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A jornada espiritual de John Coltrane

By Gelderen, Hugo van / Anefo [CC BY-SA 3.0 nl (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/nl/deed.en)], via Wikimedia Commons

John Coltrane 1963

Carlos Messias | Jun 14, 2018

Disponível no Netflix, longa conta como o músico venceu o vício e imortalizou sua obra

Ao lado de documentários sobre George Harrison, Janis Joplin, Keith Richards e Nina Simone, o filme Chasing Trane: The John Coltrane Documentary (escrito e dirigido por John Scheinfeld) está disponível no Netflix e narra trajetória de um dos maiores músicos de todos os tempos.

Diferentemente dos anteriores, no entanto, o longa foca na jornada espiritual do saxofonista norte-americano que ajudou a moldar o jazz. Junto com Miles Davis e Charlie Parker, John Contrane (1926-1967) forma o grande trio do gênero.

O filme aborda desde o princípio de sua carreira, dedicada aos estilos bebop e hardbop, passa pela época em que o saxofonista integrou o quinteto de Miles e tocava uma linha mais cool, até seus últimos anos de vida, quando desconstruiu, remodelou e definiu o tom do que seria considerado um standard de jazz à frente de uma formação que ficou conhecida como Classic Quartet – e contava com McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria).

Além do voice over de Denzel Washington, que narra frases e reflexões célebres do músico também afrodescendente, o documentário conta com miríade de entrevistados tão estrelar quanto improvável, incluindo o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, os roqueiros Carlos Santana e John Densmore (ex-baterista do The Doors), o amigo e parceiro musical Sonny Rollins, além de jazzistas que foram influenciados por ele, de Wayne Shorter a Kamasi Washington.

O longa também retrata a vida pessoal do artista, que no início da carreira precisou ralar para prover para sua primeira mulher e a enteada, Antonia Andrews, por ele adotada, e depois se casou com a pianista Alice Coltrane, que chegou a integrar sua banda e com quem teve os filhos John Jr., Ravi e Oran. E explora a época em que Coltrane se tornou viciado em heroína, sugerindo que teria sido uma forma de seguir os passos e tentar atingir o nível de criatividade do seu ídolo Charlie Parker, com quem chegou a tocar no início da carreira. Certas correntes científicas defendem que drogas abrem as portas da percepção e ajudam a enxergar as coisas sob óticas diferentes. Mas no filme fica claro que Trane – como era chamado – atingiu seu auge artístico depois que conseguiu se livrar dos entorpecentes, feito que realizou por conta própria, por meio da espiritualidade, e que teria “aumentado sua energia”.

E como a música, assim como as drogas, é uma forma de alterar a frequência do cérebro, Coltrane teria usado seu saxofone como instrumento para atingir outras dimensões. Especialmente quando compôs A Love Supreme (1965), sua obra-prima, no processo da qual se isolou na edícula da casa onde morava com sua família.

“Acredito que tudo que um músico deseja fazer é dar ao ouvinte um retrato de tudo de mais maravilhoso que ele conhece e percebe no universo. Isso é o que a música representa para mim. É só outro modo de dizer que vivemos nesse lindo universo, que nos foi dado, e aqui está outro exemplo do quão ele é magnífico e abrangente”, ele diz no filme, na voz de Denzel Washington. Embora tenha sido canonizado pela Igreja Ortodoxa Africana, Coltrane não seguia nenhuma religião, mas acreditava em um plano maior que originaria toda espécie de fé.

O guitarrista Carlos Santana define bem o teor espiritual na obra do saxofonista: “Ouço muito A Love Supreme. Ponho para tocar em todo hotel onde me hospedo. Assim que entro no quarto, coloco o disco, acendo um incenso e não tenho dúvida de que o quarto se purifica de espíritos negativos e nocivos. Não importa qual seja a sua ideologia ou a sua religião. O som dele é a som da luz e o som do amor.”

Ouça o álbum A Love Supreme

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