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Exército assume segurança do Rio, mas o objetivo ainda é vago

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Nas favelas, as preocupações superam o espectro político

A decisão do presidente Michel Temer de confiar ao Exército o comando das forças de segurança do Rio de Janeiro levanta muitas questões sobre as consequências de uma medida considerada por seus críticos mais como um anúncio político.

Além disso, o decreto, cujos detalhes ainda devem ser definidos, suscita preocupações quanto aos riscos de deriva, em um país que saiu de uma ditadura militar há apenas trinta anos.

O decreto foi descrito pelo próprio chefe de Estado como “medida extrema”, que tem como objetivo conter a escalada da violência.

Mas muitos detratores consideram que essas políticas de segurança não podem substituir os programas sociais.

“Não existe política social para as favelas. Sem saúde, sem educação, não chegaremos a lugar nenhum. Deveria haver ensino de qualidade, em tempo integral”, diz Marcos Valerio Alves, que coordena as associações de bairro do Complexo do Alemão.

“A criança depois da escola fica na rua. Fica ociosa, vendo outros jovens desfilando com fuzis. Que futuro ela espera ter?”, acrescenta, criticando uma falta de vontade política.

– ‘Projeto político’ –

Para a socióloga Julita Lemgruber, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, o decreto foi adotado “para servir a um projeto político de Temer”.

O chefe de Estado é acusado de desviar a atenção dos escândalos de corrupção e se mostra incapaz de fazer adotar a reforma da previdência exigida pelos mercados.

Alguns apontam até mesmo uma intenção de concorrer à presidência de outubro, ainda que o chefe de Estado interessado tenha negado esse objetivo até então.

“Temer nunca teve a popularidade tão baixa e quer se cacifar com essa intervenção para ver se pode se habilitar a ser candidato”, explica Lemgruber, lembrando que o decreto expira ao final de seu mandato, em 31 de dezembro de 2018.

Com uma limitação de tempo para a intervenção do Exército, a socióloga acredita que mesmo que uma melhor coordenação das forças de ordem possibilite uma luta mais eficaz contra a criminalidade a curto prazo, a população não deve esperar uma solução milagrosa para longo prazo.

– As favelas ‘na linha de frente’ –

Nas favelas, as preocupações superam o espectro político.

Os moradores vivem ao ritmo dos tiroteios diários, entre as guerras entre facções criminosas e incursões policiais. Além disso, muitos membros das forças de ordem são acusados de envolvimento com o crime organizado.

“As pessoas têm cada vez mais medo. Por mais que seja apenas uma manobra não pragmática, para esconder a derrota na reforma da previdência, quem está na linha de frente nos casos de abusos é o morador da zona norte e zona oeste”, alerta, em entrevista à AFP, Anderson França, autor do livro “Rio em Shamas” e mais conhecido com Dinho em seu perfil no Facebook, onde faz crônicas sobre a vida cotidiana nas favelas.

“As intervenções militares na segurança do Rio sempre foram violentas, agressivas e repressivas. Não acredito que o Exército esteja lá para promover o diálogo”, diz ele, preocupado com a possibilidade de impunidade em caso de excessos.

“O Exército não presta contas a ninguém e os soldados só podem ser levados diante de tribunais militares, o que enfraquece as associações que têm o hábito de denunciar os abusos policiais perante o Ministério Público”, conclui Anderson França.

As preocupações aumentaram com as declarações do ministro da Defesa, Raul Jungmann, que insistiu na segunda-feira que as autoridades poderão, para procurar um suspeito, emitir “mandados de prisão coletiva”, o que estenderia as buscas a um bairro inteiro e não apenas a uma casa.

Em entrevista ao jornal do Estado de São Paulo, o juiz Marco Aurélio Mello expressou sérias dúvidas sobre a capacidade do decreto de Temer de resolver os problemas de corrupção na polícia e a guerra entre facções de traficantes.

(AFP)

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