Aleteia
Quarta-feira 21 Outubro |
São Bertoldo de Parma
Atualidade

Ser candidato no México é quase uma sentença de morte

PATROL

Staff Sgt. Aimee Fujikawa-PD

Agências de Notícias - publicado em 25/06/18

Ser candidato no México é praticamente uma sentença de morte, afirma, quase sussurrando, Mario Alberto Chávez, aspirante à prefeitura de Zumpango, no violento estado de Guerrero.

Sobrevivente de um atentado, ele faz campanha com medo porque não possui guarda-costas, apesar de tê-los solicitado.

“Ia desistir da campanha, mas decidi que vale a pena continuar para tirar minha comunidade da pobreza e insegurança”, explica Chávez.

Em 18 de abril, o candidato jantava em um restaurante de Zumpango quando um homem armado invadiu o lugar e, sem falar uma palavra, abriu fogo contra sua mesa deixando ferindo três de seus colaboradores.

“Decidimos não fazer comícios, e sim fazer campanha de casa em casa”, admite à AFP o candidato do Nova Aliança, de 35 anos e pai de um menino.

– Centenas de desistências –

A violência eleitoral se soma à que diariamente angustia os mexicanos, que fecharam 2017 com a cifra recorde de 25.339 assassinatos.

Mais de 200.000 pessoas foram assassinadas e outras 30.000 estão desaparecidas desde que, em 2006, o governo militarizou o combate ao narcotráfico.

Desde que teve início o processo eleitoral em setembro passado – que concluirá em 1o. de julho com a eleição do presidente e outros 18.000 postos -, ao menos 114 políticos e candidatos foram assassinados, de acordo com a empresa de consultoria Etellekt.

Em Guerrero, 496 candidatos renunciaram e apenas 56 dessas candidaturas foram substituídas, de acordo com a autoridade eleitoral regional.

“O México lamentavelmente é um país que vive uma crise de segurança há dez anos e hoje estamos realizando a maior eleição de nossa história”, comentou à AFP o presidente do Instituto Nacional Eleitoral (INE), Lorenzo Córdova.

“O contexto de violência no país invade a política? A resposta é sim, e é grave”, acrescentou Córdova, assinalando diretamente as forças de segurança como responsáveis pelo sangue de políticos derramado ao menos uma vez por semana.

Em alguns casos, os motivos parecem claros.

Em 8 de junho, Fernando Purón, um ex-prefeito de Coahuila, fronteira com os Estados Unidos, candidato a deputado federal, foi assassinado ao sair de um debate no qual falou de seu combate contra o cartel de Los Zetas.

Em outros casos, surgem dúvidas, como no de Pamela Terán, candidata a vereadora de Juchitán, Oaxaca, e assassinada em 2 de junho. Ela era filha de Juan Terán, preso e acusado de ser o chefão de um cartel regional.

– Campanhas com medo –

O governo disse na semana passada que recebeu 49 pedidos de escolta em nível federal, mas que apenas 12 foram concedidas, cinco foram rejeitadas e 32 continuam pendentes.

Vários candidatos consultados pela AFP reconheceram fazer sua campanha com medo e alguns deles decidiram contratar seguranças.

É o caso de Nestora Salgado, a controvertida candidata ao Senado de Guerrero pelo Partido Morena, de esquerda e cujo candidato presidencial Andrés Manuel López Obrador lidera as pesquisas.

“Responsabilizamos o governo pelo que continua acontecendo”, critica Salgado.

Armados com antigas escopetas e rifles, cerca de 50 policiais comunitários a cercam, durante seu comício no município de San Luis Acatlán.

“Se não nos fornecem segurança é porque não convém a eles (ao governo) que eu chegue ao Senado porque levo a voz do povo”, comenta Salgado, que recebeu ligações de ameaças e, inclusive, encontrou cabeças de cachorro junto a sua porta.

Em sua cidade natal Olinalá, Nestora fundou e liderou a polícia comunitária para enfrentar os cartéis de drogas, em concluiu, muitas vezes, com as autoridades.

Até que, em 2013, foi acusada e presa por sequestro e libertada quase três anos depois por falta de provas.

No outro extremo da história está o empresário Joaquín Badillo, candidato à prefeitura de Acapulco por uma coalizão formada pelo Partido da Revolução Democrática (PRD, esquerda) e Ação Nacional (PAN, direita).

Acapulco é uma das cidades mais perigosas do México, mas “Jako” Badillo não pediu escolta ao governo, pois é dono de uma empresa de segurança composta por 3.000 homens.

“O medo faz a pessoa tomar precauções”, afirma.

Rubén Salazar, diretor de Etellekt, cita as possíveis causas da violência.

Após a militarização da luta contra drogas, os cartéis se fragmentaram e estão tendo de se refugiar em muitas dessas localidades, onde ocorremos crimes, buscando apoiado dos candidatos e se livram daqueles com os quais não fazem um acordo”, explica.

(AFP)

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
Aleteia Brasil
Quer dormir tranquilo? Reze esta oração da no...
CARLO ACUTIS
John Burger
Como foram os últimos dias de vida de Carlo A...
violência contra padres no Brasil
Francisco Vêneto
Outubro de cruz para padres no Brasil: um per...
TRIGEMELAS
Esteban Pittaro
A imagem de Nossa Senhora que acompanhou uma ...
No colo de Maria
Como rezar o terço? Um guia ilustrado
Pe. Gilmar
Reportagem local
Padre é encontrado após três dias desaparecid...
CHILE
Reportagem local
Duas igrejas são incendiadas durante protesto...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia