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A íntima união com Deus

Jesus-Cross-crucifix
Antoine Mekary | ALETEIA
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"Nem todo místico apresenta fenômenos extraordinários"

A mística é um tema que, se por um lado, desperta atenção na vida das pessoas, por outro, pode causar confusão, porque, em parte, é mal compreendido. Parece algo distante, reservado a poucas pessoas especiais com as quais ocorrem fenômenos, à primeira vista, inexplicáveis (levitação, previsão do futuro, bilocação etc.).

Ora, no plano teológico, é a fase da vida espiritual na qual se dá a íntima união do Criador com a criatura de tal modo que esta se esvazia de si mesma a fim de se preencher de Deus, tornando-se uma só com Ele.

Daí, ensinar São Paulo: “Já não sou eu quem vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20), ou falar o místico italiano Dom Divo Barsotti: “Parece-me viver, de agora em diante, um tempo de união nupcial que me faz Um com Ele. Não tenho mais nada exceto Ele só” (Monaquismo e mística. Juiz de Fora: Subiaco, 2009, p. 8-9).

Tal união, contudo, não é egoísta. Ao contrário, leva o místico a servir, de modo incondicional, a quem precisa; ele quer abarcar o mundo pela caridade, se esquece de si para ajudar ao maior número possível de irmãos e irmãs, conforme lemos na fala de Charles de Foucauld: “Partilhemos, partilhemos, partilhemos tudo com eles (os pobres), vamos dar-lhes a melhor parte e, se não houver o suficiente para dois, vamos dar-lhes tudo. É a Jesus que damos […] (Charles de Foucauld: o caminho rumo a Tamanrasset. São Paulo: Paulinas, 2009, p. 252). Portanto, a essência da vida mística é a união com Deus e a caridade para com o próximo.

Essa íntima união com Deus, embora possa vir acompanhada de fenômenos, como mencionamos, não se caracteriza, é claro, por isso. Ao contrário – e aqui vai um trocadilho – nem todo místico apresenta fenômenos extraordinários e nem todo aquele que exibe prodígios incomuns ao grande público é um místico.

Afinal, um fenômeno de natureza desconhecida para muitos pode ser fruto de estado alterado de consciência, em especial, quando vem acompanhado de mania de grandeza da parte do, erroneamente, chamado de “místico” ou de “santo”. Importa, portanto, que o analista de um suposto fenômeno da área mística tenha noções básicas de Psicologia e/ou de Parapsicologia – ou recorra a quem as tem – a fim de distinguir bem uma e outra área.

O portento místico, diga-se também, de si não é milagre, ainda que possa vir acompanhado dele ou mesmo ser um evento milagroso, se deixar a marca comprobatória. Eis um exemplo: Santa Catarina de Bolonha, na noite de 24 para 25 de dezembro de 1445 (Natal), em êxtase, afirma ter recebido, nos braços, o menino Jesus. Beijou-o por várias vezes e também foi por Ele beijada, ficando, em seu rosto, para o resto da vida, a marca do beijo. Poderia ser mero estigma, no entanto, 5 séculos depois (em 1934), o sinal do beijo continua íntegro sobre o rosto da santa, cujo corpo está incorrupto (cf. Os milagres e a ciência. São Paulo: Loyola, 2000, p. 406).

Eis um pouco do que trata nosso livro A verdadeira mística: Deus em nós e nós n’Ele, recém-publicado por nós, com 64 páginas, a fim de ajudar a leigos/as, padres, consagrados/as, grupos de oração etc.

Vanderlei de Lima é eremita na Diocese de Amparo

Serviço:
Livro: A verdadeira mística: Deus em nós e nós n’Ele
Preço: R$ 15,00
Onde comprar: escrevendo para toppaz1@gmail.com.