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Judas Iscariotes foi condenado ao inferno?

JUDAS
© P.M WYSOCKI / LUMIÈRE DU MONDE
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"A envergadura do pecado não o torna irremissível"

Jesus disse que seria melhor que Judas não tivesse nascido. Ele se tornou exemplo de traição, de suicida irredento. A Divina Comédia o coloca no último círculo do inferno. Mas ele foi condenado “oficialmente” pela Igreja?

A primeira coisa que é preciso dizer é que a Igreja proclamou de modo solene a santidade – e, portanto, a salvação eterna – de muitas pessoas, mas nunca declarou oficialmente a condenação de ninguém. Nem de Judas. Por quê? A resposta é simples: Deus dá a todos uma última oportunidade de arrependimento no momento da morte. E não sabemos a resposta de cada um.

Portanto, a explicação que damos aqui não é propriamente a doutrina ou a posição da Igreja, mas o que os cristãos têm pensado sobre o tema. É preciso levar em conta que o fim de Judas foi marcado mais pelo desespero do que pela traição. A narrativa evangélica é clara ao assinalar que ele estava arrependido da traição. Porém, seu desespero o levou ao suicídio.

Entretanto, vale lembrar que a envergadura do pecado não o torna irremissível; o que é verdadeira irremissível é a falta de arrependimento final.

As revelações privadas, embora seus conteúdos não são propriamente partes da fé da Igreja, podem contribuir de alguma forma neste caso. Mas também não encontramos nelas uma resposta totalmente conclusiva sobre o caso em questão. Mencionarei aqui uma figura confiável: Santa Catarina de Siena, Doutora da Igreja. Ela diz:

 “Este é o pecado que nunca é perdoado, nem agora nem nunca: o abandono, o desprezo de minha misericórdia. Pois me ofende mais que todos os demais pecados cometidos. Por isso, o desespero de Judas me desagradou e era um insulto maior ao meu Filho do que a sua traição. Assim, os que agem dessa forma são reprovados, por este falso juízo de considerar seu pecado maior que minha misericórdia. Não te direi o que fiz com Judas para ninguém abuse de minha misericórdia. Podes pensar como quiseres”.

Obviamente, como dito anteriormente, não resta em nenhum caso a gravidade do foi feito. Com razão, o nome de Judas ficou e ficará sendo sinônimo de traidor.

 

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