Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quarta-feira 28 Outubro |
São Sálvio
home iconAtualidade
line break icon

Apoiada por bispos, Masaya resiste a ataques de forças de Ortega

NICARAGUA

Facebook Arquidiócesis de Managua

Agências de Notícias - publicado em 24/06/18

“Chega de violência”, gritavam nesta quinta-feira (21) milhares de habitantes de Masaya que receberam a visita solidária dos bispos católicos, quando resistem à ofensiva do governo de Daniel Ortega, que, pelo quarto dia, busca recuperar o controle da cidade decretada em rebeldia.

Por conta de novos ataques desde a manhã, uma delegação de bispos, liderada pelo cardeal Leopoldo Brenes, chegou à cidade, 30 quilômetros ao sul de Manágua, para “evitar outro massacre”. Caminharam pelas ruas, entre barricadas, levando a Eucaristia.

Agitando bandeiras da Nicarágua, os moradores foram as ruas para recebê-los: “Queremos paz!”, “Justiça!”, diziam. Alguns choravam e pediam de joelhos que acabasse a violência, que em dois meses de protestos contra o governo deixaram 190 mortos.

No bairro de Monimbó, foco de resistência em Masaya, houve troca de tiros e morteiros artesanais, constatou uma equipe da AFP. Moradores relataram que grupos antimotim e paramilitares incendiaram algumas casas.

A poucos quarteirões dos ataques, na Praça de Monimbó, nos arredores da igreja, os bispos exigiam de Ortega e sua esposa e vice-presidente Rosario Murillo que não houvesse “nem mais um morto”.

“Quero recordar um dos mandamentos da lei de Deus: Não matarás!”, acrescentou o arcebispo auxiliar de Manágua, Silvio Báez, em frente a uma multidão que respondia com aplausos e cânticos católicos.

Moradores também relataram ataques na cidade turística de Granada – vizinha a Masaya -, onde antimotins e civis encapuzados e armados percorriam as ruas atirando e desmontando barricadas, ajudados por escavadoras.

Encapuzados, armados com morteiros, um deles com um facão e outro com uma pistola, um grupo de jovens fugia por uma rua, outros resistiam aos antimotins depois de uma enorme barricada de pedras.

“Estamos sendo reprimidos pela violência deste governo, estamos cercados pelos quatro lados de Masaya. Andam armados até os dentes”, disse Nayer Joseph, um artesão de caixões, de 28 anos.

Atiradores de elite estavam nos telhados, segundo os habitantes. “Estamos aqui resistindo por nossos filhos”, assinalou Tania Garcia, de 39 anos, comerciante do mercado de Masaya, sentada em uma trincheira.

O líder estudantil Cristian Fajardo disse à AFP que ouviram tiros no norte da cidade por onde “avançam cerca de 500 homens encapuzados e fortemente armados”.

O secretário da Associação Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPD), Álvaro Leiva, denunciou o uso da força “desproporcional”, e que estão sendo usados fuzis AK-47 e Dragunov, armas de combate usadas pelo Exército e pela Polícia.

Acompanhados pelo núncio apostólico Waldemar Stanislaw, os hierarcas se reuniram com o chefe de polícia de Masaya, Ramon Avellan, e entregaram uma lista de detidos. “Se comprometeu a parar os ataques”, assegurou o cardeal Brenes.

– Diálogo na próxima semana –

Os ataques ocorreram um dia após o governo convidar a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos para verificar a situação da violência no país.

Segundo o cardeal Brenes, o diálogo entre governo e oposição será retomado na próxima semana, após a CIDH apresentar – nesta sexta-feira – seu relatório sobre a situação dos direitos humanos na Nicarágua ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA).

“O governo deve acabar de imediato com sua campanha de violência e intimidação contra seu próprio povo por não fazer nada além de dizer o que pensa”, disse a embaixadora dos Estados Unidos junto à ONU, Nikki Haley.

A Igreja pediu ao presidente que permita eleições gerais antecipadas em março de 2019 para aliviar a tensão. Até o momento, o governo não deu resposta à demanda por diálogo com a oposição, mediado pelos bispos.

“A dor na Nicarágua é grande, um povo desarmado está sendo massacrado. As cidades estão nas mãos de bandidos”, lamentou o monsenhor Báez.

Ex-guerrilheiro da revolução sandinista, Ortega, cujo terceiro mandato presidencial consecutivo termina em 2021, é acusado de nepotismo e de instaurar, com sua esposa e vice-presidente Rosario Murillo, um governo autocrático e corrupto.

As manifestações contra o governo começaram no dia 18 de abril contra uma reforma ao sistema de previdência social, mas se estenderam para pedir justiça pelas mortes de manifestantes e a saída do poder de Ortega.

Frases como “O povo não se rende”, “Fora Ortega”, “Não à ditadura orteguista” podem ser lidas nas paredes de Masaya, uma das cidades mais combativas da insurreição popular que, liderada pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), derrotou o ditador Anastasio Somoza em 1979.

Os ataques acontecem um dia depois que o governo de Ortega convidou organizações internacionais como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, a visitar a Nicarágua para verificar a situação de violência no país.

“O governo não pode continuar pedindo o diálogo e, ao mesmo tempo, cometer sérias violações de direitos humanos e crimes (…) deve imediatamente ordenar” o fim da repressão, advertiu a Anistia Internacional em um comunicado.

Depois dos ataques, não ficou claro se os líderes católicos voltariam a convocar o diálogo.

(AFP)

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
TRIGEMELAS
Esteban Pittaro
A imagem de Nossa Senhora que acompanhou uma ...
Philip Kosloski
3 poderosos sacramentais para ter na sua casa
Aleteia Brasil
Quer dormir tranquilo? Reze esta oração da no...
Aleteia Brasil
O milagre que levou a casa da Virgem Maria de...
No colo de Maria
Como rezar o terço? Um guia ilustrado
Pe. Zezinho
Francisco Vêneto
Duas emissoras brasileiras deturpam fatos em ...
Reportagem local
Corpo incorrupto de Santa Bernadette: o que o...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia