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Regime sírio não dá trégua a ataques contra Ghuta Oriental

SYRIA AFRIN
Ahmad Shafie BILAL I AFP
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A guerra na Síria deixou mais de 340.000 mortos desde março de 2011

O regime sírio voltou a atacar intensamente nesta quinta-feira (22) a região de Ghuta Oriental, em prosseguimento aos bombardeios que desde domingo mataram 403 civis, incluindo várias crianças.

Apesar dos múltiplos apelos por um cessar-fogo, o governo prosseguiu com os bombardeios preparatórios para uma ofensiva terrestre contra a área rebelde, próxima de Damasco, na qual vivem 400.000 pessoas.

A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu nesta quinta-feira o fim do que chamou de massacre na Síria. Na quarta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu uma trégua imediata no território que virou um “inferno”.

Várias ONGs expressaram seu horror com a extensão dos bombardeios, de violência inédita desde o início da guerra na Síria, em 2011.

A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar pediram a suspensão da ofensiva do regime sírio contra o Ghuta Oriental para permitir a entrada de ajuda humanitária.

O Conselho de Segurança da ONU devia se pronunciar sobre um projeto de resolução para estabelecer uma trégua de 30 dias que permitiria o acesso a Ghuta Oriental.

Mas, segundo o embaixador da Rússia, Vasily Nebenzia, “não houve acordo” a este respeito entre os 15 membros do organismo.

O ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, havia assegurado que seu país estava disposto a examinar o texto sob algumas condições.

Além disso, garantiu que Moscou propôs há alguns dias aos combatentes que se retirassem pacificamente de Ghuta Oriental, como aconteceu no leste de Aleppo.

“A Frente Al Nosra e seus aliados rejeitaram categoricamente nossa proposta e continuam bombardeando Damasco e mantendo refém a população de Ghuta Oriental”, afirmou Lavrov.

Os bombardeios contra o reduto rebelde, cercado pelas tropas sírias desde 2013, deixaram centenas de vítimas e provocaram muitos danos materiais.

Nesta quinta-feira, ataques com foguetes mataram pelo menos 41 civis, incluindo sete crianças, em Duma, principal cidade de Guta Oriental, afirmou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

O caminho até o hospital de Duma estava marcado por poças de sangue. O centro médico estava lotado de corpos.

Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras, 13 dos hospitais onde trabalham em Duma foram atingidos pelos bombardeios nos últimos três dias.

Em Hamuriyeh, outra localidade de Ghuta Oriental, os moradores que formavam uma fila diante de um armazém para comprar alimentos fugiram apavorados após uma explosão a poucos metros de distância.

– ‘Aniquilação’ –

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, pediu à comunidade internacional o “fim desta monstruosa campanha de aniquilação”.

No total, “em cinco dias de intensos ataques aéreos e disparos de artilharia mataram 403 civis, incluindo 95 crianças”, indicou o OSDH.

Durante o mesmo período, 16 pessoas morreram em Damasco, sob controle do regime, em ataques com obuses e foguetes lançados pelos insurgentes islamitas ou jihadistas a partir de Ghuta, segundo a imprensa estatal e o OSDH.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) exigiu acesso a Ghuta Oriental para socorrer os feridos, que morrem pela falta de assistência imediata e de medicamentos.

Vários hospitais foram atingidos pelos ataques do governo, que incluem o lançamento de barris de explosivos, uma arma denunciada pela ONU.

“O regime pretende atacar grupos armados, mas na realidade aponta apenas contra os civis”, declarou Ahmed Abdelghani, médico que trabalha nos hospitais de Hamuriyeh e Arbin, ambos bombardeados.

“Isto é um hospital civil. Por quê o regime nos ataca?”, questionou Abdelghani.

O governo deseja retomar o controle de Ghuta Oriental para, afirma, terminar com os disparos de foguetes contra Damasco.

De acordo com o jornal sírio Al-Watam, ligado ao governo, uma ofensiva terrestre “de envergadura pode começar a qualquer momento”.

– Rússia defende aliado –

Antes de Ghuta Oriental, outras zonas rebeldes, como a área antiga de Homs em 2012 ou Aleppo em 2016, foram atacadas pelas bombas e submetidas a um cerco asfixiante, obrigando os rebeldes a entregar as armas e provocando a fuga dos civis.

A guerra na Síria deixou mais de 340.000 mortos desde março de 2011.

O conflito entre o governo e os rebeldes se tornou rapidamente uma guerra civil complexa, com a participação de grupos jihadistas e potências estrangeiras.

Em novembro de 2015, a Rússia iniciou uma ação militar para apoiar o governo de Bashar al Assad, que estava em uma situação difícil.

A intervenção russa permitiu a Assad recuperar em dois anos o controle de mais da metade do território do país.

Na quinta-feira, Moscou defendeu o aliado.

“Os responsáveis pela situação em Ghuta Oriental são os que apoiam os terroristas que ainda estão lá. E como se sabe, Rússia, Síria e Irã não estão entre estes países”, afirmou o Kremlin.

(AFP)

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