, porque o mal nunca tinha se manifestado com tanta contundência numa tela de televisão.

Houve episódios posteriores, quase ecos daquele dia, igualmente malévolos, mas de bem mais rápido esquecimento mundial – afinal, num mundo que parece vacinado contra o espanto, não choramos mais o necessário, conforme observou o Papa Francisco. Atentados como os de Madri, Nice, Londres, Paris e tantos outros foram todos emoldurados politicamente em cenários mais complexos, que envolviam outros dramas. Mas aquele 11 de setembro não dá tanta margem a interpretações: o homem e as suas divisões culturais e sociais simplesmente tinha caído baixo demais.

Contemplar o espanto envolvido nesse dia nos provoca náuseas. A televisão norte-americana decidiu, há certo tempo, recordar cada 11 de setembro com outro olhar, sem voltar a mostrar as imagens do horror, relatando histórias de superação, de coragem, de unidade. A ferida ainda é recente e dói.

Mas há novas gerações que precisam crescer aprendendo que existe um limite que a humanidade não deve mais voltar a explorar. E o dia 11 de setembro de 2001 nos lembra que temos de fazer tudo o que é humanamente possível para nunca mais cair tão baixo como seres humanos.

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