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A técnica de comunicação que pode trazer paz para sua casa

FAMILLE HEUREUSE
© Shutterstock
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A comunicação não-agressiva de Marshall B. Rosenberg está se tornando popular para resolver grandes e pequenos conflitos familiares

Você, às vezes, vive uma atmosfera tensa em casa? Você definitivamente não está sozinho(a)! Mas, e se houvesse uma maneira de encontrar alguma paz e harmonia que beneficiaria você e aqueles que você ama?

Você pode querer olhar para a técnica da “comunicação não-violenta”. É particularmente útil em um ambiente familiar para ajudar os membros da família a se comunicar eficazmente e fazer reinar a paz. Falamos com aqueles que tentaram, e os resultados são encorajadores.

Desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Marshall B. Rosenberg na década de 1970, a comunicação não-violenta (CNV ou NVC – que é a sigla em inglês para nonviolent communication) nos dá a capacidade de mudar nossa linguagem e nossas interações e agir com bondade, inspirando os outros a fazê-lo também.

Tudo começa com um dos princípios fundamentais da CNV: reconhecer suas necessidades individuais e se encarregar delas, sem responsabilizar os outros em seu círculo. Combinando inteligência emocional com inteligência racional, a técnica é ensinada em muitos países ao redor do mundo e pode literalmente transformar relacionamentos familiares.

Em acampamentos para adolescentes, a CNV recebeu reações mistas entre os jovens. Alguns consideram muito “água-com-açúcar“, enquanto outros acham realmente útil.

Isso dá aos jovens e às crianças um mecanismo para que seus pais saibam que eles as estão irritando, sem dizer-lhes que estão sendo irritantes. Permite que as crianças se comuniquem com suas mães e pais sem agressão, mesmo em momentos de tensão.

No entanto, através da CNV, o que normalmente terminaria em gritos e bateção de portas, agora é resolvido em uma atmosfera calma, graças a quatro elementos-chave que têm um poder quase mágico: observação, sentimentos, necessidades e solicitação.

Um exemplo perfeito é aplicado aqui: “Quando você chega em casa do trabalho e me critica porque estou no celular, sinto-me estressado e triste. Sinto-me injustamente acusado. Preciso que você confie em mim”.

Esses quatro elementos-chave e o paradigma que representam ajudaram a mudar a vida de milhares de pessoas. E todos descobrem uma verdade fundamental que muda a vida: em vez de me sentir dependente dos outros, devo estar consciente das minhas próprias necessidades e ser responsável por elas.

Um método adequado para 7 a 77 anos de idade

Não há necessidade de saber ler para experimentar esse método de comunicação não-violenta dentro de sua própria família.

É uma excelente solução para uma birra improdutiva; desde uma idade muito pequena, as crianças podem aprender a expressar suas necessidades. Rosenberg apresenta um “inventário de necessidades” que não é “exaustivo nem definitivo”. Embora liste muitas necessidades, o inventário na página da Rede do Centro para a Comunicação Não-Violenta se concentra em sete categorias:

Conexão (aceitação, empatia, inclusão, amor…)

Bem-estar físico (comida, ar livre, exercício, sono, água…)

Honestidade (autenticidade, integridade…)

Brincadeira (alegria, humor)

Paz (beleza, igualdade, harmonia, inspiração…)

Autonomia (liberdade, escolha, independência…)

Sentido (consciência, desafio, criatividade, esperança, aprendizagem, espiritualidade…)

Anteriormente, as palavras “dê o fora!” não eram incomuns na casa de Mélanie, mãe de duas crianças de 11 e 14 anos. Porém, agora, foram substituídas por explicações, como: “Quando estou fazendo panquecas e você fica atrás das minhas costas, eu fico estressada; eu receio que você fará cócegas em mim. Você pode sair da cozinha?”.

Difícil de acreditar? Para Mélanie também, enquanto ela escuta seus dois filhos falando calmamente na cozinha. Se uma palavra agressiva ocasional ainda aparece, seus filhos têm à mão a lista de emoções, necessidades e sentimentos presa na geladeira.

Mélanie confessa: “Um dia, houve um estresse: à noite, eu joguei tudo da mesa do meu filho no chão. Eu não conseguia mais lidar com a bagunça. O desastre se seguiu: o cabo de energia da lâmpada puxou o aquário para fora da mesa… Quando eu me vi no chão, tentando salvar o peixinho dourado, com os rostos petrificados de meus filhos olhando para mim, eu sabia que tinha de pedir ajuda. Fiz um curso de quatro dias em gerenciamento de conflitos com uma associação chamada Communications. Desde então conversamos o tempo todo! Eu mudei, já não perco a paciência em casa, e as crianças claramente aprenderam o que eu passei para elas”.

Uma ferramenta que realmente faz diferença

Florence Peltier, conselheira familiar e matrimonial, usa as ferramentas da CNV com frequência quando está atendendo, e ela notou seus benefícios em relação a romper um impasse ou restaurar uma relação pai-filho para uma situação positiva.

Ela cita o exemplo de um marido que era muito crítico com sua esposa. A CNV ajudou o homem a perceber que ele realmente estava criticando sua mulher, porque ele achava que ela não estava lhe dando bastante apreciação e que suas expectativas eram irrealistas; ela não podia ser sua líder de torcida em tempo integral.

Ele começou a assumir a responsabilidade por suas próprias necessidades, e começou a fazer exercícios para aumentar sua autoestima. Isso permitiu que ele redescobrisse um relacionamento adulto-adulto com sua esposa, em vez de se queixar o tempo todo como um adolescente com uma crise existencial.

Outra cliente também aprendeu a estar em sintonia com ela mesma usando a CNV. Quando ela sente uma onda de raiva ou tristeza, ela leva um minuto para se concentrar em si mesma.

“Meus sentimentos me alertam para uma necessidade insatisfeita, como um sinal no painel do carro. Preciso relaxar, comunicar ou ter algum apoio? Muitas vezes, o fato de compreender a necessidade me acalma e me permite tomar medidas concretas. Eu estava ficando mal-humorada, e eu me culpava muito. Encontrei uma ferramenta para assumir o controle da minha felicidade”.

Outro pai, que vê muito pouco seus filhos jovens, usa a CNV para chegar ao coração da questão – literalmente. Os poucos minutos que ele gasta com eles são muito preciosos. Então, assim que os vê, ele simplesmente pergunta: “O que está acontecendo no seu coração?”. É uma maneira de ir direto ao essencial, alcançar o que realmente marca seus filhos, permitindo que eles expressem suas emoções.

Colocar a CNV em prática não é um procedimento complicado. Realmente é incrível como uma frase, ou apenas estar ciente do que você precisa, pode fazer toda a diferença em como você se comunica. Quem sabe, pode levar a uma vida familiar mais pacífica, com menos bateção de portas.