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O mistério das esculturas de camelos no deserto saudita

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Agências de Notícias - publicado em 27/02/18

Em meio ao deserto, sob um sol abrasador, Hussein Al Jalifa, chefe do departamento de patrimônio da Arábia Saudita, aponta para as silhuetas de camelos esculpidos na rocha, uma descoberta cercada de mistérios.

São uma dezena de esculturas, algumas danificadas pela erosão ou por atos de vandalismo, e datariam de cerca de 2.000 anos atrás. Foram descobertas há alguns anos em uma propriedade privada do deserto de Al Juf, no norte do reino.

Esculpidas sobre três promontórios rochosos, estas esculturas revelam habilidades nunca vistas em outras formas de arte rupestre do deserto saudita.

Jalifa, membro de uma missão arqueológica franco-saudita, conta que descobriu acidentalmente as esculturas, quando um amigo lhe falou de uma “montanha com forma de camelo”. “Ao chegar ao local, descobri que os camelos estavam esculpidos nos afloramentos da montanha. É realmente único”.

O camelo, chamado de “nave do deserto” e apreciado por sua carne, leite e resistência, é um tema recorrente nos sítios arqueológicos sauditas. Mas os de Al Juf são diferentes.

Algumas destas esculturas se encontram a uma grande altura, o que permite pressupor que houve o uso de cordas ou andaimes. Sobressai a de um camelo em frente ao que parece um asno, uma mula ou um cavalo, animais poucas vezes representados na arte rupestre da região.

– Rotas da Mesopotâmia –

“As esculturas em três dimensiones demonstram um grande domínio em quanto a realismo e tamanho”, explica Maria Guagnin, do Instituto Max Planck de ciências da história humana, com sede na Alemanha.

“Isto poderia mudar nossa compreensão da dinâmica das populações pré-históricas e de seus aspectos culturais”, disse à AFP.

A origem e os utensílios empregados são um mistério.

Jalifa vê a mão dos nabateus, árabes nômades conhecidos por terem fundado a cidade de Petra, na atual Jordânia, esculpida nas falésias de arenito.

“Trata-se de uma descoberta científica importante que nos lembra da importante história pré-islâmica da Arábia Saudita”, estima o arqueólogo Guillaume Charloux, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas na França.

“Espero que isto atraia as pessoas a descobrirem a variedade e a riqueza do passado saudita”, afirma Charloux.

As esculturas de Al Juf têm estilos diferentes, o que sugere que foram realizadas por vários artistas.

É possível, estimam os arqueólogos, que fosse um local de adoração, um lugar de descanso em uma rota de caravanas ou uma fronteira que delimitava duas regiões.

“Minha hipótese hoje é que os escultores eram habitantes da região e que era um lugar emblemático nas rotas das caravanas para a Mesopotâmia”, afirma Charloux.

– ‘Perguntas sem resposta’ –

O deserto saudita é rico em lugares históricos. Alguns deles foram descobertos recentemente graças às novas tecnologias.

Para encontrar respostas para todas as perguntas sobre as figuras de camelos esculpidas, é preciso investigar.

Algumas são difíceis de situar no tempo; às vezes os arqueólogos estimam que foram concluídas nos primeiros séculos antes da era cristã.

“Se datam de antes da domesticação do camelo, representam espécimes selvagens que talvez caçassem”, e a caça pode ter sido vital para a sobrevivência das populações locais, afirma Guagnin.

Por enquanto, as autoridades sauditas monitoram o lugar para impedir o acesso aos caçadores de tesouros e tentam comprá-lo do proprietário.

As figuras de camelos não são o único enigma. Um dos promontórios, visto a partir de um ângulo, parece um rosto humano. “Há tantas perguntas sem resposta”, reconhece Jalifa.

(AFP)

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