Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.
Aleteia

O terço que “enfrentou” uma bala e salvou um combatente da Guerra das Malvinas

ROSARY
Compartilhar
Comentar

Um acontecimento que merece ser chamado de milagroso

Essa história circula de boca em boca, está estampada em alguns livros argentinos e, agora, foi confirmada à Aleteia por uma testemunha presencial.

A Guerra das Malvinas, que aconteceu – como definiu Borges – “em um tempo que não podemos entender”, já estava na reta final.

A batalha do Monte de las Dos Hermanas é cheia de histórias de valentia de ambos os lados. Foi documentada com precisão tanto pelos britânicos, quanto pelos argentinos. Em 8 de junho, na linha de frente da guarda do Monte Dos Hermanas, estavam o sargento Mario “Perro” Cisnero e o primeiro-tenente Jorge Vizoso Posse. O comando que eles integravam aguardava notícias das forças britânicas.

Naquele momento, uma granada explodiu sobre Cisnero, tirando a vida dele e ferindo gravemente Vizoso. Rapidamente, ao ver que os britânicos se aproximavam, Vizoso fingiu estar morto. Jogando-se sobre o corpo do companheiro, ele rezou: “Invoquei o Senhor e meu grito chegou até os seus ouvidos! Livra-me de todo mal, não temerei nenhum mal, pois Tu estás comigo”.

Ao passarem para o outro lado para certificarem-se da morte dos argentinos, os soldados ingleses dispararam novamente uma rajada de fuzil. Incrivelmente, apenas uma bala atingiu Vizoso, enquanto as outras foram para o chão, a milímetros de seu corpo. Vizoso, semiconsciente, pode fingir durante mais alguns instantes, inclusive não reagiu a um chute que um soldado britânico lhe deu. Quando a tropa europeia estava se protegendo do ataque de outros argentinos, Vizoso pegou um fuzil e disparou contra os inimigos.

Em poucos instantes, apareceram outros argentinos e ingleses, e o campo de batalha ficou cheio de homens, numa demonstração de coragem e destreza que ambos os exércitos reconheceram. Vizoso, embora ferido, estava lá.

Terminada a batalha, após a retirada das tropas, Vizoso recebeu os primeiros socorros de um companheiro. Ao examiná-lo, disse que somente uma bala tinha perfurado o corpo dele: entrou pelo ombro direito e saiu pelo pescoço, sem atingir a coluna ou algum outro órgão vital.

Mas isso não foi tudo. Na trajetória, a bala se fundiu com uma das contas do terço que Vizoso, assim como a maioria dos soldados argentinos, usava junto ao corpo. Também não havia perigo de hemorragia, pois a bala tinha cauterizado a ferida.

Foi um milagre, embora, como disse a testemunha que confirmou essa história à Aleteia, os tempos de guerra não permitiam que as pessoas parassem para refletir sobre o ocorrido. A guerra continuaria por mais alguns dias…

Muitos rosários foram rezados na Guerra das Malvinas. Incontáveis. Em inglês e espanhol. Muitos por aqueles que, do céu, nos lembram que guerras não devem se repetir. E outros por aqueles que não perderam suas vidas em circunstâncias que merecem ser chamadas de “milagrosas”.