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Brasil busca combater xenofobia contra imigrantes venezuelanos

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O governo brasileiro adotou uma série de medidas para facilitar a estadia de dezenas de milhares de venezuelanos que fogem da crise em seu país e para combater situações de xenofobia.

“Há uma preocupação permanente com os refugiados venezuelanos”, afirmou nesta sexta-feira (9) o presidente Michel Temer, que esta semana assinou um decreto que outorgará um documento de identidade provisório aos venezuelanos que estejam tramitando uma solicitação de refúgio no Brasil.

Esse documento substituirá o “protocolo” entregue até agora, “uma folha A4 com uma foto, um selo da Polícia Federal e uma longa sequência de números que não cabe em nenhum sistema”, além de ser pouco reconhecida pelas administrações, disse à AFP o padre italiano Paolo Parise, porta-voz da organização católica Missão Paz, que acolhe refugiados em São Paulo.

Em 2017, 17.865 venezuelanos pediram refúgio no Brasil, a maioria deles no estado de Roraima.

– Casos de ‘xenofobia’ –

A Prefeitura de Boa Vista, capital de Roraima, considera que cerca de 40 mil venezuelanos tenham se instalado desde o início da crise no país vizinho, um número equivalente a mais de 10% da população da cidade.

Acampados nas ruas ou em abrigos, os venezuelanos são acolhidos pelo governo local, mas este se viu sobrecarregado pelo grande fluxo de pessoas.

“O Ministério Público recebeu notícias de ações graves (…), casos de xenofobia, trabalho escravo, tráfico de pessoas e de impedimento de acesso aos serviços públicos”, afirmou na segunda-feira a procuradora-geral, Raquel Dodge.

Esta semana foram relatados ao menos dois incêndios com feridos em casas onde se alojam venezuelanos em Boa Vista. A Polícia investiga se foram intencionais, tal como as famílias denunciam e sugerem as câmeras de segurança em frente a uma das casas.

– Transferência a outros estados –

Os ministros de Defesa, de Justiça e o chefe de Inteligência se reuniram na quinta-feira com a governadora de Roraima para discutir a situação.

“É um drama humanitário. Essas pessoas estão sendo expulsas de suas casas, de seu país, devido à ausência total de condições para permanecerem lá”, afirmou o titular da Defesa, Raúl Jungmann.

O governo pretende realizar um censo e começar a transferir a partir de março uma parte dos 40 mil venezuelanos para outros estados.

Roraima assegura que não tem estrutura suficiente para atender esta onda migratória que poderia se agravar nos próximos meses devido à delicada situação do país governado por Nicolás Maduro, com fortes tensões políticas e uma inflação que chegará a 13.000% em 2018, segundo estimativas do FMI.

Para Parise, a transferência de venezuelanos para outros estados deve ser feita com planejamento, colocando em prática as lições da onda migratória de haitianos que o Brasil enfrentou nos últimos anos.

“É preciso preparar o lugar de acolhida e dialogar com os imigrantes para saber as ligações que existem entre os diferentes grupos e as famílias”, aponta o religioso.

Parise recomenda envolver outras áreas do governo, como Educação e Cultura, para “ajudar a criar uma cultura de acolhida, de valorização das diferenças, para recuperar a história da imigração no Brasil durante vários séculos e também a atual”.

“Esta migração vai dar um novo rosto ao Brasil nos próximos anos”, opina.

(AFP)