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3 pecados que cometemos quando nos comunicamos

COUPLE TALKING

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Michael Rennier - publicado em 09/08/18

Nós fazemos isso, nossos filhos fazem isso. Veja como podemos mudar

Aproximadamente uma vez por semana escuto minhas duas filhas falando enquanto trabalham juntas para limpar o quarto delas…

“Eu não quero… nunca mais falar… com VOCÊ… OUTRA VEZ!”

“Muito bem! Saia daqui para sempre!”

Toda semana, por anos. Por um tempo, tentei ignorar isso, esperando que elas se cansassem e finalmente entrassem num acordo. Não é isso que acontece. Essas meninas, que se queixam que estão exaustas no momento em que lhes é solicitado fazer uma tarefa difícil, aparentemente têm energia ilimitada para continuar uma briga para fugir da tarefa solicitada.

Quando os gritos não paravam, tentava separá-las e implementava turnos, onde cada uma limpava a metade do quarto em horários separados. Mas descobriu-se que quem limpava primeiro tinha a oportunidade de empurrar alguns brinquedos para a outra metade. Então, novamente os gritos.

Em qualquer caso, mesmo que essa estratégia tivesse mudado o motivo do grito, na verdade não tinha resolvido o problema. Em certas circunstâncias, as meninas – que normalmente são alegres companheiras – simplesmente não podem conversar entre si de maneira civilizada e educada. Não há simpatia, nem paciência, nem tentativa de compreensão ou compromisso. Simplesmente explode.

Naquela época, o que tínhamos era falha na comunicação.

Não pretendo envergonhar publicamente minhas filhas. Afinal, elas são jovens e estão aprendendo, e o Céu sabe que eu vi adultos cheios de raiva e se comunicando de maneira que me deixavam querer arrancar o cabelo. A comunicação é difícil em qualquer idade. Os mal-entendidos são abundantes, a raiva leva a dizer coisas que não queremos dizer e até mesmo nos arrependermos mais tarde, e não somos justos na forma como interpretamos e falamos sobre os outros.

Num recente discurso aos jornalistas, o Papa Francisco identificou o que ele chama de “pecados da comunicação”. Sua palestra foi especificamente sobre como a mídia se comunica, mas a lição é aplicável a todos nós. De acordo com Francisco, aqui estão os três erros que cometemos quando nos comunicamos, juntamente com formas de abordá-los em nossas próprias vidas:

Desinformação

Não é uma informação mentirosa. É compartilhar apenas um lado do argumento e deixar qualquer outra informação de fora. Isso realmente é mais insidioso do que mentir, porque é muito mais fácil de justificar. Eu sei que posso, com uma consciência limpa, falar com os outros de tal forma que minhas próprias ações pareçam razoáveis ​​e perfeitamente justificadas, mas isso é só porque deixei muita informação de lado. Estou realmente apenas comunicando a metade da história. No final, a desinformação distorce a verdade tanto quanto a mentira.

Em vez de desinformação, vamos falar com clareza e total honestidade. Pode ser mais humilde admitir nossa parte em um conflito, mas, em longo prazo, ser sincero e reconhecer toda a verdade levará a uma linha de comunicação muito mais saudável.

Calúnia

Calúnia é a descrição sensacionalista das ações do outro, ou um exagero sobre suas palavras e motivos. É tentador caluniar porque faz com que nossa própria resposta pareça mais restrita, mas leva a ferir sentimentos e, no seu extremo, leva-nos a desumanizar os outros e transformá-los em inimigos com os quais não podemos nem devemos nos comprometer.

Ao invés de caluniar, podemos nos manter a um nível de precisão na forma como falamos sobre os outros. Com toda a honestidade, o que essa outra pessoa realmente disse? Qual o motivo mais positivo que posso atribuir às suas palavras e ações? Se usarmos o que Francisco chama de “palavras cuidadosamente ponderadas e claras” quando falamos dos outros, manteremos as linhas de comunicação abertas.

Difamação

A difamação é o hábito de trazer de volta à luz falhas obsoletas ou erros passados. Eu difamo alguém quando menciono sempre suas falhas. Posso falar a verdade sobre essa pessoa, mas a própria comunicação é desnecessária e prejudicial. Sempre que faço isso, mais tarde percebo que fiz isso para aliviar meus próprios sentimentos de culpa e para fazer eu me sentir melhor, mas não é justo trazer os erros do passado para ganhar discussões ou seguir meu caminho.

Ao invés de difamar os outros, tenhamos o hábito de falar positivamente sobre eles. Eu criei uma regra para mim. Sempre que uma pessoa é mencionada durante uma conversa, as primeiras palavras da minha boca em resposta devem ser algo positivo sobre essa pessoa. Ao longo do tempo, essa regra tornou-se um hábito e ficou cada vez mais fácil. Talvez o resultado mais surpreendente para mim foi que à medida que meus hábitos de comunicação mudaram, a maneira como eu realmente penso sobre as pessoas se tornou mais positiva também.

Estas são as lições que ensino às minhas filhas enquanto trabalhamos na formação de hábitos positivos de comunicação, e elas são úteis para mim também quando preciso me comunicar com os outros e, caso haja algum desentendimento, isso mantém uma relação civilizada. O seu progresso e o meu são prova de que uma comunicação positiva e construtiva é muito possível.

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