Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Sexta-feira 15 Janeiro |
Santo Arnoldo Janssen
home iconAtualidade
line break icon

Humanidade pode emitir mais carbono do que se pensava, diz estudo

Free-Photos

Agências de Notícias - publicado em 18/09/17

Apesar disso, “todos os grandes emissores, sem exceção, terão que intensificar seus esforços”

O objetivo ambicioso de limitar o aquecimento global abaixo de 1,5 graus Celsius, previsto no Acordo de Paris, ainda está ao alcance, disseram nesta segunda-feira pesquisadores que calcularam que a humanidade pode ter um “orçamento” permitido para queimar carbono maior do que se pensava anteriormente.

Embora esta seja uma das raras boas notícias no campo das ciências climáticas, não é motivo para complacência, disseram os autores do estudo, publicado na revista científica Nature Geoscience.

Em vez disso, deveria revitalizar os esforços para atingir uma meta que muitos já abandonaram por ser onerosa demais.

“Todos os grandes emissores, sem exceção, terão que intensificar seus esforços”, disse à AFP o coautor do estudo Joeri Rogelj, do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados, na Áustria.

No Acordo de Paris, adotado em 2015 após anos de discussão, cerca de 195 países se comprometeram a limitar o aquecimento global médio “bem abaixo” de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais.

Eles também se comprometeram a “buscar esforços” para atingir a meta mais difícil de 1,5º C, a fim de aumentar as possibilidades de evitar os piores efeitos do aquecimento global.

Em um relatório de 2014, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) disse que a concentração de carbono na atmosfera não deveria exceder 450 partes por milhão (ppm) de CO2 equivalente (CO2eq) até 2100 para que haja uma chance “provável” (66%) de limitar o aquecimento a 2°C.

De acordo com o relatório do IPCC, em 2011 a concentração já era de 430 ppm de CO2eq.

Com base nos números do IPCC, um orçamento de 400 bilhões de toneladas foi calculado como a quantidade máxima de CO2 que a humanidade poderia emitir na atmosfera a partir de 2011 para manter em vista o objetivo de 1,5ºC.

Em 2015, esse número caiu para cerca de 245 bilhões de toneladas.

A nova análise, no entanto, estima que o orçamento restante a partir de 2015 esteja mais próximo de 880 bilhões de toneladas de CO2 – quase quatro vezes maior do que a estimativa da ONU, disse a equipe de pesquisa.

Ações ambiciosas

“Esta é uma boa notícia, mas a pressão não acabou”, disse Rogelj.

As conclusões do estudo “reviveram o objetivo de manter o aquecimento máximo em 1,5º C, o que passou de ser implausível do ponto de vista geofísico e socioeconômica, a ser possível, embora ainda muito desafiador”, acrescentou.

A equipe disse que usou os mesmos modelos de simulação do “Sistema Terra” empregados pelo IPCC para suas projeções, mas também outras ferramentas de modelagem que lhes permitiram explorar uma maior variedade de cenários possíveis.

“Nosso estudo é baseado em uma maior variedade de provas do que havia disponível no momento do relatório do IPCC”, disse Rogelj.

Os resultados mostraram que alcançar a “neutralidade de carbono” até meados do século ofereceria “uma possibilidade real de limitar o aquecimento global a um máximo de 1,5° C”, acrescentou.

A neutralidade de carbono significa remover da atmosfera a mesma quantidade de carbono que é emitida nela, a fim de alcançar uma pegada de carbono zero, ou mesmo negativa.

“A literatura mostra que alcançar a neutralidade de carbono é tecnologicamente e economicamente possível, se começarmos a fazer ações ambiciosas hoje”, disse Rogelj.

Mas está claro que as promessas nacionais de redução de carbono submetidas ao Acordo de Paris “não representam o tipo de ações ambiciosas que estão implicadas aqui”, acrescentou o pesquisador.

Para permanecer dentro do orçamento, seria necessário eliminar gradualmente a energia do carvão nas próximas duas décadas e investir em árvores e tecnologias que sugam CO2 da atmosfera.

O setor elétrico global, segundo os autores do estudo, precisaria se tornar neutro em carbono, ou até mesmo negativo, até meados do século.

O planeta já aqueceu cerca de 1,0ºC, de acordo com cientistas.

(AFP)

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
Aleteia Brasil
Na íntegra: as três partes do Segredo de Fáti...
UNPLANNED
Jaime Septién
Filme contra o aborto arrasa nas bilheterias ...
BABY BAPTISM
Padre Reginaldo Manzotti
Por que é tão importante batizar uma criança?
Deserto de Negev
Francisco Vêneto
Pedra de 1.400 anos com inscrição mariana é e...
KRZYŻYK NA CZOLE
Beatriz Camargo
60 nomes de bebês que carregam mensagens pode...
Reportagem local
Papa Francisco: cuidado com os cristãos que s...
POPE JOHN PAUL II
Philip Kosloski
"Não tenhais medo": a frase mais usada por Sã...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia