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Macron pede cooperação dos EUA para 'reinventar' o multilateralismo

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realDonaldTrump - Twitter

Agências de Notícias - publicado em 25/04/18

O presidente francês, Emmanuel Macron, lançou nesta quarta-feira um forte apelo aos parlamentares em prol do multilateralismo e da manutenção dos Estados Unidos no cenário internacional, em um discurso muito aplaudido no Congresso americano.

O chefe do Estado francês, em um discurso em inglês que durou 45 minutos, argumentou contra a tentação nacionalista.

“Podemos escolher o isolacionismo, a retração e o nacionalismo. É uma opção. Pode ser um remédio tentador para nossos medos. Mas fechar a porta para o mundo não deterá a evolução do mundo”, declarou, após uma introdução aludindo à antiga amizade franco-americana, em consonância com outros dignitários franceses que receberam as honras do Capitólio desde o primeiro deles, o Marquês de Lafayette em 1824.

Sua entrada foi marcada por uma ovação de pé de três minutos por parte dos congressistas presentes.

Frente ao Congresso controlado pelos republicanos, ele defendeu a utilidade das instituições internacionais fundadas desde a Segunda Guerra Mundial com o apoio dos Estados Unidos, apostando nas sensibilidades republicanas ao insistir na luta contra o terrorismo… E mais ainda nos democratas com passagens sobre a defesa da ciência e do clima – repetindo, para deleite desses últimos, que não há “planeta B”.

“Tenho certeza de que um dia os Estados Unidos voltarão ao acordo de Paris” sobre o clima”, disse ele, fazendo os democratas pularem de alegria, alguns dos quais gritaram “Viva a França”… enquanto os republicanos permaneciam de braços cruzados, não sem um sorriso ante a ligeira impertinência de seu anfitrião.

Respeitando a tradição, as ovações e risos permearam o discurso, ainda que alguns congressistas tivessem que se esforçar para entender o sotaque do chefe de Estado, que se expressou inteiramente em inglês, com exceção da conclusão: “Vive la République, vive la France, vive notre amitié” (Viva a República, viva a França, viva nossa amizade).

– Acordo iraniano –

Macron discorreu longamente sobre um novo e mais amplo acordo sobre o Irã e a questão nuclear, que ele esboçou no dia anterior com seu colega americano, Donald Trump, mas que Moscou e Teerã já rejeitaram.

“Quanto ao Irã, nosso objetivo é claro: o Irã nunca deverá ter uma arma nuclear. Nem agora, nem em cinco anos, nem em dez anos. Nunca”, ressaltou Emmanuel Macron, desta vez aplaudido por todos os presentes.

Sobre o comércio, ele reiterou ser a favor de um “comércio justo e equitativo”, mas rejeitou como “sem coerência” qualquer guerra comercial entre aliados, referindo-se aos impostos sobre o aço e o alumínio propostos por Donald Trump contra a União Europeia.

Como de Gaulle, Mitterrand ou Sarkozy antes dele, o presidente francês traçou o fio da “indestrutível” amizade franco-americana, chamando-a de “relação especial”, um termo geralmente reservado ao Reino Unido.

Nenhum outro país viu tantos dignitários recebidos no Congresso dos Estados Unidos.

“Eu não esperava uma oposição tão direta ao presidente”, disse à AFP o democrata Adam Schiff. Ao final do discurso, muitos democratas esperaram para cumprimentar o dirigente.

Por outro lado, o republicano ultraconservador Thomas Massie descreveu o presidente francês como “socialista militarista globalista alarmista sobre a ciência”.

A parte da tarde desta quarta-feira, terceiro e último dia da visita de Estado a Washington, será mais leve. Macron vai participar de uma brincadeira oratória que ele adora: um debate livre com estudantes, como já aconteceu na Índia e no Burkina Faso.

Um momento que deverá permitir virar a página das discussões diplomáticas com Donald Trump particularmente difíceis do dia anterior sobre o Irã, diante de um presidente que, como admitiu Macron, “não muda de opinião facilmente”.

Mesmo assim, os abraços, beijos, mãos dadas e outros gestos afetuosos entre Trump e Macron fizeram a festa dos meios de comunicação, principalmente dos chargistas.

O principal mote das brincadeiras foi a longa lista de aventuras extraconjugais do presidente americano.

(AFP)

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